Lisnave confiante na continuidade nos estaleiros da Mitrena após nova concessão em 2027

Lisnave confiante na continuidade nos estaleiros da Mitrena após nova concessão em 2027

Lisnave confiante na continuidade nos estaleiros da Mitrena após nova concessão em 2027

Administrador-delegado Nuno Santos, sublinha que atual concessão limita a atividade da reparação, manutenção e modernização de navios

O administrador-delegado da Lisnave, Nuno Santos, manifestou confiança na continuidade da empresa nos estaleiros da Mitrena, após o concurso público internacional para nova concessão em 2027, defendendo o alargamento da atividade à construção e reciclagem naval.

– PUB –

“A Lisnave tem passado e tem projetos para o futuro. Nós temos ideias sobre o desenvolvimento daquele estaleiro e sobre o que pode ser ali feito, mas que hoje não pode ser, porque o contrato atual de concessão não nos permite”, afirmou o responsável da empresa de reparação naval.

Nuno Santos falava no final de uma sessão promovida pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), sobre o futuro dos estaleiros da Mitrena, competitividade do setor e oportunidades associadas às novas estratégias, portuguesa e europeia, para a indústria naval.

“Acho que temos todas as condições para fazermos parte da solução na futura concessão da Lisnave”, acrescentou o responsável, convicto de que o historial económico, financeiro, técnico e comercial da empresa e os projetos de desenvolvimento que pretende concretizar constituem uma vantagem para a continuidade da Lisnave.

– PUB –

Nuno Santos lembrou que a atual concessão limita a atividade à reparação, manutenção e modernização de navios, adiantando que a empresa pretende alargar a intervenção à construção e reciclagem naval, “completando o ciclo de vida das embarcações, bem como à produção de equipamentos marítimos e estruturas de grandes dimensões que necessitem de ser construídas junto à água”.

Questionado sobre a possibilidade de trabalhar para a indústria militar, Nuno Santos confirmou a disponibilidade da Lisnave para esse mercado, recordando que a “estratégia europeia considera os estaleiros navais ativos estratégicos de dupla utilização, civil e militar, o que poderá justificar restrições à participação de empresas de países que não integram a NATO” na futura concessão.

Por outro lado, o responsável alertou para as dificuldades de competitividade da reciclagem naval europeia perante países asiáticos, como o Bangladesh, a Índia e o Paquistão, onde, segundo afirmou, as exigências ambientais e de segurança são menos rigorosas, mas disse estar confiante no desenvolvimento da reciclagem naval na Europa, destacando o potencial de recuperação do aço dos navios em fim de vida.

– PUB –

Sobre os resultados da Lisnave previstos para 2026, Nuno Santos admitiu que deverão ficar aquém das expectativas, devido à instabilidade geopolítica internacional e às tempestades registadas nos primeiros meses do ano, que condicionaram as operações nos estaleiros.

“Tivemos menor atividade no primeiro semestre do ano. E as condições meteorológicas impediram a realização de manobras náuticas, dificultando a entrada e saída de navios das docas e provocando atrasos sucessivos nas operações de reparação”, justificou.

O presidente da APSS, Vítor Caldeirinha, também em declarações aos jornalistas, defendeu a diversificação da atividade dos estaleiros da Mitrena, apontando para a “construção de embarcações civis e militares, navios não tripulados, plataformas flutuantes para energia eólica offshore, modernização de navios e desmantelamento naval”.

Vítor Caldeirinha lembrou que estas atividades estão previstas na estratégia nacional Portos 5+, que prevê um novo ciclo de investimento, crescimento e competitividade no setor portuário, e mostrou-se confiante de que os estaleiros da Mitrena, com os investimentos previstos na futura concessão, terão condições para acolher estas atividades e promover um crescimento significativo do emprego.

“Esperamos que, direta e indiretamente, os postos de trabalho cresçam bastante, pelo menos que dupliquem”, afirmou.

Relativamente ao concurso internacional para a concessão dos estaleiros da Mitrena, previsto para o segundo trimestre de 2027, Vítor Caldeirinha disse que a APSS está na fase de adjudicação dos estudos necessários à preparação das peças técnicas e do caderno de encargos, adiantando que já há manifestações de interesse de várias empresas.

Partilhe esta notícia
- PUB -

Notícias Relacionadas

- PUB -
- PUB -

Apoie O SETUBALENSE e o Jornalismo rumo a um futuro mais sustentado

Assine o jornal ou compre conteúdos avulsos. Oferecemos os seus primeiros 3 euros para gastar!

Quer receber aviso de novas notícias? Sim Não