15 Abril 2024, Segunda-feira
- PUB -
InícioLocalSetúbalPublicações de Diogo Ferreira fazem luz sobre dois episódios da violência do...

Publicações de Diogo Ferreira fazem luz sobre dois episódios da violência do Estado Novo

Investigação sobre assassinato de Fernando Pedro Gil e morte de José Manuel Alves dos Reis está disponível em brochuras apresentadas este sábado

 

- PUB -

Dois dos episódios da faceta violenta do Estado Novo relativamente a Setúbal estão agora mais claros com a publicação da investigação do historiador setubalense Diogo Ferreira em duas brochuras que foram apresentadas este sábado no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Setúbal.

‘O 17 de fevereiro: O assassinato do operário setubalense Fernando Pedro Gil’ e ‘José Manuel Alves dos Reis (1894-1943): O setubalense que perdeu a vida no Campo de Concentração do Tarrafal’ são os títulos dos dois opúsculos em que o autor apresenta a investigação sobre a história destes dois casos.

Em ambos, 17 de Fevereiro de 2024 é data redonda de efeméride. Faz 90 anos que Fernando Pedro Gil foi assassinado, na Avenida Luísa Todi, e 130 anos que nasceu José Manuel Alves dos Reis.

- PUB -

Fernando Pedro Gil era um jovem operário conserveiro, então com 19 anos de idade, que foi atingido a tiro pela PSP quando integrava um grupo de trabalhadores, sobretudo mulheres, que se manifestavam, pela falta de pagamento do subsídio de defeso, junto à sede do Consórcio de Conservas, junto ao local onde funciona hoje a Taberna Londrina. A polícia, na altura comandada por Moreira de Carvalho, acorreu ao local, efectuou disparos, alegadamente para o ar, e o jovem acabou morto. A fotografia existente, de autoria de Américo Ribeiro, mostra um ferimento fatal na cabeça e o corpo espojado no local.

Esta foto já tinha sido referida, anteriormente, pelos historiadores Albérico Afonso Costa e Carlos Mouro como sendo da morte de outra pessoa – António Mendes, que foi assassinado no Largo do Carmo em 1912 – mas os novos elementos recolhidos por Diogo Ferreira mostram que se trata de Fernando Pedro Gil.

A “nova” conclusão é consensual mesmo entre os historiadores. Albérico Afonso Costa, que esteve presente na apresentação das duas brochuras, confirma. “O Diogo traz novos elementos, o que nos permite ter maior certeza e há clareza sobre o local”, disse. Os novos elementos são os registos pessoais do fotógrafo Américo Ribeiro, o registo do óbito de Fernando Gil e a própria fotografia que deixa claro que o ferimento não é o que matou António Mendes.

- PUB -

A investigação de Diogo Ferreira expõe também a forma como o regime, através da actuação das autoridades locais – PSP, Governador Civil Mário Caes Esteves e Capitão do Porto de Setúbal, José Vicente Lopes – diligenciaram para abafar o assassinato e para impedir que o funeral tivesse a participação da classe operária e percorresse a cidade. O corpo foi sepultado de madrugada.

A investigação relativa a José Manuel Alves dos Reis confirma que se trata de um setubalense, que nasceu e viveu na zona do Miradouro, que casou em 1919 no Montijo onde se estabeleceu. Tinha uma taberna na rua que é hoje a Estrada Nova. Próximo da esquerda anarquista, foi preso pelo regime sob a acusação de distribuir imprensa clandestina e de transportar uma mala com explosivos.

Preso no Campo de Concentração do Tarrafal, veio a falecer em 1943.

E se José Manuel Alves dos Reis já consta na toponímia de Setúbal, numa praceta com o seu nome, a Fernando Pedro Gil falta a considerada, pelo historiador e não só, a devida homenagem.

A vice-presidente da Câmara de Setúbal revelou que a Comissão de Toponímia acha “interessante” a ideia de perpetuar o nome do jovem operário conserveiro e Diogo Ferreira acrescentou que “está prevista uma homenagem com a colocação ainda este ano, no local onde [Fernando Pedro Gil] foi assassinado”.

Estas duas publicações são edições da Câmara Municipal de Setúbal, nomeadamente do pelouro da Cultura, tutelado pelo vereador Pedro Pina, e coordenadas pelo Gabinete de Promoção e Divulgação do Património Histórico e Cultural, dirigido por José Luís Catalão. As edições inserem-se no programa de comemorações dos 50 anos do 25 de Abril que o município está a promover.

- PUB -

Mais populares

José Mourinho: “Dá-me prazer que as pessoas conheçam as minhas origens”

Técnico sadino em Setúbal para gravar com a Adidas e “mostrar ao mundo” a cidade onde nasceu e cresceu

Desaparecido no mar esteve no sábado à pesca de choco no Sado

Ricardo Neves esteve no dia anterior à tragédia em embarcação turística. Mestre de embarcação critica quem se aventura na zona do naufrágio

Lisnave distribui mais de três milhões de euros pelos trabalhadores

Prémio é justificado com resultado obtido no ano passado, descrito o "melhor desempenho de sempre"
- PUB -