Paulo Maia destacou a importância histórica da instituição e a ligação à comunidade setubalense na sessão solene
A Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Setúbal assinalou o 143.º aniversário com uma sessão solene no quartel da corporação, marcada pelo reconhecimento do papel dos bombeiros na proteção e socorro da população.
O vereador da Câmara Municipal de Setúbal com o pelouro da Proteção Civil, Paulo Maia, destacou a importância histórica da instituição e a ligação à comunidade setubalense, sublinhando o contributo de gerações de homens e mulheres para a segurança do concelho.
“Celebrar 143 anos de história dos Bombeiros Voluntários de Setúbal é celebrar 143 anos de coragem, de solidariedade, de serviço público, de compromisso com a vida humana. Uma história construída por homens e mulheres que perante a adversidade escolheram estar presentes”, afirmou o autarca.
Salientou ainda que “os bombeiros ocupam um lugar muito especial no coração dos setubalenses”, uma vez que, “ao longo de quase século e meio, esta corporação tem sido testemunha das transformações da cidade, acompanhando o crescimento de Setúbal e respondendo aos desafios de cada momento”.
O responsável aproveitou a ocasião para alertar para as crescentes exigências da proteção civil, tendo em conta os incêndios, os fenómenos meteorológicos extremos, os acidentes e outras emergências, que exigem preparação, formação contínua, capacidade operacional e meios adequados.
“Por trás de cada intervenção bem-sucedida, estão muitas horas de treino, sacrifício pessoal, disponibilidade permanente e um trabalho que nem sempre é visível, mas que é absolutamente indispensável”, frisou.
O vereador defendeu que “homenagear os bombeiros tem de significar reconhecimento efetivo, respeito pelo seu trabalho e compromisso com as condições necessárias para que possam cumprir muito bem a sua missão”, deixando uma palavra de “profundo respeito e gratidão” pelo trabalho desenvolvido.
“A Câmara Municipal de Setúbal reconhece a importância fundamental dos seus corpos de bombeiros e a necessidade de continuar a trabalhar em cooperação, com sentido de responsabilidade institucional e com o objetivo comum de garantir uma cidade mais segura e uma população mais protegida”, acrescentou.
Durante a sessão, o presidente da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, Sérgio Varela, destacou o investimento superior a 160 mil euros realizado pela instituição na aquisição de novas viaturas e equipamentos, valor “suportado integralmente pela associação, de forma responsável e criteriosa”.
Entre as aquisições efetuadas este ano estão um veículo tanque seminovo, com capacidade para 17 mil litros de água, e uma ambulância destinada ao transporte de doentes não urgentes. Foram ainda adquiridas três telas de privacidade, duas mantas corta-fogo para incêndios em veículos elétricos e duas cadeiras de transporte elétricas para doentes.
A associação investiu também na formação dos operacionais, através da contratação de vários cursos e ações formativas ao longo do ano, procurando garantir o “aumento contínuo da resposta na missão de socorro”.
Apesar do reforço dos meios, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, Nélio Condeço, alertou para as dificuldades sentidas ao nível dos recursos humanos. O responsável afirmou que o corpo de bombeiros “passa por severas dificuldades em termos de meios humanos, à semelhança do que acontece a nível nacional”, destacando o trabalho desenvolvido “no cumprimento do lema vida por vida”.
As dificuldades de recrutamento foram igualmente abordadas pelo vice-presidente da Comissão Executiva da Liga dos Bombeiros Portugueses, Eduardo Correia, que referiu os obstáculos enfrentados pelas associações humanitárias na mobilização de pessoas para os órgãos sociais e na manutenção dos efetivos operacionais.
Segundo o responsável, as associações têm dificuldades em “encontrarem sócios que estejam disponíveis para assegurar funções nos órgãos sociais” e em “manterem os efetivos dos corpos de bombeiros”.
“Há que olhar de forma séria para estes problemas e agir rapidamente”, defendeu, alertando que “poderá levar à erosão dos corpos de bombeiros, situação em que Setúbal não é exceção”.
Já o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Península de Setúbal, João Oliveira, considerou que os 143 anos de história dos Bombeiros Voluntários de Setúbal “são sinónimo de vitalidade e de esperança que a todos orgulha”, destacando o “profissionalismo e dedicação” da corporação na salvaguarda de pessoas e bens.
A sessão solene incluiu ainda a atribuição de Medalhas de Mérito e Dedicação ao chefe Carlos Belchior, à funcionária Cláudia Sedas dos Santos e ao presidente da Mesa da assembleia-geral da associação, José Luís Bucho, em reconhecimento pelos resultados alcançados. Este último agradeceu a distinção e assegurou que está “sempre ao dispor para servir os bombeiros na qualidade de sócio”.
As comemorações tiveram início com o hastear da bandeira no destacamento de Azeitão e no quartel-sede, em Setúbal. No final da sessão solene, foram apresentados e benzidos os novos equipamentos. O programa incluiu ainda uma romagem ao cemitério de Nossa Senhora da Piedade, prevista para a tarde, para deposição de flores no talhão dos bombeiros.