Em comunicado, o partido solicitou ainda ao Governo, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) e autarquias locais transparência e intransigência “na defesa das populações”
O Bloco de Esquerda pediu hoje esclarecimentos sobre os impactos sociais e ambientais da refinaria de antimónio prevista para Sines, exigindo a suspensão do processo de reconhecimento como Projeto de Interesse Nacional (PIN) desta unidade industrial.
Em comunicado, a concelhia de Santiago do Cacém do Bloco de Esquerda (BE) solicitou ainda ao Governo, Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) e autarquias locais transparência e intransigência “na defesa das populações”.
As preocupações do BE surgem após a Aicep Global Parques, entidade gestora da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), no distrito de Setúbal, ter divulgado a instalação de uma refinaria de antimónio neste território.
Segundo o Bloco de Esquerda, o antimónio é “um metal essencial para o desenvolvimento de grandes empresas tecnológicas, nomeadamente para equipamentos bélicos, como produção de balas, cartuchos, estilhaços ou em dispositivos de visão noturna e radares”.
Além de associar o projeto ao aumento da procura internacional por este metal, num contexto marcado pelas restrições impostas pela China às exportações, o BE questionou quem serão os principais clientes da futura unidade.
“Depois do anúncio de um “cais para uso militar” em Sines, tudo indica que o principal cliente do antimónio seja o “poderoso ‘lobby’ industrial-militar europeu ao serviço da NATO”, argumentou.
No entender do BE, “querem colocar Sines cada vez mais no centro de uma rota de perigosas tensões geopolíticas provocadas pela disputa de recursos naturais das potências imperialistas à escala global”.
No plano ambiental, o partido alertou para os riscos associados à operação industrial de “um metal potencialmente cancerígeno e altamente tóxico, com elevada capacidade de contaminação das águas e por via atmosférica”.
No mesmo comunicado, o BE criticou ainda o “grande processo de reindustrialização” projetado pela Comissão Europeia para Sines, com “investimentos de milhões de euros em centrais de dados, lítio, hidrogénio, aço, que exige um consumo de energia sem precedentes”.
Por essa razão, o BE exigiu que o Governo, CIMAL e autarquias locais “sejam transparentes e intransigentes na defesa das populações, do ambiente e da paz” e “promovam o esclarecimento público sobre os impactos sociais e ambientais desta nova unidade industrial”.
Além da suspensão do “processo de reconhecimento” como PIN, “submetido pelo promotor”, a concelhia de Santiago do Cacém do BE quer ainda saber “qual o destino final deste novo metal a refinar em Sines”.
Na mesma nota, o partido reclamou “um planeamento público e democrático, que responda às reais necessidades das pessoas, investindo em habitação acessível, saúde, educação, transportes, numa transição justa e com empregos dignos”.