15 Abril 2024, Segunda-feira
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“A situação não está ainda caótica mas a continuar assim poderemos chegar a esse nível”

Aposentação de dois profissionais deixou mais de 1600 utentes sem médico de família. Coordenador está do lado dos utentes

 

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Mais de 1600 utentes da Unidade de Saúde Familiar du Bocage estão agora sem médico de família depois da aposentação de dois profissionais de saúde, uma situação que ‘empobreceu’ as equipas de resposta médica, para as quais ainda não entrou nenhum outro profissional.

“A situação não está ainda caótica mas a continuar assim, poderemos chegar a esse nível. Durante seis meses nós temos de prestar alguma colaboração a esses utentes, mas o que é um facto é que esses vão engrossar, ainda mais, o panorama dos utentes sem médico de família em Setúbal”.

As declarações são de Augusto Fernandes, coordenador daquela unidade, a O SETUBALENSE. As queixas foram reportadas ao nosso jornal pela Comissão de Utentes da USF du Bocage, unidade integrada no Centro de Saúde de São Sebastião, em Vale do Cobro, que em comunicado explicavam ter reunido com a coordenação e conselho técnico para mostrar “preocupação” face à situação.

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“A unidade é actualmente assegurada por 15 profissionais (cinco médicos, seis enfermeiros e quatro secretários clínicos), perfazendo cinco equipas de saúde. Ainda assim, o projecto aprovado para a USF du Bocage prevê que possam chegar até às oito equipas de saúde. Algo que ainda não foi possível concretizar devido à dificuldade para encontrar profissionais, sobretudo médicos”, escrevem no documento.

Do lado dos utentes está o coordenador que revela que foi proposto que “a equipa tivesse oito médicos, oito enfermeiros e seis secretários clínicos, mas por impossibilidade de existência de médicos neste momento no Serviço Nacional de Saúde (SNS), não conseguimos atingir esses objectivos e, portanto, saem prejudicados, mais uma vez, os utentes”.

Ao antever uma situação que poderá começar a prejudicar gravemente o atendimento aos utentes, Augusto Fernandes lembra que “Vale do Cobro é um dos centros de saúde onde existem mais utentes sem médico de família atribuídos” e que estão perante um “quadro médico envelhecido” afirmando que “provavelmente dentro de máximo dois anos irão sair outros”.

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“Vão entrando alguns, mas não os suficientes para cumprir os objectivos a que se propõe de termos um médico de família para todos os utentes, isso é impossível neste momento”.

Nem mesmo os internos mais novos escapam à intenção de abandonar o SNS porque, explicam no comunicado, “a maior parte deles tem revelado o desejo de sair do País” porque sentem que “enquanto a tutela não melhorar as condições de trabalho, bem como as carreiras, é natural que os profissionais optem por sair”.

A posição é mais uma vez corroborada pelo coordenador que pede equilíbrio nas condições de trabalho apresentadas aos novos profissionais – e aos que já ingressaram na carreira – por forma a uma melhor qualidade de resposta aos utentes.

“As condições de trabalho dos profissionais têm de estar de alguma forma equilibradas e serem de qualidade porque senão as pessoas cada vez fogem mais. É a falta de condições que neste momento o SNS oferece aos seus profissionais, e nomeadamente nos cuidados de saúde primários, se manterem no serviço”.

Falta de climatização arrasta-se há 11 anos

Outra das reclamações dos utentes continua a ser a climatização do espaço onde opera a unidade familiar, uma situação que não é nova e que se arrasta há mais de dez anos, mas continua sem solução à vista. A “inexistência de aquecimento no Inverno, ou ar condicionado no Verão” é a base do que dizem afectar “o bom desempenho dos profissionais” e os próprios utentes.

“Fizemos chegar – nós e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Arrábida – à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVY) este problema que já tem mais de 11 anos. Por falta de verba e por falta de orçamentar esse tipo de serviços foi-se adiando e estamos à espera que seja resolvido. Até ao momento não há feedback do que está para ser proposto, vamos ver se a Unidade Local de Saúde tem na sua carteira este problema para resolver”.

Os responsáveis da USF garantem que esta situação “foge ao seu controle” tendo em conta que, desde Dezembro de 2023, esta deixou de ser tutela da ARS-LVT passando agora para a alçada da Câmara Municipal de Setúbal com a criação da ULS Arrábida.

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