Museólogo Fernando Pereira conduziu a conferência onde explicou a importância do espaço até ao ano de 2024
A evolução histórica do Convento de Jesus, desde a sua fundação no final do século XV até à atual configuração museológica, esteve em destaque numa palestra realizada na tarde do passado sábado no Museu de Setúbal/Convento de Jesus.
Subordinada ao tema “De Convento a Museu – Uma história do Convento de Jesus através dos seus espaços musealizados”, a sessão integrou o ciclo “Conversas no Museu” e foi conduzida por Fernando António Baptista Pereira, antigo conservador da instituição durante cerca de três décadas. A iniciativa contou ainda com a presença da presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira.
Na abertura, a autarca destacou a relevância histórica e patrimonial daquele que é considerado um dos mais importantes exemplares do estilo manuelino em Portugal. Recordou o processo de requalificação promovido pelo município, que permitiu travar a degradação progressiva do edifício, resolver problemas estruturais e devolver o monumento à fruição pública, com novas áreas expositivas e melhores condições de conservação.
A autarca sublinhou que um espaço com a “importância histórica” e simbólica do Convento de Jesus — onde foi ratificado o Tratado de Tordesilhas — não poderia ser deixado ao abandono. “Um local com esta história, onde foi ratificado o Tratado de Tordesilhas, não podia cair. Foi graças a Setúbal e aos setubalenses que a recuperação avançou e que, finalmente, em 2024 o museu reabriu totalmente requalificado”.
Na sua intervenção, Fernando António Baptista Pereira conduziu o público por uma viagem cronológica através das diferentes fases do edifício. A construção do convento teve início em 1490, na sequência de um voto de Justa Rodrigues Pereira, ama do rei D. Manuel I, com o objetivo de acolher freiras franciscanas da Ordem de Santa Clara.
“O monumento funcionou como convento até 1890, ano em que é entregue à Santa Casa da Misericórdia que nele instalou um hospital até 1959. Dois anos depois, a 5 de fevereiro de 1961, foi inaugurado o Museu de Setúbal”.
O museólogo salientou a significativa expansão do acervo ao longo das últimas décadas. Das cerca de 1600 peças inventariadas no início da década de 1980, o espólio passou para mais de seis mil obras, a que acresce o importante conjunto arqueológico. Este crescimento permitiu reforçar a dimensão artística e histórica da coleção, que contribui para contextualizar a história da arte a nível nacional e internacional.