15 dias horribilis

15 dias horribilis

15 dias horribilis

10 Fevereiro 2026, Terça-feira
Deputado do PSD

Portugal vive(u) um período difícil, com tempestades contínuas a abalarem as nossas instituições e até a nossa fé.


Vamos por partes, as nossas estruturas são caducas, instáveis, degradadas e não passaram no teste.

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Antes de mais, sejamos justos, nós somos um país ameno, pouco dado a tempestades, sem grandes eventos que aas tenham posto à prova nos últimos 100 anos, pelo que não tiveram de ser renovadas por terem sido destruídas por esses eventos, como noutros países propensos a tempestades, inundações, terramotos ou outros eventos destruidores, logo, nem que fosse por via desses eventos, muitas dessas infraestruturas tiveram de ser substituídas com o tempo. As nossas não.


Depois, não somos um País muito dado a planeamento, investimento estrutural o que conjugado com as diversas crises que temos atravessado nos últimos anos, temos sempre escassez de meios financeiros para esses investimentos.


Por outro lado, a formação: Sei do que falo. Fui Vereador da Proteção Civil de uma câmara municipal do concelho e quando fui empossado, percebi que a equipa tinha pouca ou nenhuma formação e por isso pedi formação, pelo menos para mim e para o coordenador e foi recusada. Perguntam-me se correu bem? Si, mas à custa do voluntarismo da equipa e do meu estudo do assunto e não de uma formação específica que eu tenha aprendido.

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E como foi o meu caso, muitos outros pelo país fora. E sem formação de base, sem meios, sem aposta, nunca lá chegaremos. Temos os instrumentos (por exemplo, lembro-me que o Seixal foi um dos três primeiros municípios a ter o Plano Municipal de Emergência aprovado, mas depois falta tudo. Treino, experiência know-how e só treinamos e contexto real e em contexto real, desenrascamos.


O que se passou em leiria foi muito isso. Um país impreparado para o que aconteceu, sendo que ventos de 200km/hora em bom rigor ninguém fica preparado, mas a resposta a isso tem de estar estudada. E não podemos passar simplesmente a responsabilidade ao parceiro do lado. Temos de a assumir.


Cabe às autarquias acionarem os seus Planos Municipais de emergência, dirigidos pelo presidente da câmara e coordenados pelo coordenador distrital da Proteção Civil. Isso foi feito.

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Cabe ao governo estar presente, mas à proteção civil acionar os meios necessários. Foi feito? Cremos que não, pelo menos devidamente.


Do outro lado desta análise, socorro-me do que vi em Alcácer. A Sra. Presidente da Câmara e restantes autarcas (nem sequer é uma câmara do PSD) estavam no terreno, tal como em Leiria (onde não estive) e vi-os a confortarem a população, a informarem as restantes autoridades, a preocuparem-se com os seus. A chorarem e darem o ombro amigo a quem lhes pedia e isso é único e fantástico. Vi a proteção civil a monitorizar tudo, preocupado com a segurança dos seus homens, mas com a segurança da população, mesmo com aqueles que não colaboravam.


Sabiam o que fazer, como e quando. Foram ao ponto de terem power banks carregadas para levarem a zonas remotas, para quando essas pessoas estivessem sem acesso a eletricidade.


Num mundo é que tudo parece mau, em que se critica tudo e todos, queria passar-vos este relato de reconhecimento aos nossos bombeiros, às nossas forças de segurança, à nossa proteção civil, aos nossos autarcas, ao nosso governo, ao nosso presidente da República (esteve presente), porque não dizer, aos nossos deputados e à nossa extraordinária população com a sua imensa massa de voluntariado. Somos um País pequeno, mas enorme e de uma grandeza extraordinária e vamos todos dar a volta, mesmo após esta sequência de tempestades, que tornaram estes 15 dias como dias horribilis.

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