Candidato presidencial defende que “não é um taticista” no plano político e considera que ‘tracking pool’ tem “pouca validade”
O candidato presidencial Gouveia e Melo defendeu em Setúbal que “não é um taticista” no plano político, mas sim que define um rumo. Em visita ao Mercado do Livramento, esta terça-feira, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a insurgir-se contra o ‘tracking pool’ recentemente divulgado, “relativizando” esse instrumento.
“O tal ‘tracking pool’ tem pouca validade, porque é uma média a três ou quatro dias, que muda sempre as pessoas que estão a ser entrevistadas. Relativizo esse instrumento, porque não me parece um instrumento rigoroso”, afirmou.
No entender de Gouveia e Melo, a divulgação diária desse barómetro “pouco rigoroso” poderá estar a influenciar o comportamento dos eleitores. “Esse instrumento é sujeito a interpretações políticas, que não me parecem adequadas neste período da campanha. A forma como se fazem as amostras neste período de campanha deve ser muito cuidadosa, porque pode influenciar a decisão eleitoral”, apontou em declarações aos jornalistas.
Para o almirante, este tipo de estudos de opinião pode mesmo “tornar-se um instrumento político e não de informação”.
Em declarações ao jornalistas o candidato considerou também que o comportamento político do adversário Cotrim Figueiredo revela instabilidade. Foi ao lado de Fernando Negrão, mandatário distrital, que o ex-chefe do Estado-Maior da Armada foi questionado sobre o facto de o seu adversário Cotrim Figueiredo não ter excluído um apoio a André Ventura, caso fique de fora da segunda volta das eleições presidenciais.
Na sua resposta, Gouveia e Melo considerou que o eurodeputado liberal e seu adversário na corrida a Belém “disse depois que se enganou”, corrigindo a posição que antes sustentava sobre um eventual apoio ao líder do Chega.
“Já tinha acontecido isso antes [com Cotrim Figueiredo]. Fez aquela proposta sobre o veto absoluto na Presidência da República e a seguir retirou-a. Tudo isto revela instabilidade política. É preciso ter muito cuidado com as palavras”, advertiu Gouveia e Melo.
Ainda sobre o facto de Cotrim Figueiredo não ter excluído apoiar o líder do Chega numa segunda volta das eleições presidenciais, o almirante classificou como estranha essa eventual opção por parte do antigo líder liberal.
“Achei estranho que um candidato do campo moderado tivesse admitido manifestar esse apoio, mas ele lá saberá o que pensa e naquilo que acredita. Pode ser que acredite que, fazendo essa coligação, poderá ter vantagens”, admitiu Gouveia e Melo.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026. Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 8 de fevereiro entre os dois mais votados.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (apoiada pelo BE), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela IL), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira. Com Lusa