Plataforma de imagiologia médica, com recurso a Inteligência Artificial, está a ser desenvolvida em parceria com o Instituto CCG/ZGDV
PRIMED dá nome ao projeto inovador que o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) está a desenvolver em parceria com o Instituto CCD/ZGDV (Centro de Computação Gráfica) para permitir diagnosticar mais rapidamente e com maior precisão o cancro.
Segundo o IPS, trata-se de uma “nova plataforma de imagiologia médica de precisão”, que promete vir a “facilitar a deteção e o diagnóstico de doenças crónicas não transmissíveis, como o cancro da mama e do pulmão”.
Em desenvolvimento no Laboratório de Processamento de Imagem Médica, que se encontra a funcionar no IPS desde julho último, o projeto “recorre a inteligência artificial (IA) e a grandes volumes de dados clínicos e médicos (casos de pacientes) para apoiar os profissionais de saúde na tomada de decisões mais informadas, rápidas e seguras”.
E conta ainda com “dois importantes parceiros da região, as Unidades Locais de Saúde da Arrábida e de Almada-Seixal, onde se prevê que sejam feitos testes em ambiente clínico real”, para avaliação do “impacto concreto da tecnologia na prática médica”, sublinha o IPS, em comunicado.
O projeto, explica o politécnico, “parte da evidência científica de que a combinação de dados clínicos, exames de imagem e informação biológica pode melhorar significativamente o diagnóstico e o prognóstico do cancro”. E o projeto tem acautelada “a proteção dos dados pessoais de saúde dos pacientes e exigências legais e éticas associadas”, aponta o politécnico.
“Com uma abordagem inovadora, baseada na combinação de técnicas de visão por computador e IA, o PRIMED permite assegurar a conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) e com os princípios éticos fundamentais.”
Face à conjugação de todos estes fatores, o projeto “contribuirá para uma nova geração de diagnósticos mais rápidos e mais precisos, colocando a inovação ao serviço da saúde pública e da qualidade de vida das pessoas”, salienta no mesmo comunicado Miguel Angel Guevara López, coordenador do polo CCG-IPS, onde o PRIMED está a ser desenvolvido.
“Um dos grandes objetivos do PRIMED é precisamente criar confiança: confiança dos profissionais de saúde nas ferramentas digitais e confiança dos cidadãos de que os seus dados estão protegidos e a ser usados para melhorar cuidados de saúde”, adianta o responsável, a propósito do impacto significativo que é também esperado que o projeto venha a ter na redução do sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários.
O polo CCG no IPS é o primeiro em território nacional da reputada unidade de investigação e visa impulsionar projetos em áreas como visão por computador, IA e ciência de dados, como é o caso do PRIMED, que é financiado pelo Programa Lisboa 2030.