19 Junho 2024, Quarta-feira

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“A garota não”: A explosão (cultural) desde “2 de Abril”

“A garota não”: A explosão (cultural) desde “2 de Abril”

“A garota não”: A explosão (cultural) desde “2 de Abril”

Cátia Mazari Oliveira dá nome a uma jovem mulher que já este ano ascendeu
no panorama da música portuguesa

 

O último ano trouxe para a ribalta “A Garota Não” e o reconhecimento do talento da
garota/mulher chamada Cátia Mazari Oliveira.

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Reconhecimento também da estória das histórias vividas na sua cidade de Setúbal. Em
tempo de aniversário do jornal “O Setubalense”, obviamente que “A Garota não” tinha
de marcar presença. Como Setúbal marca presença na vida e obra da cantora de (quase)
30 anos.

A música, para a criança Cátia, era como o ar que respirava. Estava em todo o lado e
aos seus ouvidos chegavam sons a partir da sua própria casa, ou da casa dos vizinhos,
ou da rua, e podiam ser tão variados como os Gipsy Kings, sons marcadamente
africanos ou alguma confusão electrónica. Era a “verdadeira multiculturalidade”, como
diz Cátia Oliveira.

Por volta dos 10 anos chega naturalmente o tempo da aprendizagem de instrumentos e
chega através do instrumento supostamente menos provável, o piano, que mais tarde
daria lugar à guitarra, à partilha de sons e palavras com os amigos, afinal o instrumento
ideal para servir de suporte musical a histórias, protestos, dissertações várias em plena
juventude…

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Mas estava ainda longe o tempo de “Rua da Marimbas Nº7”, o disco de estreia. Antes
foi o tempo de uma Licenciatura em Comunicação e Cultura, de uma formação em
jornalismo.

E foi tempo de trabalhar na rádio, dar aulas de inglês e também de natação, até que –
decorria o ano de 2019 – surpreendeu muita gente com o referido álbum de estreia, quer
pela música, quer pelas palavras e histórias contadas.

“A morte não sabe contar, mas nós, homens e mulheres, sabemos. O mal é que a maior
parte do tempo nos dedicamos a contar as coisas erradas, em vez de boas histórias”,
dizia Cátia no trabalho de estreia.

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“Aqui canta-se o que dói por dentro, o que ri por fora, o que os dias trazem. Está neles o
que me inspira: delicadeza, relações, sonhos, o respeito por quem está e a falta dele, o
amor”, assim apresentava “A Garota não”, o seu trabalho.

Ainda que marcante, acutilante, este retracto de vida, da vida, do seu bairro, da sua
cidade, de outros bairros, de outras cidades, o disco passaria despercebido para o
chamado grande público ou o para o “mainstream”.

Ainda assim, as sementes estavam lançadas e os frutos surgiriam de forma tão
fulminante quanto inesperada, com o álbum “2 de Abril”, novamente a ligação às
origens, à sua cidade, ao seu bairro.

“É a data que decreta a Constituição portuguesa, o nome do bairro onde nasci e, agora, o
nome deste disco que fala do quotidiano sem glamour, de movimentos perpétuos, da fé
que perdemos. Mas também fala do horizonte e do folego infinito. De honrarmos a
vida”. A apresentação pura e dura por parte da sua autora.

Foi em 2022, e a partir daí, “A Garota não”, não mais parou. Se a meio do ano, a agenda
registava timidamente alguns concertos em Setúbal, Barreiro e Sesimbra, o Verão levou-
a ao Festival Bons Sons e ao Festival F, para terminar o ano a participar em importantes
eventos culturais em locais como Lisboa, Porto e Galiza.

Nomes grandes do panorama musical português estabelecem parcerias, elogiavam a sua
escrita e a sua música. Sérgio Godinho e Jorge Palma são dois dos maiores, ao lado dos
quais sobe a palcos.

Já este ano, esgota – com cerca de 2 meses de antecedência – o Teatro Municipal de
Almada e actua em algumas das principais salas do país, em cerca de três dezenas de
concertos.

Festivais como “Musicas do Mundo”, “Vodafone Paredes de Coura” ou a Festa do
Avante, são os palcos que a receberão nos próximos tempos, juntamente com outras
salas de norte a sul de Portugal.

E se alguma dúvida existisse sobre a dimensão que a “A Garota não” atingiu, basta
referir que os dois últimos concertos agendados para este ano, são em duas
emblemáticas salas do País – Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a 2 de Dezembro e
na Casa da Música, no Porto, a 9 de Dezembro.

Termino com as palavras de Cátia Oliveira. “E tem sido assim: venho de um dos fins do
mundo de pé descalço e com muita vontade. Toco guitarra, piano e percussões. Mas
pouco. Gosto de cantar e sobretudo gosto de escrever”.

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