14 Junho 2024, Sexta-feira

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Mãe de jovem assassinado em Brejos do Assa quer nova autópsia ao cadáver

Mãe de jovem assassinado em Brejos do Assa quer nova autópsia ao cadáver

Mãe de jovem assassinado em Brejos do Assa quer nova autópsia ao cadáver

Julgamento estava marcado para esta segunda-feira mas foi adiado devido à greve dos funcionários judiciais

 

A mãe do adolescente Lucas Miranda, assassinado junto ao Centro Jovem Tabor, em Setúbal, a 15 de Outubro de 2020, pede uma nova autópsia ao cadáver alegando que a causa da morte não foi correctamente determinada pela primeira perícia médico-legal.

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Entre o despacho de acusação do Ministério Público (MP), a que O SETUBALENSE teve acesso e a acusação pela assistente, Jéssica Casinha Nova, mãe adoptiva do adolescente, há um diferendo sobre a causa da morte.

O Ministério Público conclui que a morte de Lucas Miranda foi provocada por “asfixia mecânica” através de um golpe “mata-leão” aplicado por Leandro Vultos. Tese que a mãe não aceita. Na acusação de Jéssica Casinha lê-se que, depois de o jovem ter ficado inconsciente, devido ao “mata-leão”, num “acto continuo, os arguidos agrediram violentamente o crânio de Lucas Miranda, com socos, com paus e com outros objectos contundentes, tirando-lhe desse modo, a vida.

Neste ponto particular, as duas acusações divergem, sendo que a do MP tem uma redacção dúbia: “O decesso de Lucas Miranda deveu-se a asfixia mecânica, com aplicação de forma por um mecanismo contundente”. Noutra passagem da acusação do Ministério Público é referido que “já depois de Lucas Miranda estar inconsciente, o arguido Leandro continuou a fazer força, apertando-lhe o pescoço, assegurando-se deste modo que aquele se encontrava efectivamente morto”.

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Numa conclusão diferente, a acusação da assistente afirma que “Lucas Miranda faleceu por lesões traumáticas cranianas”.

A mãe adoptiva do adolescente entende que existe “incongruência” entre a análise, os fundamentos dos relatórios da autópsia médico-legal e as conclusões que servem de prova à acusação do MP, pelo que requer uma nova autópsia.

No final da sua acusação, a assistente requer “a realização de uma nova perícia a ser realizada pelos mesmos peritos e na presença de um consultor técnico” indicado por si.

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No resto, as duas acusações são muito idênticas. Tanto o MP como a assistente acusam os dois arguidos principais, Leandro Vultos e Ricardo Cochicho do homicídio qualificado e de profanação do cadáver. Para os acusadores, os dois jovens, hoje com 19 e 18 anos, “aproveitaram-se” do estado emocional da vitima, que repetiu várias vezes, nos dias anteriores, que “estava farto”, que “queria morrer” e que “só não se suicidava por falta de coragem”.

O arguido Leandro Vultos é acusado pelo MP da autoria material do homicídio e também dos crimes de ameaça agravada sobre duas funcionárias do Centro Jovem Tabor, a quem terá ameaçado de morte, de dois crimes de maus-tratos a dois cães da instituição e de dois crimes de ofensas à integridade física de um outro jovem institucionalizado, que os arguidos entendiam ter sido o denunciante da sua participação no homicídio.

O arguido Ricardo Cochicho é acusado como cúmplice do homicídio e de profanação de cadáver.

Há um terceiro arguido neste caso, acusado de crimes de ofensa à integridade física e de ameaças ao outro adolescente do Centro Jovem Tabor que era visto como o denunciante.

A primeira sessão do julgamento, por um colectivo de juízes e com júri, estava marcada para a manhã desta segunda-feira, mas foi adiada devido á greve dos funcionários judiciais. A nova data ainda vai ser marcada.

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