Câmara municipal aprova orçamento de 287 milhões de euros para 2026

Câmara municipal aprova orçamento de 287 milhões de euros para 2026

Câmara municipal aprova orçamento de 287 milhões de euros para 2026

Documento, aprovado com abstenção do PS e Chega e voto contra da CDU, segue agora para deliberação da assembleia municipal

A Câmara Municipal de Setúbal aprovou, na passada sexta-feira, o Orçamento Municipal para 2026 que ascende a 287 milhões de euros. A proposta acabou por ser aprovada com os votos favoráveis do movimento independente Setúbal de Volta (SET-V), abstenções do PS e Chega, e o voto desfavorável da CDU.

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O documento é uma redução de mais de 50 milhões de euros face ao orçamento apresentado no ano passado pela gestão CDU – que acabou por ser chumbado pelo PS e PSD.

O valor apresentado, segundo o documento, é equilibrado entre a Despesa Corrente e Despesa de Capital sendo que a primeira representa 47,28% do valor e a segunda 52,72%. “As Despesas Correntes totalizam 135.724,278€, refletindo uma estrutura dominada por encargos de natureza estrutural e recorrente. Destacam-se, neste âmbito, as Despesas com Pessoal, no montante de 58.046,316€”.

Quanto às Despesas de Capital estas totalizam 151.340,920 €, sendo maioritariamente constituídas pela Aquisição de Bens de Capital, que ascende a 132.604,270 €, representando 46,19% da despesa total.

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Já as transferências do Fundo de Financiamento da Descentralização totalizam 12.929,224 €, “assegurando o financiamento das competências assumidas pelo município nos domínios da educação e da ação social”.

“Uma grande prioridade é a habitação, acompanhada da requalificação das escolas, equipamentos públicos, culturais e desportivos. E, claro, valorização do espaço público com a requalificação de espaços verdes e pavimentos, e a limpeza através de uma melhor gestão dos recursos por parte das freguesias e da rentabilização dos recursos dos serviços municipalizados – por exemplo novas viaturas de limpeza”, referiu a Câmara de Setúbal numa informação enviada a O SETUBALENSE antes da votação de sexta-feira.

A autarquia dá exemplos disto, um deles com o arranque da empreitada de requalificação da Escola Secundária du Bocage – cuja abertura do concurso público foi aprovada durante a sessão do município – a USF da Bela Vista, cuja empreitada está já em curso e, ainda, a reabilitação do parque de habitação pública.

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Durante a discussão do ponto, o vereador Nuno Costa (CDU), considerou que este é um orçamento que não tem em conta os passivos financeiros e, portanto, vem agravar uma situação que é já “complexa”. “É um orçamento que agrava a questão dos passivos financeiros em 17,5 M€ e, portanto, se é uma situação tão complexa, vamos agravá-la”.

Joel Marques (PS) antecipou a decisão de a bancada se abster da votação porque, tal como tinham explicado na conferência de Imprensa do dia anterior, o documento acautela três fatores que consideram fundamentais. “Foram garantidas três questões fundamentais. que preservamos – o não aumento do Imposto Municipal Sobre Imóveis [IMI] Familiar, o apoio ao passe navegante municipal e aquilo que são também os apoios sociais. Dito isto, aquilo que dizemos é que, efetivamente, ainda estamos, apesar de se notar um esforço na diminuição da despesa corrente, longe. Parece- -nos que este ano ainda será difícil atingirmos 85% da execução das receitas”.

Além de referir que a Praça de Touros Carlos Relvas e o IMAPark não constam do orçamento aproveitou para questionar o executivo do movimento Setúbal de Volta sobre os dividendos da Simarsul. “Avaliámos o documento e há algumas questões que estranhamos. Não vimos nas Grandes Opções do Plano [GOP] a recuperação da Praça Carlos Relvas, também não vimos rubrica aberta para uma intervenção no IMAPark, também não vimos, e estranhamos, nenhuma rubrica para a recolha dos dividendos da Simarsul, é uma receita que o município deveria receber este ano”.

Em resposta a esta última questão, a presidente Maria das Dores Meira referiu que os pagamentos, se não forem feitos, terão de ser resolvidos por via judicial. Já quanto às duas infraestruturas mencionadas pelo socialista diz que o executivo em funções está a avaliar o estado do edificado.

Criação da Polícia Municipal vai avançar

Com os votos favoráveis de todas as bancadas, à exceção da CDU, foi aprovada a deliberação para começar um estudo prévio para a criação da polícia municipal.

Durante a apresentação do ponto, o vereador Paulo Maia (SET-V) referiu que este será “um serviço de polícia municipal administrativa, dependente da presidente de câmara, circunscrita à fiscalização municipal, execução de decisões administrativas, regulação do trânsito, à proteção do espaço público e ao policiamento de proximidade”.

Disse ainda que esta polícia não poderá substituir o efetivo da GNR, PSP ou Polícia Marítima, “mas sim [ser] uma força complementar”.

Fernando José (PS) entende que a criação desta polícia não deve significar desinvestimento nos Bombeiros Sapadores de Setúbal, situação que o vereador com o pelouro da Proteção Civil diz estar acautelada. Já Nuno Costa (CDU) mostra-se preocupado com o gasto anual na polícia municipal – que diz que será acima de um milhão de euros -, considera ainda que deve ser feita ‘pressão’ junto dos ministérios para reforçar o número de efetivos da GNR e PSP. Sobre este assunto diz a presidente que, por várias vezes, a autarquia já foi ao Ministério da Administração Interna pedir mais agentes, mas que vai continuar a levar esse problema ao MAI.

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