Acesso às praias em destaque nas IV Jornadas de Direito do Ambiente da Comarca de Setúbal

Acesso às praias em destaque nas IV Jornadas de Direito do Ambiente da Comarca de Setúbal

Acesso às praias em destaque nas IV Jornadas de Direito do Ambiente da Comarca de Setúbal

Iniciativa contou cerca de meia centena de participantes, entre magistrados, advogados, académicos e outros profissionais

A litigância ambiental e climática, bem como a proteção e fruição dos domínios público marítimo e hídrico foram os principais temas em debate nas IV Jornadas de Direito do Ambiente da Comarca de Setúbal, que decorreram no Mercado do Livramento na passada sexta-feira.

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O Juiz Presidente da Comarca de Setúbal, Juiz Desembargador António José Fialho, referiu, na sessão de encerramento, que havia um tema principal quando estas quartas jornadas foram preparadas: o acesso às praias. Por essa razão,

“O objetivo principal destas jornadas, por isso é que dei o desafio ao doutor Nelson para falar do trabalho das assessorias, porque isso efetivamente foi muito importante, em relação a questões novas que se estavam a aplicar aos tribunais nestas matérias do domínio público marítimo, e os assessores, na altura, fizeram levantamento desse trabalho, e acho que com a apresentação conseguiram perceber a complexidade com que estamos nesta matéria. Adorei a intervenção da doutora Anabela Rebelo, em que se percebe que é um instrumento técnico extraordinário em termos de medida, daquilo que é a nossa dificuldade em preencher conceitos indeterminados, quando olhamos para a legislação e para o Código Penal, a propósito dos crimes e das contraordenações em matéria penal, foi realmente muito importante. E finalmente também a intervenção da Autoridade Marítima nesta matéria, que também é importante, porque uma questão que estava mais na voga quando começámos a fazer o planeamento deste programa, que tinha a ver com a questão do acesso às praias”.

A intervenção decorreu depois do painel da tarde com o tema A proteção e fruição dos domínios públicos marítimo e hídrico” que teve como oradores Anabela Rebelo, técnica superior do Departamento de Recursos Hídricos da APA, Nelson Madaleno Soares, assessor no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal, e Tiago Silva Benavente, chefe da Unidade de Legislação e Contratação da Direção-Geral da Autoridade Marítima e da Polícia Marítima.

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Organizada pelo Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal, com o apoio da Câmara Municipal, a iniciativa contou cerca de meia centena de participantes, entre magistrados, advogados, académicos e outros profissionais. Durante as jornadas, foi ainda evocada a figura do poeta Sebastião da Gama, defensor do ambiente e da Serra da Arrábida, assinalando o 102.º aniversário do seu nascimento, em Azeitão.

Procurador-Geral da República diz que tema foi uma “acertada escolha”

Na sessão de abertura, o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, considerou que o debate sobre a proteção dos recursos hídricos foi “acertada escolha”, sublinhando a essencialidade da água enquanto recurso escasso e fonte de vida.

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Amadeu Guerra destacou a importância do acesso à água em várias dimensões, desde as funções de soberania à fruição recreativa e à preservação dos recursos livres de poluição, alertando que o desenvolvimento económico acelerado nas últimas décadas tem colocado em causa componentes ambientais escassos, como a água, o mar ou o ar.

Também presente, o vereador do Ambiente da autarquia, Bruno Russo, destacou que o encontro constitui um “espaço de reflexão qualificada, de partilha, de conhecimento” sobre “um dos temas mais exigentes do nosso tempo”, sublinhando que “a proteção do ambiente não é apenas uma obrigação jurídica ou política, é também um compromisso cultural, ético e humano”.

O autarca referiu que o concelho, caracterizado por “uma enorme riqueza natural”, incluindo a Serra da Arrábida, o Estuário do Sado, a frente marítima e as praias, implica “uma responsabilidade acrescida” para assegurar o equilíbrio entre desenvolvimento económico e preservação dos ecossistemas.

Bruno Russo apontou ainda que o acesso às praias, enquanto espaços de fruição coletiva, levanta desafios na conciliação entre interesses públicos e privados e na garantia de igualdade de acesso, destacando o “papel absolutamente central” do direito do ambiente. Acrescentou que a litigância ambiental e climática demonstra como os tribunais são cada vez mais chamados a intervir na proteção de bens jurídicos fundamentais, como o ambiente, a saúde pública e o direito das gerações futuras a um planeta sustentável.

Por sua vez, o juiz conselheiro Luís Azevedo Mendes, vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura, salientou que a Câmara Municipal de Setúbal tem sido pioneira no debate ambiental, considerando que as questões relacionadas com o ambiente e o ativismo ambiental são atualmente “muito preocupantes”, devido às alterações climáticas e a um “recuo na agenda das questões climáticas”, associado às guerras em curso.

O magistrado defendeu que “persistir no debate, na litigância e nas questões normativas é da maior importância”, sublinhando que a criação de novas regras ambientais é essencial para reforçar a resiliência e enfrentar futuras crises ambientais.

A manhã terminou com o painel “Litigância ambiental e climática” com intervenções da Procuradora-Geral Adjunta do Departamento Central do Contencioso do Estado e Interesses Coletivos e Difusos da Procuradoria-Geral da República, Elisabete Matos, o analista sénior de Políticas Públicas na Associação Zero, Acácio Pires, e a juíza de Direito e vogal do Distrito Judicial de Évora do Conselho Superior de Magistratura, Raquel Patrícia Matos Rolo.

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