Num almoço convívio o ex-autarca explicou ainda os motivos para não assumir o mandato como vereador
O antigo presidente da Câmara de Setúbal, André Martins, disse este sábado que o contrato de estacionamento tarifado com a DataRede não devia ter sido votado em 2019, ano em que comandava a assembleia municipal.
“Nós, na CDU, não fazemos tudo bem – há muitas coisas que não correm bem. Acho que a CDU deixou passar, com o meu voto, este contrato e que foi qualquer coisa que não correu bem. Na câmara e na assembleia municipal deixámos passar este contrato e é de facto um contrato que se vem a verificar na prática muito penalizador para Setúbal e para os setubalenses”.
O membro da CDU falava durante um almoço que reuniu várias figuras que quiseram mostrar a amizade pelo ex-autarca, onde este adiantou que o contrato que agora vigora não tem semelhanças com a primeira proposta apresentada. “A proposta que foi aprovada e que está em vigor – foi aprovada na câmara e na assembleia municipal em 2019 – é uma proposta que não tem nada a ver com aquilo que se queria, com os objetivos e com as regras que estavam estabelecidas nas propostas que eu apresentei para o estacionamento tarifado. Nunca fui favorável ao estacionamento subterrâneo na zona ribeirinha da cidade, como sabemos esta proposta tem dois parques de estacionamento na zona ribeirinha – um para construir e outro para ‘se’”.
Lamenta que “se tenha vindo a afirmar que o contrato do estacionamento, que foi feito e está em vigor, é da responsabilidade de André Martins” e não compreende “como é que é possível que alguém, com quem trabalhámos tantos anos e com uma relação bastante próxima venha a fazer isto”.
André Martins falava também sobre as últimas decisões que tomou relativamente a este assunto nos últimos meses de mandato, e referiu que tentou que o contrato fosse revogado. “Fizemos tudo neste mandato para que esse contrato viesse a ser reposto. A empresa nunca esteve pelos ajustes, a câmara deliberou durante vários meses matéria no sentido de termos razão, argumento e força jurídica para acabar com aquele contrato. O processo entrou nos tribunais e agora decidiram que, afinal, este contrato estava bem feito e que foi mal gerido pelo executivo e, portanto, fez-se um negócio que ainda falta saber os resultados”.
No final do discurso o ex-autarca, que nas últimas eleições autárquicas era cabeça de lista pela CDU, explicou o porquê de não assumir o cargo na vereação. “Há uma questão central que foi fundamental para esta minha decisão. Quem é capaz de vir dizer publicamente, insistir, fazer publicações e documentos e distribuir à população a dizer que o responsável daquele contrato do estacionamento era eu, acho que não tinha condições para tratar com pessoas que ganharam as eleições”.
Ao mencionar as várias obras e projetos que desenvolveu enquanto presidente do órgão executivo falou sobre a reativação dos Serviços Municipalizados de Setúbal. “Neste mandato criámos e instalámos os Serviços Municipalizados de Setúbal. Este é um facto extremamente importante de uma mudança profunda e significativa no serviço público de apoio às nossas populações”.