Inês Maçarico foi a impulsionadora da ação que tem ponto de encontro em Setúbal e que vai durar toda a manhã
A quantidade de lixo encontrada no areal da península de Tróia foi o ponto de partida para que Inês Maçarico começasse a organizar uma iniciativa para a qual já estão confirmados quase 60 voluntários.
Este sábado mais de cinco dezenas de pessoas vão rumar àquela zona do concelho de Grândola para realizar uma limpeza num conjunto de praias. Num passeio ocasional pelo local a responsável pela página Amogli (nas redes sociais) partilhou com os seguidores o estado do areal.
A ação está marcada para este sábado, pelas 10h30, com o ponto de encontro na Doca de Recreio das Fontainhas. A viagem até Tróia, tanto ida como volta, é assegurada por três embarcações de três parceiros que se juntaram a Inês Maçarico para realizar a ação. São eles a Oceanum Liberandum, Brigada do Mar, Rotas do Sal, Longitude e Setúbal Alive. A iniciativa vai decorrer entre a Praia do Bico das Lulas e mais de metade da Praia da Galé.
“Foi completamente inesperado, não estava mesmo nada à espera. Na minha página da Amogli vou partilhando sempre algumas aventuras que vou fazendo e gravei aquela situação infeliz, só que ao invés de colocar apenas os ‘stories’ resolvi mesmo fazer uma publicação da desgraça que tinha visto na península de Troia. O vídeo tornou-se – para mim foi – meio que viral, porque nunca tinha tido aquela repercussão e alguém enviou à Oceanum Liberandum, eles disponibilizaram-se logo para fazermos alguma coisa relativamente a isso e não havia como recusar”, refere em declarações a O SETUBALENSE.
Estado do areal tornou-se viral mas redes sociais
Num primeiro vídeo publicado a 5 de janeiro na rede social TikTok a jovem surge em choro a mostrar a quantidade de lixo – e até animais – encontrados durante o passeio. Entre peixes já mortos, e até uma raia-tremelga também ela morta, o que Inês Maçarico mais filmou foram cordas, garrafões vazios e redes utilizadas na atividade da pesca. Por esta razão, publicou o vídeo como um pedido de ajuda.
“Retirei o lixo que pude e puxei para fora da linha da água o que consegui… e mesmo assim sinto que falhei”, escreve na descrição do vídeo.
Ao mesmo tempo espera que a publicação possa ser uma chamada de atenção para a importância de preservar a natureza, mais concretamente o mar. “Este vídeo é um pedido de ajuda e espero que possa ser uma chamada de realidade para o que andamos a fazer com o nosso bem mais precioso: o mar. Tudo o que vai, volta. E devido às condições pouco habituais do mar, estas marés trouxeram para terra o lixo que nós andamos a ser. Não andamos a cuidar, a preservar e a ajudar a nossa casa. Nem quem visita o mar e as praias, nem quem precisa do mar para garantir o seu sustento”.
Deixa então um apelo para que quem passe naquela zona possa recolher o lixo que encontrar. “Somos capazes de tanta coisa, menos de sermos melhores seres humanos, que para além de destruirmos recursos que necessitamos, destruímos o habitat de tantos outros que não têm culpa nenhuma. Não deixes nada por onde quer que passes. E se levares algo contigo, que seja o que infelizmente alguém deixou para trás. Dizem que somos animais racionais, quantas vezes duvido disso.
A par disso, existe um grupo de pessoas na rede social Whatsapp que conta com mais de 90 pessoas onde vão ser divulgadas novas ações.
“Isto é apenas o início de um percurso, espero que bonito, que possamos criar daqui para a frente, em que podemos marcar a diferença pela positiva e podermos ser um bocadinho melhor e deixar os sítios por onde passamos também melhores”.