19 Janeiro 2022, Quarta-feira
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Manifesto: Por um Vitória respeitado e com futuro

No momento em que o nosso Vitória FC atravessa a fase mais negra da sua história, e porque não se vislumbram soluções à altura da gravidade da situação, os associados abaixo identificados querem partilhar com os demais sócios a sua preocupação e apelar à responsabilidade individual e colectiva.

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Ao contrário do que seria desejável, o processo eleitoral em curso mostra-se incapaz de gerar uma solução de unidade, ou, pelo menos, minimamente consensual e merecedora de uma sólida confiança dos sócios, de entusiasmar os adeptos e de envolver os parceiros institucionais de que o Vitória precisa para se reerguer.

Ao fim de duas décadas de declínio, em que o Vitória deixou de ser o emblema respeitado que era no panorama nacional – em que nada de estrutural se fazia sem que o VFC também fosse ouvido -, temos apenas uma SAD falida e um clube incapaz de honrar os seus compromissos.

Para manter ainda alguma esperança num futuro para o Vitória, temos de estar conscientes de duas coisas essenciais:

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– O passivo da SAD, superior a 30 milhões de euros, torna-a economicamente inviável e desinteressante para investidores sérios. Temos de aceitar que a SAD está condenada à insolvência e que a vinda de um milionário salvador é pura ilusão.

– O clube, com um passivo igualmente elevado (superior a 10 milhões), carece de uma avaliação séria e honesta, que forneça aos sócios a informação necessária e suficiente para uma decisão esclarecida quanto ao seu futuro. Só depois de conhecermos a realidade, poderemos perceber se há condições mínimas para tentar a viabilidade e decidir em conformidade. A situação é de tal forma grave que, se o clube não conseguir, nos próximos meses, um encaixe de, pelo menos, cinco milhões de euros, para prover ao cumprimento das obrigações mais imediatas, corre o risco de sucumbir logo aos primeiros pedidos de insolvência que possam ser apresentados por credores.

Assim, estes dois aspectos – aceitar a insolvência da SAD e avaliar correctamente a viabilidade do clube – são os primeiros pressupostos da reconstrução do nosso Vitória e o único caminho para um futuro sustentável.

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Não podemos misturar paixão com razão mas também não precisamos de ter medo de refundar o Vitória, se necessário. Pode haver mais futuro num Vitória refundado, sem dívidas, do que na continuação do actual modelo, em que a situação apenas se agrava. Com a refundação podemos ter o clube de volta às competições profissionais em três anos, enquanto na situação actual, sem as receitas da TV e sem as certidões da AT e SS, que serão obrigatórias a partir da próxima época até para o Campeonato de Portugal, em breve voltamos aos distritais, ainda mais pobres e mais atrasados.

Se formos competentes, mesmo num cenário de refundação, o Vitória pode contar com activos que nos permitem acreditar numa rápida ascensão aos nacionais. Com uma história de 110 anos, quase 10 mil sócios pagantes e uma das mais pujantes místicas do país, o Vitória, limpo de passivo, voltará a ser um dos mais consistentes clubes nacionais.
E, tão importante quanto as condições anteriores, continuamos a poder usufruir do complexo do Bonfim – neste caso graças ao Município de Setúbal, e em particular à presidente Maria das Dores Meira, a quem devemos não só agradecer, mas também saber mostrar a capacidade e a idoneidade necessárias para que a autarquia possa garantir, no futuro, o apoio de que vamos precisar para reconstruir o Vitória.

Com uma visão realista, além de melhores perspectivas de futuro para as competições profissionais, poderemos aspirar às condições adequadas à continuação da prática das modalidades amadoras, com mínimos de estabilidade para atletas e staff, garantindo a viabilidade da função social do nosso clube. É preciso não esquecer que o Vitória é futebol, mas não só, está também no coração de milhares de crianças, jovens e suas famílias, ligados às modalidades que praticam ou já praticaram nas nossas instalações e com o nosso emblema.

O Bonfim tem de continuar à disposição das modalidades e da formação e o Vitória tem de continuar ao seu serviço, ainda que numa lógica de auto-sustentabilidade das diversas secções, suportada em receita própria de patrocínios e bilhética.

Em nome do futuro, os sócios, todos nós, temos de ser mais exigentes do que nunca para, desta vez, assegurar que o VFC consegue uma direcção o mais consensual possível, com as pessoas mais idóneas e competentes, que assumam o compromisso de avaliar a situação económica e financeira do clube, em prazo razoável, de poucos meses, para permitir que possam ser os sócios a decidir, de forma esclarecida, sobre a viabilidade do clube.

Uma direcção de pessoas de bem, que aceitem a missão de gerir o clube sem retribuição monetária, que façam da transparência e verdade ponto de honra e que saibam envolver todos os vitorianos – incluindo uma secção de mulheres, com a força aglutinadora da sociedade que só elas têm -, a cidade e a região.

Ao presidente da Mesa da Assembleia Geral pedimos que, não sendo possível garantir, através do actual processo eleitoral, as condições mínimas para a construção da solução directiva necessária, não deixe de ter a coragem de convocar um novo processo, nos termos adequados a uma melhor solução, designadamente com mais tempo e oportunidade para que os sócios possam debater previamente o futuro do clube em Assembleia Geral.

Temos de ter noção de que antes da glória está a honra e que só com um projecto respeitável podemos voltar a ter um clube respeitado.

Temos a obrigação de honrar o legado dos nossos antepassados e de estar à altura dos que construíram o clube, para, com o que resta – que não é pouco – saber reerguer o Vitória e deixa-lo em condições dignas para as gerações vindouras.

Por um Vitória FC novamente respeitado e com perspectivas de futuro,

Fernando Pedrosa
Mário Moura
Eugénio da Fonseca
Carlos Cardoso
Luís Fuzeta da Ponte
Francisco Alves Rito
Paulo Sérgio
Dulce Soeiro
Carlos Manuel Cardoso
Carlos Lopes Pereira
Mário Guilherme Venâncio (Maresas)
Luís Quintas da Cruz
Rui Carlos Catalão Arraiado
Rui Mendes
Lino Bartolomeu Pereira
Paulo Oliveira

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