Intervenção depende da supressão da linha de comboio e da remoção do viaduto existente. Dores Meira já apresentou projeto ao Governo
A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, revelou que o município está a estudar a implementação de um sistema de metrobus como alternativa ao atual troço ferroviário que atravessa o centro da cidade até à zona da Cachofarra, numa intervenção que depende da supressão da linha de comboio e da remoção do viaduto existente.
Segundo a autarca, em entrevista ao site ECO, o metrobus deverá iniciar-se no Quebedo e estender-se até ao Faralhão, passando pelas Praias do Sado, criando novas opções de mobilidade para aquela zona do concelho. “Temos uma estrutura que queríamos implementar e colocar isso também no passo navegante, o metrobus. Está a ser estudado até ao Faralhão”, afirmou.
Nesta conversa Dores Meira explica que a retirada do troço ferroviário é apontada como condição prévia para a concretização do projeto. “Primeiro temos de tirar aquele troço e o viaduto. Já estamos a fazer estudos, pode demorar um ou dois anos”, esclareceu, sublinhando que o processo está dependente de fundos comunitários e de decisões das Infraestruturas de Portugal, entidade responsável pela linha.
A líder da autarquia setubalense justificou a opção pelo metrobus com o impacto urbano do atual traçado ferroviário, que considera penalizador para a cidade. “Aquele troço está a separar a cidade do rio, desfeia e tira qualidade”, afirmou, acrescentando que a linha serve apenas três comboios por dia, um de manhã, outro a meio do dia e outro ao fim da tarde. “Pode muito bem ser substituído pelo metrobus ou por autocarro”, defendeu.
A autarca confirmou que já houve reuniões com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e que cabe agora à Infraestruturas de Portugal (IP) avaliar a viabilidade da supressão da linha, garantindo que a operação não compromete a atividade do porto de Setúbal nem o acesso à freguesia do Sado.
Apesar do contexto financeiro do município, marcado por uma dívida que Dores Meira cifrou em cerca de 98 milhões de euros, a líder autárquica assegurou que o projeto do metrobus, à semelhança de outras intervenções estruturantes, só avançará com comparticipação comunitária e apoio do Estado. “Não temos condições para, com capitais próprios, resolver seja o que for”, afirmou.
De acordo com a autarca, a implementação do metrobus surge integrada numa visão mais ampla para a zona ribeirinha de Setúbal, que inclui a remoção de infraestruturas consideradas desqualificantes e a criação de novas ligações urbanas, num processo que, segundo a edil, será desenvolvido de forma faseada e dependente de financiamento externo.