O mau tempo de sábado foi mais um teste de resistência a um sistema que se estende ao longo de 19 hectares
Desde que ‘está de pé’ que o sistema de retenção de águas do Parque Urbano da Várzea tem sido um instrumento importante no que diz respeito ao combate às cheias no centro da cidade de Setúbal. Nos últimos tempos o País tem vivido grandes problemas no que diz respeito às enchentes, mas, ao contrário do cenário que se viveu em tempos passados, o centro de Setúbal não tem registado problemas.
Projetado no ano de 2018 durante o executivo de Maria das Dores Meira, o espaço estende-se ao longo de cerca de 19 hectares na zona da Várzea, integrando as intervenções hidráulicas de regularização da ribeira do Livramento com a criação de um parque citadino expansivo.
“Toda a área central de Setúbal sofria historicamente com inundações perante o mau tempo e foi necessário encontrar uma solução de fundo. Foi durante a primeira série de mandatos da presidente Dores Meira que foi efetuada esta obra para conter a água das intempéries e proteger a cidade e a população. Não tenho qualquer dúvida de que esta é a grande obra em Setúbal nas últimas décadas e com efeito para as próximas gerações”, explica o vereador Paulo Maia em declarações a O SETUBALENSE.
Apesar de todas as tempestades e depressões que se têm vivido o parque urbano tem conseguido responder positivamente à missão que lhe compete.
“Os resultados são inequívocos e a bacia de retenção do Parque da Várzea funcionou da melhor forma – caso contrário poderíamos ter tido um cenário muito grave, como sucedeu infelizmente em muitos pontos do País e aqui em concelhos vizinhos. O mais impressionante desta obra é que ainda só está [sexta-feira] a 20% da sua capacidade, apesar dos níveis elevadíssimos de pluviosidade. A bacia de retenção da Várzea, conjugada com a regularização das ribeiras do Livramento e da Figueira e com outras estruturas similares e complementares, nomeadamente na Algodeia, somam uma capacidade total de cerca de 300 mil metros cúbicos de água, e defende a cidade de cheias. A solução hidráulica está concebida de forma que as descargas da bacia de retenção para a rede de drenagem de águas pluviais da cidade sejam feitas em contínuo, de modo controlado e automático, mitigando o risco de saturar o sistema e potenciar inundações urbanas localizadas, mesmo em situação de maré cheia”, detalha ainda.
Está a fazer um ano desde que o Parque Urbano da Várzea foi destacado pela União Europeia como um elemento diferenciador no combate ao flagelo climático tendo em conta as valências ambiental, de lazer e prevenção de riscos climáticos juntas num único espaço. De ano para ano, desde que foi criado, tem sido alvo de empreitadas com o objetivo de melhorar não só a resposta ao aumento da pluviosidade, mas também para ser um local de lazer e, segundo o autarca, vai continuar a ser um espaço a intervir.
“Desde a sua criação, em 2018, nunca mais a cidade registou cheias, mas esta foi a primeira vez que a bacia de retenção do Parque Urbano da Várzea foi realmente colocada à prova e felizmente cumpriu a sua missão da melhor forma, como previsto. É de facto uma obra notável para impedir as cheias que durante décadas massacraram os bairros do centro de Setúbal e o comércio da baixa e é um exemplo de boas práticas e bom investimento, com impacto ambiental, económico e social, que tem sido reconhecido a nível nacional e europeu. Nenhuma outra obra contribuiu tanto para o bem-estar dos setubalenses. É uma grande obra nesta componente hidráulica, mas é igualmente noutro aspeto menos conhecido, é que o Parque da Várzea é também mitigador das alterações climáticas como refúgio climático, contribuindo para a cidade fazer face às ondas de calor, e é ainda apoio para muitas espécies animais. A câmara municipal vai continuar a instalação de equipamentos e atividades para que este parque seja, sempre que não cumpre a função de bacia de retenção, um espaço lúdico para a população”.
Além de todas estas valências o Parque Urbano da Várzea é muito procurado no contexto educativo, nomeadamente para visitas de estudo e excursões
Depressão Marta afetou mais o território de Azeitão
As chuvas intensas dos últimos dias provocaram quedas de árvores, deslizamentos de terras e danos em vias rodoviárias, mas a bacia de retenção da Várzea evitou inundações na baixa da cidade, tal como explica o coordenador do Serviço Municipal de Setúbal de Proteção Civil.
Ao falar daquele local da cidade José Luís Bucho refere que a infraestrutura está a fazer o trabalho que lhe é devido. “Está a corresponder plenamente à nossa expectativa e a reter as águas provenientes das ribeiras do concelho. Sem essa infraestrutura, as ribeiras já teriam transbordado e a zona da baixa poderia estar completamente inundada”.
O mau tempo que se tem feito sentir um pouco por todo o País acabou por afetar mais diretamente Setúbal este sábado, dia da passagem da depressão Marta pelo território nacional, sendo que a zona de Azeitão foi uma das mais afetadas.
“A saturação dos solos levou à acumulação de água à superfície, causando inundações pontuais em campos e arruamentos, bem como a degradação do pavimento, com buracos ocultos por lençóis de água e riscos acrescidos para a circulação rodoviária”, refere o responsável. Com Lusa