Com artistas oriundos de mais de 20 países e territórios, a 26.ª edição do FMM volta a arrancar na aldeia de Porto Covo, onde estará nos dias 17, 18 e 19 de julho
O Festival Músicas do Mundo (FMM) regressa a Porto Covo e Sines, de 17 a 25 de julho, com menos concertos e menor carga horária, mas a mesma filosofia, assinalou o diretor artístico e de produção esta quinta-feira.
A programação completa, apresentada esta quinta-feira em Sines, inclui 38 concertos, menos 11 do que na edição anterior, distribuídos pelos mesmos nove dias de festival.
“O Festival de Sines não deixa de ser o grande ponto de encontro dos amantes da música. As características e a filosofia do festival mantêm-se, há sempre um programa variado, a grande qualidade do cartaz continua”, destacou Carlos Seixas, em declarações telefónicas à Lusa.
Perante a ausência de artistas dos países africanos de língua oficial portuguesa, presença assídua noutras edições do FMM, o diretor assume a “lacuna”, mas garante que “não foi propositada”, simplesmente “aconteceu”.
No próximo ano, “naturalmente que vai ser completamente diferente”, promete, adiantando que já está a pensar na próxima edição, para a qual quer “trazer alguns dos nomes mais populares” da música africana lusófona.
“Está tudo preparado, para o ano vamos fazer uma grande homenagem à […] música africana de língua portuguesa, que poderia ter sido este ano, mas […] não se proporcionou”, afiança.
Mesmo do Brasil, que costuma enviar uma comitiva de músicos, apenas Otto virá ao FMM deste ano (dia 24).
Já a representatividade portuguesa mantém-se expressiva, com Carlos Seixas a realçar os regressos de Bruno Pernadas (dia 17), A garota não (dia 24) e Vitorino Salomé (dia 25), acompanhado pelo Grupo de Cantadores de Redondo, enquanto The Legendary Tigerman vai estrear-se em Porto Covo, no dia 19.
RESSOA-Ecos do Mundo (dia 21), Filipe Sambado (dia 22), Duques do Precariado e RS Produções (dia 23), Lavoisier e Pedro da Linha (dia 24) e Unsafe Space Garden (dia 25) fecham o contingente nacional, a que se junta ainda Emilio Moret, um dos músicos mais relevantes do som cubano, atualmente radicado em Portugal.
Entre os artistas internacionais, oriundos de quatro continentes, regressam ao festival os congoleses Konono Nº1 e os palestinianos Le Trio Joubran.
Entre as estreias, Carlos Seixas aponta a napolitana La Niña, a espanhola Lia Kali, os franceses Super Parquet, o maliano Mádé Kuti, neto de Fela Kuti, a cubana Orquesta Akokán e o jamaicano Julian Marley, filho de Bob Marley.
“Como é habitual, é um festival que junta nomes consagrados e novos talentos”, resume o diretor, reconhecendo que o FMM enfrenta “os condicionalismos de todos os festivais”, num contexto internacional difícil, mesmo para um evento de financiamento público (ainda que contando com patrocínios).
A mudança política na autarquia de Sines (que voltou a ser conquistada pela CDU nas últimas autárquicas) não teve impacto no festival, que se “mantém com toda a aceitação da parte do executivo [camarário]”.
“Está tudo mais complicado, mas continuamos a ser um ato de resistência”, sublinha Carlos Seixas.
“A produção de festivais enfrenta desafios em todo o mundo, logísticos, financeiros, e é sem precedentes neste caso”, vinca, acrescentando que “a instabilidade climática, política, energética, tornou os eventos mais caros e complexos”.
Atualmente, “um festival é um equilíbrio precário entre tecnologia de ponta e custos recordes”, aponta, confirmando que teve de deixar cair alguns nomes, sobretudo devido ao aumento do preço dos transportes e à instabilidade das rotas aéreas.
“Este ano há grandes constrangimentos nas digressões, sobretudo da parte de gente que vem do Médio Oriente, da Ásia”, mencionou.
Com artistas oriundos de mais de 20 países e territórios, a 26.ª edição do FMM volta a arrancar na aldeia de Porto Covo, onde estará nos dias 17, 18 e 19 de julho.
A música muda-se para Sines a partir de 20, primeiro com atuações distribuídas pelo Centro de Artes de Sines, pelo Pátio das Artes e pelo Largo Poeta Bocage e depois, a partir de 22, nos palcos do Castelo e da Avenida Vasco da Gama, junto à praia.
Além dos concertos, o festival oferece um programa de iniciativas paralelas, com exposição, atividades de divulgação científica, cinema documental, espetáculos para a infância, debates, oficinas, sessões de narração oral, encontros com músicos, visitas aos bastidores, apresentações de livros e uma feira do disco, do livro e do cartaz.