26 Junho 2024, Quarta-feira

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Luís Maurício alega quebra de lealdade e demite-se da distrital de Setúbal do Chega

Luís Maurício alega quebra de lealdade e demite-se da distrital de Setúbal do Chega

Luís Maurício alega quebra de lealdade e demite-se da distrital de Setúbal do Chega

Luís Maurício (CHEGA)

Vai manter-se na Assembleia Municipal e como militante base do partido. Bruno Nunes, deputado parlamentar eleito por Setúbal, lamenta decisão

Luís Maurício vai apresentar nos próximos dias – e não na próxima segunda-feira, como anunciou na página que administra no Facebook – a demissão da presidência da Comissão Política Distrital de Setúbal do Chega e deixará de ser conselheiro nacional do partido.

A decisão está tomada e é irreversível. “Saio pelo meu próprio pé. Já não tem volta atrás”, disse Luís Maurício a O SETUBALENSE, ao mesmo tempo que confirmou que continuará a ser militante base do partido e a desempenhar a função de deputado pelo Chega na Assembleia Municipal de Setúbal.

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“Esta decisão surge após uma quebra de confiança e lealdade. Podem apontar-me muitos erros, pois não sou perfeito, o que não podem é pôr em causa a minha lealdade e compromisso com o presidente do partido, inclusive fui várias vezes acusado de ser demasiado leal ao mesmo”, escreveu o ainda líder da distrital, que deixa transparecer a existência de algumas divergências no seio do órgão.

“Não é uma mentira repetida muitas vezes que a torna verdade e irei defender o meu bom nome até às últimas instâncias. Continuarei apenas como militante base, o que me permitirá uma maior liberdade para intervir junto daqueles que, de uma forma cobarde, contribuíram para este desfecho”, pode ler-se na publicação, através da qual anunciou que apresentaria a demissão da presidência da distrital “com efeitos imediatos” na próxima segunda-feira. O pedido só será, no entanto, formalizado “nos próximos dias ou próximas semanas”, corrigiu em declarações a O SETUBALENSE, depois de admitir já ter falado com André Ventura, presidente do Chega. “Falámos, obviamente. É uma posição minha e estamos a resolver as coisas. Mas neste momento não vou adiantar mais nada. Vou ser sempre um dos verdadeiros fundadores do partido.”

Bruno Nunes: “A distrital tinha de ir a eleições”

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Para Bruno Nunes, deputado à Assembleia da República eleito pelo círculo de Setúbal e coordenador nacional autárquico do Chega, “ninguém pode colocar em causa a dedicação de Luís Maurício ao partido”. Bruno Nunes não deixa de lamentar a decisão tomada por Luís Maurício, mas considera que este “é um não caso”.

“O Luís Maurício sabia que a distrital teria de marcar eleições e terá sentido que não tinha condições para avançar, para se recandidatar. Terá sentido uma quebra de lealdade e sente-se também cansado, depois de muitas batalhas em que esteve envolvido. Decidiu demitir-se, acelerando o processo das eleições para a distrital”. Isto, porque o órgão foi eleito para um mandato de dois anos e já lá vão cerca de três. “A distrital estava em gestão. Não podia tomar decisões deliberativas, que vinculem o partido. Assim [com a demissão], Luís Maurício forçou a renovação da comissão política”, adianta, para esclarecer de seguida que agora “a direcção nacional ou nomeia uma comissão de gestão ou convoca eleições para a distrital de Setúbal”.

O parlamentar espera que o órgão “retome o seu caminho o mais rápido possível, com uma estrutura sólida, através de um processo pacífico e que não se debatam pessoas mas sim ideias”.

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Certo é que estará à margem de um futuro sufrágio interno. “Não me vou envolver em nenhuma eleição para a distrital. Não sei quando vão ser convocadas eleições, mas não serei candidato nem apoiarei nenhuma lista, porque [como deputado] no dia seguinte tenho a obrigação de trabalhar com o presidente que for eleito”, afirma.

A concluir, Bruno Nunes reconhece que Luís Maurício tem sido determinante na acção do Chega na região. “Teve um papel importantíssimo no partido e na minha eleição. Teve um trabalho enorme com as concelhias. Espero que continue a trabalhar em prol do partido.”

Luís Maurício sai da distrital, mas não abandona o Chega, ao contrário de vários eleitos nas últimas autárquicas que renunciaram ao partido. Os casos mais sonantes foram os de Ivo Pedaço, vereador na Moita, que se desfiliou do partido, e de Henrique Freire e Márcio Souza, vereadores nas autarquias de Seixal e Sesimbra, respectivamente, que também saíram — Márcio Souza abdicou do partido para assumir o pelouro da Protecção Civil no executivo CDU de Sesimbra; e Henrique Freire viabilizou o Orçamento Municipal no Seixal, também de gestão CDU.

O Chega acabou assim por ficar sem qualquer vereador no Distrito de Setúbal. As dissidências foram mal digeridas internamente e este terá sido até um dos pontos geradores de clivagens entre alguns elementos do partido e Luís Maurício, que foi responsabilizado pelas escolhas daquele trio de candidatos.  

O balanço do 18

Na mensagem que publicou no Facebook, Luís Maurício intitula-se “o 18”, “um dos verdadeiros fundadores do partido, conselheiro nacional desde o primeiro congresso, sempre um dos subscritores das candidaturas do presidente do partido, e presidente da primeira comissão política distrital do País” do Chega.

Em jeito de balanço, o ainda responsável pela distrital lembra algumas das acções que desenvolveu pelo partido, para explicar quem é o 18 na estrutura do Chega. “[Foi] candidato às primeiras eleições legislativas pelo círculo de Setúbal, organizou e pôs na rua campanhas em todos os concelhos do distrito para as eleições desde o início, [foi o] criador da primeira página oficial do Chega (Barreiro), organizador do primeiro jantar nacional do Chega (Barreiro); organizou a candidatura a todos os concelhos nas eleições autárquicas; [e] elegeu um deputado com um mês intenso de campanha”, enunciou.

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