9 Agosto 2022, Terça-feira
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Agentes da autoridade, arruaceiros, bandidos, justiça

Estou farto de ver agentes da autoridade a massacrar povo à bastonada. Já assisti à exibição trauliteira de agentes que desancam a eito à sua passagem, sem olhar a sexos e idades, a inocentes ou culpados. Se há rufias nas forças de segurança que gostam de bater e retiram prazer do sofrimento que causam (é o que às vezes parece), usando a força de maneira que não se justifica, não têm perfil para serem polícias ou guardas-republicanos. A PSP e a GNR existem para zelar pela ordem pública e pela segurança dos cidadãos, e não para massacrá-los, indiscriminadamente. E um agente da ordem não pode parecer um desordeiro.
A segurança privada tem atrás de si um lamentável rasto de violências, como a que aconteceu recentemente junto à discoteca Urban, em Lisboa. O setor é conhecido pelas frequentes façanhas de valentões que gostam de abusar dos físicos anabolizados. Quem procura os divertimentos noturnos não pode estar à mercê de indivíduos de maus fígados e consciência de gafanhoto, que não podem ser seguranças. Evidente que não podemos colocar no mesmo saco a totalidade dos seguranças (como não podemos lá pôr todos os polícias e guardas-republicanos).
Dizer que os seguranças privados também são objeto de provocações, ameaças e agressões de arruaceiros e criminosos que frequentam a noite. E as agressões a polícias e guardas-republicanos tornaram-se diárias. As imagens de um polícia a ser violentamente agredido (Lisboa, outubro), são chocantes. Quando vi aquilo, fui assaltado por uma pergunta: «Porque é que o agente, equipado com um cassetete e uma pistola, se deixou agredir daquela maneira?». E só encontro uma resposta: ao polícia não deve ter faltado a vontade de reagir como se impunha e era lícito, a meu ver, perante um indivíduo muito mais forte fisicamente, que não parava de agredi-lo. Mas ele sabe que as hierarquias e os governos não os defendem e os deixam à mercê do linchamento público e do processo disciplinar. Lembrando o que a casa gasta e que uma reação mais consentânea com a situação poderia colocar o emprego em causa, deixou-se espancar, numa humilhação que também humilha a instituição Polícia de Segurança Pública. Perpetrada por um patife com currículo nos desrespeitos pela autoridade e nas agressões a cidadãos comuns e a polícias. E o que é extraordinário é que o marau, presente em tribunal, foi mandado para casa. Não vi, mas é muito provável que à saída tenha exibido o ar triunfante da impunidade, que é o que acontece quando a mão da Justiça é frouxa com os bandidos. Não tardará, estaremos a vê-lo repetir a heroicidade.

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