Transação realizada pelo grupo industrial português Semapa já tinha sido anunciada em dezembro de 2025 mas só agora ficou totalmente concluída
A compra da Secil, que tem na zona do Outão uma das três unidades de produção no País, por parte da congénere espanhola Molins ficou concluída esta segunda-feira.
O negócio, realizado pelo grupo industrial português Semapa – Sociedade de Investimento e Gestão, SGPS, S.A., é um marco importante para a empresa congénere da empresa vizinha, como explica o CEO, Marcos Cela.
“Concluir esta operação representa um marco importante na estratégia de crescimento da Molins. A integração da Secil apoia a transformação da nossa empresa e contribui para a construção de uma organização mais eficiente, ao mesmo tempo que reforça a nossa presença internacional e escala industrial. Permite-nos também continuar a desenvolver soluções inovadoras e sustentáveis para os nossos clientes e reforça a nossa capacidade de competir a nível global. Gostaria ainda de dar as boas-vindas aos colaboradores da Secil na Molins”, lê-se em informação enviada a O SETUBALENSE.
O anúncio da venda já tinha sido feito em meados de dezembro do ano passado, com a promessa que o negócio se iria realizar nos primeiros meses do presente ano.
Nessa altura foi revelado que o negócio custaria 1,4 mil milhões de euros mas, segundo a nota à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Semapa, “concluiu nesta data a alienação da totalidade do capital social da sua participada” Secil – Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A. à Cementos Molins S.A.”, tendo recebido nesta data a contrapartida (‘equity value’) de 1.081 milhões de euros o que “corresponde à manutenção do ‘enterprise value’ anteriormente anunciado de 1,4 mil milhões de euros”.
Com a compra a Mollins reforça a presença na América Latina através da entrada no mercado brasileiro, ao mesmo tempo que “permite igualmente uma maior diversificação geográfica e reduz a exposição à volatilidade cambial”. Para a espanhola a operação “representa um aumento significativo de escala para a empresa”, que eleva a empresa a uma nova dimensão no setor.
A Secil, que vem continuamente reforçando a sua posição nos principais mercados mundiais e é uma referência na indústria, gerou receitas de 751 milhões de euros e um EBITDA de 195 milhões de euros em 2025.
A integração desta na Mollins reforça a plataforma industrial da espanhola e “amplia a sua presença em áreas-chave, incluindo cimento, betão e agregados, soluções para a construção, soluções pré-fabricadas e economia circular, diversificando ainda mais o perfil de negócio e a presença nos mercados”.
Em comum as empresas contam com o “forte compromisso com a sustentabilidade”. Enquanto a Secil integra a iniciativa Science Based Targets (SBTi), a Mollins aderiu recentemente ao projeto, graças ao seu plano de descarbonização.
A Secil é uma empresa produtora de cimentos portuguesa e é atualmente a segunda maior cimenteira de Portugal e a maior concorrente da Cimpor. Fundada em 1925, começou a produzir cimentos em 1904 com a Companhia de Cimentos de Portugal, foi nacionalizada em 1975 e posteriormente privatizada, no ano de 1994.
Além de na Maceira e em Cibra a empresa conta com uma fábrica no Outão, inaugurada em 1906, apesar de a Secil só ter começado a operar nesta zona na serra da Arrábida em 1918, ano em que comprou os terrenos e as instalações da fábrica existente e arrendou-os a outra empresa, a SECIL, Sociedade de Empreendimentos Comerciais e Industriais, Lda. Em 1930, e graças à necessidade de ampliar as instalações, foram feitas novas obras e foi então constituída a nova empresa SECIL- Companhia Geral de Cal e Cimento, SARL, com a entrada de sócios dinamarqueses, as empresas FL Smidth & Co. e a Hojgaard & Schultz A/S.
Mais recentemente, no ano de 1987, a empresa inaugurou o primeiro forno por via seca com uma capacidade de produção de 800 mil toneladas anuais. Já no mercado internacional, marca presença em Angola, na Tunísia, no Líbano, em Cabo Verde, na Holanda e no Brasil.