23 Maio 2024, Quinta-feira

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Bispo Américo Aguiar marcou presença na vigília em defesa do SNS em solidariedade com profissionais de saúde

Bispo Américo Aguiar marcou presença na vigília em defesa do SNS em solidariedade com profissionais de saúde

Bispo Américo Aguiar marcou presença na vigília em defesa do SNS em solidariedade com profissionais de saúde

Cardeal pediu entendimento entre todas as partes. Autarcas dos três concelhos apontam responsabilidades ao Governo

 

“Nas igrejas fazem-se vigílias como momentos importantes para o dia seguinte. Este é um momento importante para o dia seguinte porque estamos a dizer aos protagonistas, aos responsáveis políticos, que ouçam os gritos”.

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Chegou, para surpresa de muitos, e subiu ao palco para deixar uma palavra de “gratidão e homenagem, bênção e oração” a todos os profissionais de saúde. Foi assim que o bispo de Setúbal Américo Aguiar marcou presença na vigília em defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que teve lugar frente ao Hospital de São Bernardo na passada sexta-feira.

A presença já tinha sido confirmada muito antes de receber o convite dos autarcas de Setúbal, Sesimbra e Palmela, municípios membros do Fórum Intermunicipal da Saúde e organizadores do encontro. Evocou as palavras do Papa Francisco ao dizer que, compareceu, porque “os pastores devem estar ao pé das suas ovelhas”.

Já em declarações a O SETUBALENSE o também cardeal reconheceu que, a nível nacional, o cenário da Saúde não é o melhor. “O SNS está fragilizado naquilo que são os recursos humanos, as condições de trabalho e as capacidades”. Em matéria de entendimento, espera que nenhuma das partes envolvidas tenha “trunfo na manga, malabarismo ou magia”.

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“O que eu peço é que se entendam, que cada um coloque de parte os obstáculos e coloque na mesa as opções, o que é que nós podemos fazer juntos, para resolver os problemas”, pediu em mensagem aos seus concidadãos.

Autarcas atribuem responsabilidades ao Governo

André Martins, presidente da autarquia sadina, foi o primeiro a falar naquele que foi um painel com mais de uma dezena de intervenções dos vários participantes e organizadores da vigília.

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Em declarações a O SETUBALENSE o autarca referiu que a realidade é de que há “cada vez mais serviços de saúde que não correspondem à realidade das nossas populações”. Já no palco, dirigiu uma palavra aos responsáveis do Governo.

“Ficamos perplexos quando os responsáveis por este País nos dizem que não é por questões financeiras que o SNS não está a funcionar, que os serviços de urgência encerram com tanta regularidade, que não é por isso que os utentes deixam de ser atendidos. Então nós perguntamos: se não é por razões financeiras, quais são as razões que não permitem que se invista no SNS para que vejamos uma luz ao fundo do túnel para que, de facto, este tenha condições para dar resposta às necessidades das populações?”.

Continuou dizendo que a desresponsabilização do Estado Central não podia ser aceite. “Se não é por questões financeiras então só pode ser por vontade política ou por falta de vontade política, e isso nós não podemos aceitar”.

Já o édil sesimbrense, Francisco Jesus, fez também críticas ao Governo por este passar para as autarquias responsabilidades que, nas suas palavras, são competência nacional. Acrescentou que “a exemplo daquilo que é passado para as autarquias, não podemos passar as responsabilidades para os profissionais de saúde”.

“Mais de um ano em que fomos recebidos com algumas promessas e hoje, para além das promessas não terem sido cumpridas, a situação está pior do que estava há um ano quando estivemos à porta do Ministério da Saúde”.

Álvaro Amaro, presidente do executivo palmelense, começou por dizer que “há anos que a Península de Setúbal sabe o que são as percentagens elevadas de utentes sem médico de família”.

À semelhança de André Martins e Francisco Jesus não deixou de atribuir responsabilidade à Administração Central de melhorar as carreiras e fixar os profissionais de saúde no
sector público.

“O Governo continua em funções e tem de assumir as suas responsabilidades e é imperativo também que continue as negociações com os profissionais de saúde para que efectivamente, não é como alguns dizem, têm de fazer a vontade aos médicos, aos enfermeiros, aos assistentes operacionais, ninguém tem de fazer a vontade a ninguém. Têm é de criar condições para que esses médicos e profissionais trabalhem com dignidade, com boas condições de trabalho, com vencimentos dignos que evite que tenham outros chamamentos para outros sectores, nomeadamente o privado”.

Centenas passaram pelo encontro

O relógio pouco passava das 19h30 quando subiu ao palco Tio Rex. O cantor sadino abriu as honras do encontro que já estava marcado há cerca de dois meses.

Em clima de solidariedade, com dezenas de pessoas juntas em torno de um palco montado para acolher vários testemunhos de autarcas, profissionais de saúde e representantes da área, seguiu-se A Garota Não e Celina da Piedade que ‘aqueceram’ com música os corações daqueles que paravam para assistir. Toy não ficou de fora, através de vídeo, do momento musical.

Não faltou sopa caramela para reconfortar as barrigas dos presentes que, apesar de cada vez menos ao passar das horas, houve quem não desarredasse pé apesar das baixas temperaturas e do nevoeiro pouco convidativos.

Os cartazes eram vários, com mensagens de esperança pela regeneração do serviço público, pedido por melhores condições salariais e, sobretudo, o deficiente número de médicos de família para fazer face ao número de utentes. No final de cada intervenção as vozes ecoavam frases como “A luta continua!”.

SNS | Ex-director fala em fim do serviço de saúde

Durante o período de intervenções também subiu a palco o médico Vítor Augusto, ex-director do serviço de Urgência do Hospital de São Bernardo, que alertou para o fim próximo do SNS.
“Estamos a assistir, infelizmente, à proximidade do cortejo fúnebre do Serviço Nacional de Saúde. Podem parecer palavras duras, violentas, mas é aquilo que eu sinto enquanto profissional de saúde que sempre vestiu a camisola durante 35 anos como médico”, disse.

“É preciso que alguém, hoje em dia, diga, como no conto, que o rei vai nu. E que esta denúncia seja também uma capacidade de denúncia da extinção de um pilar fundamental, estruturante, da sociedade, que é a saúde, e, no nosso caso, o Serviço Nacional de Saúde, uma joia da coroa das conquistas do 25 de Abril”. Lusa

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