Numa altura em que o partido comemora 105 a organização regional reflete sobre os problemas da saúde e mobilidade na região
A Organização Regional de Setúbal do PCP (DORS-PCP) considera que o anúncio, por parte da ministra da Saúde, do encerramento da urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital do Barreiro é “cobarde” e que há soluções que podem ser implementadas para colmatar o problema.
O responsável pela organização entende que, além de uma das soluções passar pela construção do Hospital do Seixal, é necessário dotar o Litoral Alentejano de mais respostas. “É preciso assegurar no Hospital do Litoral Alentejano as valências que lhe faltam, e uma maternidade é indispensável. É preciso garantir que o hospital tenha as condições, os meios e os trabalhadores para servir aquelas populações – é preciso construir o hospital no Seixal, é preciso recuperar as valências no Hospital de Montijo, é preciso assegurar que o Hospital de Setúbal, o do Barreiro e o de Almada, tenham os meios necessários”, explica João Frazão em declarações a O SETUBALENSE.
Ciente de que todas estas propostas têm elevados custos entende que “reforçar os cuidados primários não tem que significar necessariamente um saldo, um custo negativo, porque ao reforçarmos os cuidados primários vamos evitar custos que são muito mais elevados depois nos hospitais, no tratamento”, concluindo que “apostar na prevenção é uma medida de poupança, não de gasto”. O Governo tem de investir na saúde da região porque o distrito “está a aumentar e aumentou nos últimos anos em muita população residente”.
Ao falar sobre a concentração convocada pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos (CUSP) do Barreiro – elogiando o papel desta na luta pelas populações – que se realizou a 1 de março na entrada da unidade de saúde barreirense, critica o presidente daquela câmara municipal, Frederico Rosa.
“Onde é que estaria o presidente da Câmara do Barreiro se as populações que desvalorizou – aliás, nunca quis reconhecer o papel da CUSP e até em reuniões da câmara e da assembleia municipal – no passado domingo teria tido possibilidade de participar naquela grande ação de massas? [Ação] onde esteve a nossa presidente do Grupo Parlamentar do PCP, Paula Santos, que contestou esta decisão”.
Comunistas querem serviços da Fertagus e da CP integrados
O responsável pela organização regional entende que, na península, há um problema de mobilidade e o comboio da ponte é um dos meios de transporte onde isso tem sido mais notório. Além deste destaca a travessia do Tejo, através da Transtejo/Soflusa e, ainda, a insuficiência de carreiras da Carris Metropolitana.
“Na Fertagus temos uma situação de caos, supressões diárias de comboios, atrasos sucessivos, sobrelotação dos comboios a níveis intoleráveis, pessoas que têm que deixar passar um, dois ou três comboios para conseguir entrar nos comboios, condições de viagem inaceitáveis e, portanto, colocamos a questão de como é que se soluciona. a região hoje tem uma densidade proporcional que exige outro tipo de meios, outra dimensão de meios. A medida foi positiva [de existir comboios de 20 em 20 minutos], claro, mas não chega”.
Na passada sexta-feira a estação do Pragal foi palco de uma concentração de utentes utilizadores deste meio de transporte, dia em que foi entregue na Assembleia da República um projeto de resolução com vista à melhoria do serviço, com a recomendação de que “o Governo inicie o processo de integração da Fertagus na CP” para que haja interligação com outros meios de transporte. Em simultâneo e ainda neste sentido, refere, foi entregue ao Parlamento uma petição pública – com mais de nove mil assinaturas.
Além de falar na Terceira Travessia do Tejo, já anunciada pela Administração Central, entende que devem ser encontradas soluções quanto à travessia marítima. “Os navios elétricos são uma anodota. Primeiro não tinham baterias, depois as baterias eram alimentadas com um gerador a gasóleo, foram comprados para valorizar o ambiente, e agora confirmamos que estes navios não foram concebidos e projetados para funcionar num rio como o Tejo, que tem correntes, eventos específicos e com características particularmente difíceis, nem para aguentar a constante atracação e desatracação”.
SÁBADO | PCP comemora 105 anos com iniciativas
O PCP completa, por esta altura, 105 anos e ao longo das próximas semanas estão agendadas várias iniciativas das quais se destaca um almoço com o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, no próximo sábado, no concelho do Seixal. O aniversário é comemorado sob o lema “Projeto, Confiança e Luta”, explica João Frazão.
“Este lema tem a ver com a situação em que estamos no país e no mundo, muito exigente, muito difícil, com o desenvolvimento da guerra, com as dificuldades muito significativas no plano dos trabalhadores portugueses. Assumimos um momento em que o projeto do PCP é ainda mais necessário nesta fase. Face às dificuldades que os trabalhadores e o povo sentem, o projeto do PCP é ainda mais necessário, é ainda mais atual”.