23 Maio 2024, Quinta-feira

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Murais sobre conflitos irlandeses motivam conversa sobre arte e democracia

Murais sobre conflitos irlandeses motivam conversa sobre arte e democracia

Murais sobre conflitos irlandeses motivam conversa sobre arte e democracia

Ciclo de conferências “Histórias que as paredes contam” encerrou esta terça- feira com a presença de Bill Rolston

 

Foi com chave d’ouro que se fechou o ciclo de conferências “Histórias que as paredes contam” onde o muralismo e a sua importância para a manutenção da democracia foi o tema mais debatido ao longo das cinco conversas com artistas de várias partes do mundo.

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Na última sessão da iniciativa, que decorreu na tarde desta terça-feira no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), esteve presente Bill Rolston, catedrático emérito irlandês da Universidade do Ulster e autor de várias obras sobre murais, uma das principais figuras da discussão “Dos Troubles ao Brexit – a expressão muralística na Irlanda do Norte”.

Fotógrafo de murais um pouco por todo o mundo, foram nestes registos fotográficos que Bill Rolston se apoiou para falar, por exemplo, sobre “grupos paramilitares mais proeminentes como a Ulster Volunteer Force, a Ulster Defense Association e a Ulster Freedom Fighters”, como explica a nota de Imprensa da autarquia, no dia em que se assinalaram 52 anos sobre o Domingo Sangrento em Derry, na Irlanda do Norte.

Sentados na mesa da discussão além do fotógrafo de murais estiveram ainda Luís Humberto Teixeira, mestre em Política Comparada pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), e, Helena de Sousa Freitas, autora da tese “Histórias que as Paredes Contam – O Muralismo como Forma de Comunicação Alternativa na Cidade
de Setúbal (1974-2014)”.

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Em declarações a O SETUBALENSE – em entrevista que o jornal publica na sua edição de aniversário – Bill Rolston revelou que tinha estado em Portugal em 1978, quatro anos depois da Revolução dos Cravos, e que prestou muita atenção aos murais pintados pelas ruas e vilas pelas quais passou, fenómeno que também o motivou a ficar “atento a cada esquina” e começar a fotografar murais.

Pedro Pina, vereador com o pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Setúbal, esteve presente na sessão e usou a palavra “maravilhoso” para descrever a pertinência desta que foi uma actividade que “dá muito sentido às comemorações dos 50 anos do 25 de Abril”. “Resistir é vencer. Por isso, independentemente de quaisquer divergências, quem acredita na Democracia e na Liberdade não pode deixar de estar unido”.

Antecipadamente à sessão, no domingo, o projecto organizou a pintura de um mural na Avenida Manuel Maria da Portela de seu nome “Uma Janela para um País Livre”. Com base numa obra do palestiniano Azhar Al Majed a iniciativa juntou 25 voluntários na sua produção, em trabalho que demorou um total de 10 horas a realizar. Tal como O SETUBALENSE já ontem tinha noticiado, o trabalho foi alvo de um acto de vandalismo, uma acção que o autarca criticou.

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“Nunca tivemos um aniversário da democracia portuguesa tão atribulado em que a defesa da Liberdade fosse tão premente. Alguém teve a capacidade de o destruir, sobretudo a liberdade de quem fez esse mural, que não colocou em causa a liberdade de ninguém”.

Tal como Helena de Sousa Freitas, que reflecte que “destruir é fácil, como vemos nos cenários de conflito pelo mundo fora, sendo de lamentar que, quando o país celebra meio século de Democracia, continue a haver quem se mostre tão incapaz de conviver com as diferenças de opinião”.

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