27 Janeiro 2023, Sexta-feira
- PUB -
InícioOpinião(Feliz) Regresso ao passado

(Feliz) Regresso ao passado

Como tem sido divulgado na comunicação social, no próximo ano letivo, os alunos voltam a ter área de projeto e educação para a cidadania, antiga formação cívica; os tempos letivos atribuídos a algumas disciplinas também serão alterados, prevendo-se o reforço na área das humanidades, com destaque para a História.

- PUB -

 

Recorde-se que, neste momento, em muitas escolas, quer a Língua Portuguesa quer a Matemática beneficiam de carga horária que corresponde ao triplo da que é atribuída à História. Com as medidas recentemente divulgadas pelo ministério da educação (que, há muito, temos vindo a defender em artigos anteriores publicados neste jornal) procura-se equilibrar as aprendizagens que garantem emprego , leia-se ciências exatas, com as aprendizagens que promovem  a socialização dos alunos, a educação para a cidadania, ou seja ,procura-se a integração do saber , do saber fazer, do saber estar e do saber ser. Vem a propósito recordar que a palavra cidadania está relacionada com cidade, significando viver com os outros, melhor saber viver com os outros, não devendo o cidadão limitar-se a respeitar os que o rodeiam, mas também a agir de modo a contribuir para a construção de uma sociedade mais solidária, mais justa.

Quando pelo mundo vão surgindo líderes políticos defensores da xenofobia, da misoginia, do racismo, demonstrando que a democracia não é um bem adquirido, mesmo na velha Europa, onde no século V a.C nasceu o «governo pelo povo», algum democrata, algum defensor dos direitos humanos, discordará das propostas do ministério dirigido por Brandão Rodrigues?

- PUB -

Alguns críticos não deixarão de afirmar, com razão, que neste momento existem três documentos (des)orientadores do trabalho dos professores em sala de aula: programas das disciplinas (elaborados há décadas), metas curriculares (do tempo de Nuno Crato) e o perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, dado a conhecer recentemente.  É urgente fazer-se a compilação do que cada um deles tem de positivo e elaborar-se um documento único.

Com a valorização de saberes que garantem emprego, leia-se ciências exatas, subalternizaram-se as artes, silenciou-se o espírito crítico dos alunos, o direito a ter opinião. Esqueceu-se que algumas aprendizagens se adquirem, essencialmente, através da repetição, enquanto a audição de uma sinfonia de Beethoven, desperta sentimentos, reações diferentes; num debate sobre a escravatura, cada aluno concorda ou discorda da opinião do outro, aprende a ouvir, a refletir, a aceitar, a recusar, a ter opinião. Esqueceu-se que uma escola organizada para obter bons resultados em exames, forma gente, não forma pessoas criticas, insubmissas, cidadãos que defendam a paz, recusem a guerra, defendam a justiça, recusem a injustiça, repudiem a xenofobia, a misoginia, o racismo.

Felizmente, está de volta a vontade de articular o saber, o saber fazer, o saber estar e o saber ser.

Comentários

- PUB -

Mais populares

Pai herói salva filha bebé de incêndio que destruiu habitação [actualizada]

Entrou em habitação em chamas e conseguiu resgatar a bebé. Sinistro destruiu o 1.º piso da habitação

Comando dos Bombeiros do Montijo repudia críticas sobre combate ao fogo de sexta-feira

Reacção surge na sequência de vídeos e comentários publicados nas redes sociais 

Sexta-feliz chega ao concelho para dar “mais tempo” aos funcionários

PartYard decidiu dar as tardes de sexta-feira aos trabalhadores para melhorar o seu rendimento
- PUB -