Dizem que há “uma tentativa perigosa de cercear a liberdade de criação”. PS junta-se e acusa movimento independente de não intervir
O Teatro Animação de Setúbal (TAS) condena o sentido de voto dos vereadores eleitos pelo Chega na Câmara de Setúbal quanto à deliberação, votada na passada quarta-feira, sobre o apoio financeiro do município às companhias teatrais.
“É com estupefação que vemos o trabalho cultural ser rotulado como ‘agenda ideológica’ e ‘divisor de pessoas’. Tais afirmações revelam não só um profundo desconhecimento do papel das artes, mas também uma tentativa perigosa de cercear a liberdade de criação”, lê-se no comunicado partilhado na rede social Facebook do TAS.
A autarquia aprovou a atribuição de apoios financeiros a três companhias de teatro do concelho, num montante global superior a 200 mil euros, no âmbito de protocolos de colaboração.
Ao TAS é atribuído um financiamento de 100 mil euros, destinado a apoiar a estrutura e atividades complementares, a criação e a produção artística e o serviço educativo prestado nas escolas, ao Teatro Estúdio Fontenova 90 mil euros, destinado à estrutura, atividades complementares, criação e produção artística e à organização do Festival Internacional de Teatro de Setúbal – Festa do Teatro. A GATEM – Espelho Mágico, Cooperativa Cultural recebe um total de 15 mil euros, montante destinado a apoiar a produção de espetáculos de teatro e ações desenvolvidas na comunidade educativa.
Considera a companhia, que no ano passado completou 50 anos de existência, que “o teatro existe para questionar, refletir e promover o pensamento crítico”. “Definir o que é ou não ‘aceitável’ para o público com base em critérios morais subjetivos é um retrocesso que julgávamos ultrapassado.
Já não vivemos nos tempos da censura. Em democracia, o apoio público à cultura não deve ser um prémio por ‘bom comportamento’ ou conformidade ideológica, mas sim um investimento na diversidade e na identidade de uma região”.
Neste mesmo sentido a Comissão Política Concelhia do PS emitiu uma nota de repúdio onde “reafirma o seu veemente protesto e repúdio pela inqualificável posição tomada pelos vereadores da extremadireita e que, incompreensivelmente, da parte da presidente da autarquia e do movimento apoiado pelo PSD/CDS não mereceu qualquer reparo”, escrevem em informação enviada a O SETUBALENSE.
Dizem os socialistas que o sentido de voto é “um ataque frontal aos valores democráticos, que não pode ser apresentado como simples decisão política”. “Numa democracia a cultura não pode ser premiada ou punida em função da concordância ideológica ou alinhamento político de quem governa”.