26 Julho 2021, Segunda-feira
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Teletrabalho: o desafio da hiperconectividade e o direito à desconexão

O conceito de teletrabalho, segundo parece, tem mais de 100 anos! Terá tido a sua origem no ano de 1857, quando um proprietário do sector ferroviário, J. Edgard Thompson, fez uso do telégrafo para gerir divisões remotas, delegando controle no uso de equipamento e mão-de-obra.

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Desses dias até hoje, a evolução tecnológica permitiu um conceito de teletrabalho muito mais abrangente e diverso mas a ideia base é comum: a prestação laboral fora da empresa e através do recurso a tecnologias de informação e de comunicação.

Se mesmo antes do surgimento da Covid-19 havia já alguns sectores do mercado a abraçar o trabalho remoto, actualmente a sua implementação veio revolucionar em larga escala os nossos dias e as nossas rotinas profissionais. E sem retorno, atrevo-me a dizer! Segundo um estudo recente da plataforma portuguesa digital Fixando, que envolveu cerca de 1300 empresas e trabalhadores, 65% dos trabalhadores inquiridos quer continuar a laborar via remota e 59% dos patrões concorda. O próprio Primeiro Ministro, interpelado na semana passada pelo PAN, revelou que considera desejável alargar o recurso ao teletrabalho, mesmo após esta fase mais crítica da pandemia.

Pessoalmente, tenho sempre defendido as vantagens do trabalho remoto, das quais destaco o tempo e dinheiro poupados pela não necessidade de deslocação, e a descentralização do próprio trabalho. Aqui há um claro ganho em termos ambientais com a diminuição da emissão de gases com efeito de estufa, e também ao nível da qualidade de vida dos trabalhadores e da redução nos custos das empresas.

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Contudo, existe um outro lado da questão relacionado sobretudo com a capacidade de gestão do trabalho em termos de tempo e espaço. Como separar a vida profissional e a pessoal, quando tudo acontece no mesmo local? Como concretizar efectivamente o direito à desconexão quando utilizamos os mesmos meios para trabalhar e para viver para lá das funções laborais? A hiperconectividade é um dos desafios desta nova realidade, a caminho da chamada Sociedade 5.0, com base na tecnologia mas centrada nas Pessoas e já não tanto na indústria e na produtividade.

Teria sido uma transição mais suave se a Covid-19 não entrasse na equação? Seria mais pacífica a nossa adaptação? Muito se tem dito que, em presença deste novo vírus, estamos no mesmo barco mas as circunstâncias são muito distintas. Se há pessoas que estavam já preparadas em muitos sentidos para esta revolução, para outras tantas, ou até mais ainda, a adaptação foi (e continua a ser) conturbada. Principalmente se tivermos em conta que esta tem sido uma fase em que para além de viver uma ruptura abrupta com a sua anterior forma de trabalho, muitos de nós se vêem obrigados a gerir rotinas que incluem a educação doméstica dos seus filhos, muitas vezes com resultados caóticos.

Também aqui a Covid-19 veio acelerar o futuro e resta-nos agir de acordo com o que nos exige a nova revolução. Recordo uma frase de Stephen Hawking que sempre me tem acompanhado: “Inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança.”

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