Cerimónia, que celebrou o 47.º aniversário da instituição, formalizou a transição de instituto para universidade politécnica
A Universidade Politécnica de Setúbal (UNIPS) celebrou, na passada quarta-feira, o seu 47.º aniversário e a abertura do novo ano académico, numa cerimónia que assinalou o início de um novo ciclo institucional e que destacou as inovações pedagógicas na qualidade de uma das áreas estratégicas da instituição.
Ângela Lemos, a atual reitora, aproveitou, na sessão solene, para convidar a uma reflexão sobre “que universidade queremos construir a partir daqui?”, reconhecendo a evolução e maturidade académica, mas também que “mudar de nome é a parte mais fácil. O verdadeiro desafio começa depois”.
“Somos uma instituição politécnica e queremos ser universidade precisamente a partir dessa identidade, e não apesar dela”, disse, distinguindo a proximidade com os territórios e a sua componente experimental e prática do ensino politécnico.
Destacou também que a UNIPS, como “instituição de proximidade”, acompanha o mundo, as profissões, as ferramentas de trabalho, o próprio ensino e os estudantes, que estão em rápida mudança.
“É por isso que a UNIPS está a refletir estrategicamente sobre a sua formativa. Queremos aproximar o ensino da investigação, da inovação e dos problemas reais da sociedade e é essa visão que inspira o novo espaço pedagógico da UNIPS”.
A cerimónia contou com as intervenções do presidente da Comissão Instaladora do Instituto Politécnico de Setúbal (1988-1991), Júlio Montalvão e Silva, e de Luís Castro, vice-reitor da Universidade de Lisboa e membro do Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES).
Ao recordar a origem do Instituto Politécnico de Setúbal, que remonta ao fim do ensino médio em Portugal, no pós-25 de abril, Júlio Montalvão e Silva, relatou o período “relativamente duro”, antes da construção das instalações.
“Havia que criar duas escolas superiores verdadeiramente de raiz, de Tecnologia e de Educação, ambas uma novidade na região, e era preciso acompanhar obras, tomar decisões, às vezes contra a própria tutela, contratar os primeiros corpos docentes, e funcionários não docentes, programar o início das atividades”.
“Mas foi compensador, no sentido de ver as coisas a aparecer e a crescer”, referiu o antigo dirigente, relativamente à jornada da instituição até ao atual estatuto de universidade politécnica.
Luís Castro, por sua vez, defendeu que a inovação pedagógica “tem de estar, acima de tudo, ao serviço da promoção do sucesso académico” e esclareceu que a adoção de novas tecnológicas não significa abandonar os métodos tradicionais.
Explicou que é “mudarmos no sentido de melhorarmos a aprendizagem dos nossos estudantes, independentemente das ferramentas e das tecnologias que usamos”.
Na tarde comemorativa, além dos estudantes, docentes, técnicos e membros de gestão, subiram ainda ao palco o diplomado Pedro Vitoriano, que recebeu o Prémio Carreira Alumni 2026, e os docentes Luís Coelho e Fernando Almeida (jubilado), a quem foram atribuídos os títulos de Professor Benemeritus e Professor Emeritus.