27 Janeiro 2022, Quinta-feira
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O desperdício alimentar também é um problema seu

A recente atribuição do Prémio Nobel da Paz ao Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, voltou a chamar a atenção para o importante papel que a alimentação pode ter nos conflitos entre os povos, servindo de arma por parte dos mais fortes ou, por outro lado, ajudando a apaziguar regiões quando a necessidade alimentar é satisfeita. O prémio deve fazer também com que todos pensemos na alimentação racional e saudável como uma urgência e, mais especificamente, sobre que papel podemos ter na redução do desperdício alimentar.

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Não faz sentido que os países mais desenvolvidos e os grupos privilegiados da população deitem fora incontáveis toneladas de alimentos, enquanto, em todo o mundo, mais de 820 milhões de pessoas não possuem o suficiente para viver.

Para além de inegáveis impactos sociais, económicos e sociais, é ilógico que se produza sem que tal beneficie quem quer que seja, quanto tantos necessitam e não têm.

Só em Portugal, desperdiça-se por ano um milhão de toneladas de alimentos, especialmente legumes e frutas, tendo surgido, nos últimos anos, um conjunto de iniciativas individuais, institucionais e até empresariais que lutam contra o desperdício alimentar e pugnam para que os bens não usados por uns, possam ser distribuídos por quem mais precisa ou vendidos a baixo custo, acabando por ter um propósito, uma utilidade.

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O projeto Fruta Feia, a app To Good to Go, a plataforma Good After, algumas cadeias de supermercados que já fazem um encaminhamento diário de produtos alimentares para instituições de solidariedade ou reduzem o preço quando o produto está próximo de atingir o prazo de validade, são alguns exemplos de boas práticas.

Também recentemente se assinalou pela primeira vez o Dia Internacional da Consciencialização Sobre Perdas e Desperdícios Alimentares e foi lançado o movimento Unidos Contra o Desperdício, que congrega um relevante conjunto de vontades representativas dos sectores de restauração e hotelaria, distribuição e logística, agricultura a outras entidades pioneiras nesta área, bem como a Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar (CNCDA) criada pelo Despacho n.º 14202-B/2016, de 25 novembro 2016 da Presidência do Conselho de Ministros e que tem como missão “promover a redução do desperdício alimentar através de uma abordagem integrada e multidisciplinar”.

Esta problemática, tem estado na agenda do Governo – com várias medidas, nomeadamente durante o período de confinamento, para facilitar o escoamento de produtos sem procura – bem como da Assembleia da República.

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Na última semana, precisamente na véspera do Dia Mundial da Alimentação, o tema voltou a ser discutido e tive a honra de intervir sobre o mesmo.

Um terço dos alimentos desperdiçados em Portugal tem origem nas nossas casas, certamente com peso nos orçamentos familiares. Esta razão acresce a todas as outras para que todos façamos um esforço, consumindo de forma mais consciente, adquirindo apenas o que sabemos ser necessário.

São relevantes todos os contributos que, quer os partidos políticos, quer os cidadãos organizados, possam dar para ajudar a combater este desperdício, mas cada um de nós deve pensar de que forma, pessoalmente, pode colaborar com esta causa maior, que deve ser de todos.

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