7 Dezembro 2022, Quarta-feira
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Micro-floresta ‘nasce’ no estaleiro da Lisnave para ajudar a fazer frente às alterações climáticas

‘Ilha de Biodiversidade’ composta por 150 árvores de 23 espécies presentes nas florestas portuguesas

 

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O fotógrafo Vitor Gordo desafia, a Lisnave aceita, a ‘Ilha da Biodiversidade’ nasce. Foram necessários cerca de dezasseis meses até estarem reunidos todos os “ingredientes” para criar uma micro-floresta, com a primeira a surgir no estaleiro naval, situado na Mitrena, com o objectivo de ajudar a fazer frente às alterações climáticas.

Através do método concebido pelo botânico japonês Miyawaki, foi plantada na última quinta-feira, por cerca de 30 pessoas, uma centena e meia de árvores, de 23 espécies autóctones, numa área com 50 metros quadrados, em formato circular, dando-se assim o primeiro passo rumo a solução que “pode ajudar a melhorar o mundo”.

“Comecei a projectar uma imagem do estaleiro para daqui a 20 anos, onde será possível ver verde, com todos os benefícios que isso trará, como a retenção de carbono no solo e a capacidade de reter as micropartículas que existem no ar, e assim purificá-lo mais, e foi essa a ideia que apresentei”, explica Vitor Gordo a O SETUBALENSE.

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Para tal, recorreu-se a “árvores e arbustos de vários estratos, encomendados a um viveiro de Montemor-o-Novo, uma vez que a ideia do método Miyawaki é plantar em alta densidade espécies nativas, autóctones, porque estão adaptadas ao clima, têm menos manutenção e mais probabilidade de sobreviver”.

“Das 150 árvores, 10% estão no extrato mais alto. Temos o pinheiro-bravo, que atinge 20 a 25 metros de altura, temos o freixo e o ‘Celtis Australis’, que é o iodão-bastardo. Nos outros extratos contamos com o sobreiro, a azinheira, o loureiro, a murta e o alecrim, ou seja, são espécies que encontramos nas florestas portuguesas”, sublinha.

Além das diferentes espécies, a ‘Ilha de Biodiversidade’ é também composta por casca de eucalipto, “a chamada estilha”, entregue pela The Navigator Company, e por “mulch”, que é “a manta morta que cobre o solo e mantém a humidade”, cedida pela NAM Mushroom, sediada em Marvila.

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“Esta empresa produz cogumelos através de borras de café. Disponibilizaram-nos a manta morta, que é uma camada de palha feita com o que sobra depois de os cogumelos serem apanhados. É excelente para a agricultura porque durante os primeiros tempos precisamos que o solo esteja sempre húmido e que existam microorganismos que forneçam os nutrientes para as plantas crescerem”, frisa Vitor Gordo.

A par das duas referidas empresas, foi também estabelecida uma parceria com a Agriloja de Setúbal, que “ofereceu os aspersores, as mangueiras e todas as ligações necessárias para os primeiros dois a três anos de rega”.

Ao imitar-se a natureza, acrescenta o fotógrafo, “obtém-se resultados dez vezes mais rápidos do que se isso acontecesse naturalmente numa floresta”. “A ilha tem um formato circular e há um caminho pelo meio e à volta. A manutenção será mensal e será só à base da retirada das ervas que vão crescer junto às árvores, mas o segredo para levar esta ilha ao sucesso passa também pela não manutenção”, assegura.

Isto tendo em conta que “se se for à floresta não anda lá o jardineiro a cortar ramas”. “É intervir o menos possível. As coisas que têm de cair caem, as que têm de ficar no solo ficam e decompõem-se. É um ciclo de vida e morte”.

Assim, a água “será ‘desligada’ ao fim de dois a três anos porque nessa altura as plantas estarão maiores, existe mais sombra no solo e não será necessária rega”.

Lisnave aprova ideia para consciencializar a própria comunidade

Fotógrafo de profissão, Vitor Gordo realiza trabalhos “com o drone” na Lisnave. Além disso, diz-se apaixonado por “árvores e florestas”, pelo que decidiu juntar ‘o útil ao agradável’ quando percebeu, “ao ver o estaleiro de cima”, que este “não tem muitas áreas com árvores ou vegetação”.

“Apresentei a ideia à Lisnave e eles decidiram aceitar fazer este primeiro projecto nesta altura do ano, até porque [de 21 a 30 de Novembro] é a Semana da Floresta Autóctone. É uma sensação incrível, de conseguir colocar em prática uma coisa que é uma paixão”.

Por parte da Lisnave, Cláudia Spranger, responsável pelo sector de ambiente, conta que o estaleiro naval “gostou da ideia, que é gira, por ter muito a ver com a consciencialização da própria comunidade”.

“É um gesto simbólico, também para chamar à atenção para as alterações climáticas e para os pequenos passos que se podem dar no sentido da sustentabilidade”, salientou. Para o futuro, Vitor Gordo diz que a ideia passa por “replicar a Ilha da Biodiversidade por outros espaços, como, por exemplo, em escolas, hospitais ou parques de estacionamento”.

“É possível fazer estas florestas em espaços diversos e a vantagem é que envolve a comunidade. As pessoas são capacitadas a fazer estas florestas no seu bairro ou local de trabalho. Estamos a pensar contactar a Câmara de Setúbal e vamos também apresentar o projecto a 4 de Dezembro no Exodus Aveiro Fest. O projecto tem todas as condições para se expandir pelo País”, adianta, a concluir.

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