100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
No Alentejo a economia dependia principalmente da agricultura, caracterizada por trabalho sazonal e baixos rendimentos
Os primeiros fluxos migratórios internos do Alentejo para o Distrito de Setúbal ocorreram sobretudo durante as décadas de 1950 e 1960, quando muitos trabalhadores rurais procuraram melhores oportunidades de vida fora da sua região de origem. No Alentejo, a economia dependia principalmente da agricultura, caracterizada por trabalho sazonal, baixos rendimentos e escassas perspetivas de emprego estável.
O Distrito de Setúbal, por sua vez, encontrava-se em crescimento económico e industrial, oferecendo emprego em fábricas, estaleiros navais, atividades portuárias e na construção civil. Esta realidade atraiu milhares de alentejanos, que se deslocaram para a região na esperança de obter melhores salários e proporcionar melhores condições de vida às suas famílias. Este movimento migratório contribuiu para o desenvolvimento urbano e económico da Península de Setúbal, aumentando a população de várias localidades da região.
Ao mesmo tempo, muitas aldeias e vilas do Alentejo perderam habitantes, iniciando um processo de despovoamento que marcou profundamente a região. Estes fluxos migratórios representaram uma importante transformação social em Portugal, associada à urbanização e à modernização económica do País. O concelho da Península de Setúbal que historicamente acolheu a maior proporção e o maior volume de população vinda do Alentejo foi o Barreiro, seguido de perto por Setúbal e pela Moita.
O Barreiro destaca-se como o principal polo de atração devido a fatores específicos da sua evolução. Sendo o berço da indústria pesada com o complexo químico da CUF (Companhia União Fabril), tornou-se o maior empregador industrial do País. O recrutamento ativo de mão de obra rural no Alentejo ao longo do século XX criou bairros inteiros formados por famílias alentejanas.
O peso demográfico histórico, segundo os censos da segunda metade do século XX, os migrantes do Alentejo e do Algarve chegaram a representar mais de 40% a 50% de toda a população residente no Barreiro e nos concelhos limítrofes, como a Moita.
Relativamente ao impacto cultural, foi no Barreiro que a cultura operária alentejana se fixou com maior força, impulsionando a proliferação de grupos de Cante Alentejano, clubes de bairro, sedes sindicais e as tradicionais tabernas operárias. Enquanto concelhos como Almada e Seixal receberam fluxos maioritariamente oriundos de Lisboa (movimentos suburbanos), o eixo Barreiro-Moita-Setúbal consolidou-se como o verdadeiro destino do êxodo rural alentejano. Em Almada, os estaleiros navais da Lisnave e o Arsenal do Alfeite atraíram muita população oriunda do Alentejo, assim como a Siderurgia Nacional, no Seixal, geraram milhares de postos de trabalho assalariados.