Municípios dizem estar unidos nesta matéria. Frederico Rosa quer união para diminuir preço da fatura da água
A resiliência hídrica da Península de Setúbal esteve em foco esta quinta-feira, numa manhã em que foi apresentado um estudo com este mesmo nome. O Cinema Charlot teve casa cheia com responsáveis de várias entidades, algumas das quais contribuíram para o estudo.
Para Frederico Rosa, presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM PS), a temática da água é um assunto transversal a todos. “Temos que nos ligar, não podemos cada município fazer as coisas por si”, adiantou.
O também presidente da Câmara Municipal do Barreiro falou sobre a construção da nova ponte Barreiro-Chelas, desejando que a infraestrutura possa não só ajudar com serviços e mercadorias, mas também a “ligar as pessoas”. “Este é o momento de prever o futuro. O futuro é um comboio em andamento numa linha que é certa e que nos vai atingir”.
O responsável acentuou que “a articulação” entre os municípios da península “tem de ser plena”, e garantiu que, todos juntos, “vamos sim conseguir baixar o valor da fatura da água”.
“Este é o dia, o momento e o estudo certo para começarmos não a inverter caminho, mas começar a operacionalizar o caminho que nos vai levar a mais eficiência e resiliência”, referiu ainda.
António Carmona Rodrigues referiu que Setúbal está inserida numa “região que tem vindo a ser alvo de grandes desafios, desenvolvimentos e dinâmicas – que também se sucede noutros locais do País -, zonas em que temos de ter a responsabilidade para fazer face a situações climatéricas que sabemos que, hoje, já não têm o mesmo comportamento estatístico”.
O presidente do Grupo Águas de Portugal focou-se na prevenção, “cautela”, e desenvolvimento como chaves para que o País esteja preparado “para situações mais complexas e para que, em último caso, não nos falte a água”. Vincou também a necessidade de preparação para períodos com mais ou menos água para abastecimento urbano, agricultura, conservação dos ecossistemas e produção de energia.
Explicou ainda que o dia 1 de outubro marca o primeiro dia do ano hidrográfico. “Temos de incorporar alguma incerteza, mas uma certeza temos: os padrões são diferentes do que tínhamos no passado – graças às alterações climáticas”.
Rodrigo Proença de Oliveira, da Bluefocus, foi responsável por apresentar o diagnóstico “Avaliação da disponibilidade hídrica e da escassez hídrica na Península de Setúbal e Litoral Norte do Alentejo”, onde o principal foco foi o aquífero que alimenta a região.
No encerramento da sessão, Maria do Carmo Tiago, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, destacou a importância de as entidades se articularem no aprofundamento do esforço de garantir um equilíbrio entre a proteção da água e as necessidades de desenvolvimento do território. “As alterações climáticas, a evolução demográfica, a pressão das atividades económicas e a crescente procura de água obrigam-nos a antecipar problemas, em vez de nos limitarmos a responder quando eles surgem”.
Documento faz balanço hídrico atual e futuro
Francisco Narciso, do Grupo Águas de Portugal, esteve encarregue de apresentar o estudo em que parte das conclusões foram retiradas de vários encontros promovidos com diversas entidades da região.
Os objetivos do estudo passam por “consolidar o conhecimento para estabilizar o balanço hídrico atual e futuro”, “definir cenários estratégicos de gestão de água” e “promover a diversificação de origens”, tudo isto através de uma abordagem integrada e colaborativa entre a Bluefocus, a AdP VALOR e a AdP.
Neste, a região é descrita como um território que está em fase de “forte transformação” graças à expansão “industrial, urbana, turística e logística”, sendo ainda considerados os vários projetos estruturantes que se vão instalar, como o Aeroporto Luís de Camões, em Alcochete, a modernização ferroviária do acesso ao Porto de Setúbal, a Terceira Travessia do Tejo e a expansão do Metro Sul do Tejo até Alcochete.
No documento, assinado pelo Grupo Águas de Portugal, estão discriminadas as disponibilidades e usos consumptivos na região, sendo que a agricultura é, neste momento, o setor que mais necessita de abastecimento (77 hm³) – cenário em ano seco sem restrições – seguindo-se o urbano (75 hm³), indústria (49 hm³), pecuária e golfe (1 hm³ cada um).
Faz-se ainda um balanço hídrico futuro para 2045 onde a rega e a pecuária ocupam grande parte do espaço (78hm³), segue-se o abastecimento urbano (72 hm³), a indústria (51 hm³) e, por fim, o golfe (1 hm³).
“A segurança hídrica da Península de Setúbal está hoje fortemente dependente da recarga dos aquíferos e da gestão sustentável das captações subterrâneas”, lê-se ainda.