9 Maio 2024, Quinta-feira

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Obstetra José Sacramento condenado por morte de bebé em Setúbal

Obstetra José Sacramento condenado por morte de bebé em Setúbal

Obstetra José Sacramento condenado por morte de bebé em Setúbal

Juíza desvalorizou alegações que acabou por considerar serem incoerentes e com inconsistências

 

O Tribunal de Setúbal condenou, esta quarta-feira, José Sacramento, antigo médico obstetra no hospital de Setúbal, a um ano e seis meses de pena suspensa, pela morte de uma bebé com 30 semanas cuja mãe, a ex-apresentadora Sara Santos, só foi alvo de cesariana quatro horas depois de dar entrada no hospital. Foi ainda condenado ao pagamento de 55 mil euros a título de indemnização. O magistrado deu ainda possibilidade de a pena ser substituída por uma contribuição de 4500 euros pelo médico a uma instituição de crianças.

A juíza Marina de Oliveira considerou que “não havia margem para incertezas de que devia ter sido feita uma cesariana de urgência imediata e transferência para outra unidade hospitalar”. O arguido optou por manter a grávida sob observação, esperar por análises, hidratar e realizar a maturação pulmonar do feto e só horas depois foi feita a cesariana, tendo o bebé acabado por morrer.

O caso remonta a 6 de Fevereiro de 2018 quando Sara Santos deu entrada na urgência de obstetrícia do Hospital de São Bernardo às 15h15 com tensão alta, náuseas e vómitos. A bebé, com 30 semanas de gestação, apresentava sinais não tranquilizadores na cardiotocografia (CTG), um exame para monitorizar os batimentos cardíacos. A mãe foi medicada para maturação pulmonar do feto, com vista a futura cesariana.

Perto das 17h45, o diagnóstico da bebé mostrou que continuava a existir uma desaceleração do ritmo cardíaco e aí foi decidido preparar a sala de parto para extracção da bebé, que aconteceu às 19h20. A menina morreu vítima de anoxia aguda – falta de oxigénio no sangue.

O tribunal setubalense apoiou-se nos testemunhos dos vários enfermeiros que acompanharam a grávida enquanto estava sob observação para concluir que houve negligência por parte do médico, “que foi alertado várias vezes para o estado da grávida e optou por continuar a medicação”, afirmou a juíza. “Não foi profissional, nem sensato. Estes comportamentos têm que ser fortemente repreendidos pela sociedade portuguesa”, avançou a juíza Marina de Oliveira.

Ficou provado que o arguido devia ter realizado uma cesariana de urgência e transferência da bebé e da grávida para um hospital com cuidados intensivos pré-natais – que o Hospital de Setúbal não tem – logo que a grávida deu entrada no hospital.

O acusado defendeu que tudo fez para salvar a mãe e que não se exigia uma cesariana, uma vez que a grávida não se encontrava em trabalho de parto e que havia sinais de que o bebé podia melhorar dentro do ventre materno. A juíza desvalorizou as alegações, que considerou serem incoerentes e com inconsistências, e criticou o arguido por “nunca, em momento algum no julgamento, ter mostrado arrependimento pela morte do bebé nem ter assumido que essa morte foi responsabilidade da sua conduta”.

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