Jovem vereador recandidata-se com o objectivo de “trabalhar nas ruas para um futuro conjunto” com uma “verdadeira governação independente”
Gonçalo Pimenta Naves é o candidato do Movimento Independente MAIS à Câmara Municipal de Sines. Na sua segunda ida a votos, após ter ficado em segundo lugar nas autárquicas de 2021, o jovem natural de Sines critica a actual gestão autárquica, que considera ser feita “de costas para as pessoas” e que falhou em três “dimensões fundamentais”, sendo elas o espaço público, a habitação e a relação de proximidade com os munícipes.
O actual vereador pretende uma “verdadeira governação independente” dos destinos do município, e assegura que com este movimento a população verá esta candidatura a “trabalhar nas ruas para um futuro conjunto”.
Em entrevista a O SETUBALENSE, Gonçalo Naves explica que o seu modelo de desenvolvimento económico para o concelho assenta em dois eixos, os grandes investimentos nacionais ou internacionais e os pequenos empresários do concelho e da região.
Quanto ao futuro, o candidato mostra-se confiante que o concelho de Sines está perante o final de um ciclo político e o início de um outro, destacando que 2025 será “o ano do início da mudança”.
O que o levou a recandidatar-se enquanto independente?
Queremos uma verdadeira governação independente dos destinos do município. Na governação local é importante que seja a população a decidir os seus destinos e que não esteja amarrada a lógicas partidárias que pouco servem o território e os cidadãos. É com esta convicção que nos apresentamos a eleições. Com o Movimento Independente MAIS teremos todos a certeza de que quem governará Sines serão somente os sineenses e os portocovenses. Será uma governação da população para a população. E sem interferências exteriores. Ser independente é também ter liberdade para decidir em prol do concelho sem amarras partidárias.
Enquanto vereador fez o trabalho que se havia comprometido a fazer?
Fiz uma vereação responsável e aberta. E completa, envolvendo sempre a população. Demos conta do que se passou nas reuniões de câmara e assembleias municipais e os sineenses agradeceram-no, porque isso nunca tinha sido feito. Além disso, deixámos claras as nossas posições em relação aos principais temas da governação e nunca desistimos das nossas principais causas (o espaço público, a habitação, o desenvolvimento económico e a proximidade). Pessoalmente, estive sempre ao dispor e contactável. Falei, certamente, com muitas centenas de pessoas. Esta é a nossa postura natural e penso que dará frutos. Acima de tudo, quis mostrar que podemos fazer política virada para as pessoas, querendo saber delas, preocupando-nos genuinamente com as decisões que afectam as nossas vidas.
O que pode trazer de novo ao município de Sines?
Queremos fazer uma política virada para as pessoas e não uma política de PowerPoint fechada no gabinete. Há muito que a gestão autárquica de Sines é feita de costas para as pessoas, envolvendo-as pouco nos processos de decisão. Isto cria um fosso entre a acção da câmara e os reais interesses da população. Queremos fechar este fosso. Temos experiência e também a irreverência para provocar esta mudança. Temos o conhecimento da terra e das suas pessoas. Mas temos, diria, quatro características definidoras, e que farão certamente a diferença em relação a este executivo: capacidade de trabalho, capacidade de ouvir, energia e liderança. Sines precisa de alguém que tenha realmente vontade para encarar os desafios que vamos atravessar nos próximos anos e força para defender os munícipes. Uma coisa é certa, as pessoas vão ver-nos nas ruas junto delas a trabalhar para o nosso futuro conjunto. A política de porta fechada tem de acabar.
O que está a ser mal feito pelo actual executivo que o leve a se candidatar?
Bom, penso que temos sido claros em relação a isso. Este executivo falhou em três dimensões fundamentais: o espaço público, a habitação e a relação de proximidade com os munícipes e com os trabalhadores da Câmara Municipal. Quando falhamos no que é fundamental, o resto que possa ter sido feito perde parte da sua relevância. O MAIS é a candidatura que vai olhar novamente para os problemas comuns dos sineenses e dos portocovenses. Vamos resolver inúmeras matérias pendentes, muitas delas de resolução simples.
Quais são as principais mudanças que a sua candidatura traz à mesa?
Para além da política de proximidade, queremos também transformar a cidade num local de eleição para viver e trabalhar. Sines tem falta de infra-estruturas de lazer na cidade, poucos locais de encontro e que permitam que as pessoas vivam e apreciem a cidade. Dou-lhe um exemplo, se um avô se quiser encontrar com o seu neto, não tem um local com condições para passarem um bom tempo em família. Sines necessita deste tipo de locais e infra-estruturas. Falta, por exemplo, um grande parque urbano – que é uma das nossas grandes propostas. Como é possível uma cidade como Sines não tem um parque urbano que proporcione qualidade de vida quem cá vive e que seja também motivo de visita? Hoje, as cidades modernas têm infra-estruturas que melhoram a vida no espaço público. E uma das que queremos implementar é mesmo a de um grande parque, sustentável, que seja referência e montra da cidade, à semelhança, por exemplo, do Parque dos Poetas em Oeiras. Dou este exemplo para percebermos o tipo de transformação que se pode ter na cidade, melhorando a qualidade de vida e tornando Sines mais atractiva. Mas apresentaremos outros em breve. Temos muita energia, muita vontade e muitos projectos. E, acima de tudo, uma equipa muito competente para esta missão.
Com a saída de Nuno Mascarenhas (PS) sente que tem uma maior possibilidade de vencer?
Penso que estamos perante o final de um ciclo político e o início de um outro. Quando isto acontece abre-se sempre uma porta para a desejada mudança. E queremos ser o rosto desse desejo. É por isso que estamos focados em fazer o nosso trabalho de forma séria, rigorosa e próxima da população. Os sineenses sabem que estes 12 anos foram mais negativos do que positivos para o município. Além disso, o partido que agora está no poder em Sines nada traz de novo ou de diferenciador; apresenta a mesma receita que nos está a levar à estagnação. É neste contexto, em contraste com os nossos adversários políticos, que sentimos que temos hipótese de obter um bom resultado e ter a oportunidade de governar a Câmara Municipal de Sines.
O sector da indústria pode elevar ainda mais o município?
O Complexo portuário-logístico-industrial de Sines é definidor para a economia local, criando milhares de postos de trabalho directos e indirectos. Dá, também, um contributo importante para o crescimento do País. Sou de opinião que o Porto é o eixo mais importante para o nosso crescimento, já que é naturalmente devido à sua existência que a maior parte das outras indústrias escolhe Sines para se estabelecer. Mas apesar da sua relevância, não nos podemos focar somente nas grandes indústrias. Há investidores mais pequenos, oriundos de Sines ou do Litoral Alentejano, que querem investir cá, mas não têm sentido a abertura política nem o acompanhamento devido. O nosso modelo de desenvolvimento económico para o concelho assenta nesses dois eixos; por um lado, os grandes investimentos nacionais ou internacionais. Por outro, os pequenos empresários do concelho e da região, que querem fazer um investimento mais modesto, mas sempre importante para o aumentar da oferta gastronómica, turística, cultural e recreativa do concelho. Não vamos virar as costas a estas pessoas.
Existe algum sector que está a ser indevidamente aproveitado?
Sines está subaproveitada em várias frentes, desde o turismo, a cultura, a economia do mar ou até a própria logística. Há muito que fazer, mas também temos de desenhar um plano estratégico municipal de desenvolvimento económico. Sines tem de oferecer mais oportunidades para quem aqui vive, cresce ou quer desenvolver a sua actividade. E tem de criar condições para ser um concelho mais atractivo. É preciso o plano estratégico que mencionei, mas também uma actuação municipal que crie as condições onde esse plano se possa desenvolver. Repare-se que o actual executivo municipal não trata dos aspectos mais básicos da vida do concelho. O espaço público atingiu um estado de degradação nunca antes visto em Sines. As empreitadas de obras públicas têm tido, grande parte delas, três destinos possíveis: ou são anunciadas, mas nem sequer começam, ou começam e acabam por parar a meio ou começam e arrastam-se indefinidamente no tempo, muitas vezes não sendo dadas explicações. Os sineenses sabem a que me refiro e não aceitam mais este estado de coisas. Nós estamos prontos para trabalhar muito e vamos conseguir mudar Sines para melhor, olhando novamente aos problemas diários com que os sineenses se deparam.
Qual o maior problema relativamente ao dia a dia da população?
O maior problema é a falta de resposta da Câmara Municipal. Existe um vazio de actuação política que não é aceitável numa câmara como a nossa. O executivo do PS tem governado de costas voltadas para a população. Esqueceu-se completamente dos problemas comuns, dos sineenses e dos portocovenses comuns. Faz uma política para fora e virou as costas àquilo que diz respeito à vida de todos. Não envolveu a Câmara Municipal na criação de uma única habitação pública, desde 2013. Permitiu que o espaço público atingisse, como referi, um estado de degradação intolerável. Falhou nas maiores obras que prometia desde 2013 (Praça da República, Mercado Municipal, Rua Marquês de Pombal, Centro de Dia do Porto Covo, para dar 4 exemplos). Não se esforçou para diminuir o isolamento que a população rural sente. Ignora constantemente os pedidos e necessidades da população. Temos um problema muito grande quando a gestão de um município é feita dentro de uma bolha e deixa o concelho num vazio. O grande problema deste executivo foi mesmo a sua incapacidade para causar um impacto positivo no dia-a-dia da população. É o vazio político de um Partido Socialista que se esqueceu das pessoas. Virou-lhes as costas.
O tráfico de droga no Porto de Sines é uma preocupação?
Toda a prática de crime tem de ser uma preocupação do município. E, no que respeita ao Porto de Sines, iremos colaborar com as autoridades para criar mais e melhores condições no combate a qualquer actividade criminal. Temos de dar todas as condições para que os órgãos de polícia criminal façam eficazmente o seu trabalho. E, ao mesmo tempo, criar melhores oportunidades de vida e de carreira para quem aqui vive. Combate-se o crime de forma directa e também indirecta.
Tendo em conta a actual situação da criminalidade, o que pode ser alterado?
Em relação ao tema da segurança, quero referir dois assuntos. O primeiro diz respeito à necessidade de termos um posto local com mais condições e um reforço significativo de efectivos. Sabemos que é uma competência do Governo central, mas a CMS tem de lutar para que se torne uma realidade. Além disso, queremos avançar com a videovigilância em algumas zonas do concelho, designadamente no centro histórico de Sines. Acrescento ainda que ao contrário do que muitas vezes quer fazer-se crer, este assunto não é de esquerda nem de direita. É uma preocupação das pessoas, dos moradores e dos comerciantes. E nós temos de resolvê-la com mais segurança. Além disso, existe uma ligação directa entre o sentimento de insegurança e o cuidado do espaço público. Espaço público cuidado, limpo e mais iluminado tem tendência a ser menor propício a actos de criminalidade; actuaremos também nessa frente.
Existe mais alguma coisa que queira acrescentar?
Os sineenses percebem que nas eleições autárquicas de 2025 têm dois caminhos possíveis. Ou desejam deixar o concelho estagnado ou iniciar um novo ciclo de mudança e ambição para Sines. Acredito que escolherão o MAIS para uma mudança sólida, de confiança e com provas dadas. O povo é soberano. E será certamente sábio nesta escolha. Acredito que 2025 será o ano do início da mudança.