Candidato à presidência da República sentou-se com trabalhadores da região para ouvir testemunhos de quem trabalha por turnos e no período da noite
O candidato à presidência da República apoiado pelo PCP, António Filipe, passou a manhã desta terça-feira sentado com trabalhadores da região que partilharam os seus testemunhos sobre as temáticas do trabalho noturno e trabalho por turnos.
Na Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense, onde decorreu a sessão, o candidato fechou o encontro a dizer que a laboração contínua é a “maximização do lucro das empresas” e que há casos onde não se justifica o trabalho noturno, defendendo mesmo a proibição. No entanto, referiu casos onde este é necessário, como a saúde, mas referiu que são necessárias regulações que salvaguardem os trabalhadores.
“Não é uma legislação adequada, na medida em que como vimos aqui dos vários testemunhos, existe uma tremenda injustiça na forma como está regulada em Portugal e como se permite o recurso ao trabalho noturno e ao trabalho por turnos, pior ainda com a proposta que agora está em cima da mesa de pacote laboral”, referiu o candidato a presidente da Nação.
O pacote laboral foi também um assunto levantado por António Filipe. “Não é uma legislação adequada, na medida em que como vimos aqui dos vários testemunhos, existe uma tremenda injustiça na forma como está regulada em Portugal e como se permite o recurso ao trabalho noturno e ao trabalho por turnos, pior ainda com a proposta que agora está em cima da mesa de pacote laboral”.

Em torno do candidato sentaram-se cerca de dezena e meia de pessoas que foram compartilhando relatos relacionados ao trabalho por turnos e ao trabalho noturno.
Luís Leitão, da União de Sindicatos de Setúbal, foi uma das pessoas que falou durante a partilha. “Não é só a questão do trabalho noturno ou trabalho por turnos, mas também a desvalorização que ele foi tendo ao longo de décadas. O importante para os trabalhadores da região é que se olhe como uma exceção e não como uma regra”, reforçou o sindicalista.
António Magrinho, trabalhador na Autoeuropa, em Palmela, desde 1995 e Nuno Santos, trabalhador na mesma empresa desde 1996, foram dois dos intervenientes. Este último considera que os turnos provocam “todo este estrago que não tem preço, não há subsídio de turno ou pagamento de trabalho noturno que consiga compensar estas situações”. Verónica, trabalhadora da fábrica de Palmela há 15 anos, também partilhou o seu “esgotamento” face a stress mental e físico provocado por estas modalidades de trabalho.
Outros testemunhos partilhados foram ainda de Lúcia Silva, dirigente da União de Sindicatos de Setúbal que trabalha na Visteon, e profissionais da área da saúde como Soraia, que falou sobre sindicatos e a Ordem dos Enfermeiros, e, ainda, António Caiado, trabalhador há 20 anos no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que partilhou a dificuldade em conciliar a vida profissional com a vida familiar, e revelou ainda que o ano passado foi o primeiro que conseguiu passar o Natal com familiares.