20 Abril 2024, Sábado
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Associação Setúbal Voz promove recital de luxo com barítono Luís Carlos

O recital do Atelier de Ópera de Setúbal deixou a assistência rendida

O barítono lírico Luís Carlos foi figura de cartaz do 16.º recital do Atelier de Ópera de Setúbal, que teve lugar no passado sábado, promovido pela Associação Setúbal Voz, e que culminou com nota máxima.

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O artista tomou por completo os sentidos da audiência, partindo de um repertório sóbrio, equilibrado, intimista, profundamente poético e no antíctone do fogo-de-artifício musical ou vocal. Construiu uma personagem e contou uma história. À sua corporalidade, distorcida, sofredora, assimétrica, de um corpo amargurado, amarrotado e tenso, juntou uma interioridade que tomou por completo a personagem, a cena e os sentidos dos presentes. Foi tão forte que a partir da segunda peça o público deixou de conseguir aplaudir.

Luís Carlos junta à maravilhosa qualidade musical, interpretativa e vocal, uma noção de cena raríssima em cantores líricos, tendencialmente construtores de personagens intermédios, onde a personagem-pessoa permanece de papel em papel com a mesma corporalidade e interioridade num teimoso, na tradição lírica e não só, e autodestrutivo narcisismo. Luís Carlos é professor no Atelier de Ópera de Setúbal e, mais uma vez, ficou sublinhada a importância dos professores partilharem os seus conhecimentos e experiência na prática e em conjunto com os seus alunos.

Em destaque esteve também o pianista Eduardo Jordão. É reconhecido como um dos melhores pianistas portugueses da actualidade. Tecnicamente perfeito, Eduardo Jordão distingue-se por se libertar do desempenho da partitura para ascender a outro patamar artístico, em que a música se torna corpo no intérprete, em que desaparece o instrumento e a pessoa, e fica um todo, uma entidade musical, artística, um corpo uno que no caso se confronta e dialoga com uma outra entidade trazida pelo cantor. Eduardo Jordão faz prever próximos recitais na mesma linha de esplendor artístico deste: opera a catálise, é ignição e combustível.

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Mas os recitais do atelier devem quase tudo ao pianista João Malha que fez 15 com uma prestação brilhante. João Malha é um maestro de carreira, que decidiu agora dedicar-se a tempo inteiro à direcção e irá continuar a colaborar com a Associação Setúbal Voz como maestro convidado.

Terceiro elemento e comportamentos desadequados

Também notável foi a prestação do terceiro elemento em cena, Teresa Barreto. Artista plástica de formação, Teresa é membro do Atelier de Ópera de Setúbal onde tem vindo a construir personagens de enorme densidade psicológica e onde o aspecto plástico ajuda a consolidar a caracterização das mesmas. Vestida como uma colegial, a personagem da Teresa começou por ser sombra e assombrar a personagem de Luís até ao momento em que o despe e o violenta. Nesse momento vandaliza a personagem de Luís, grafitando o seu corpo com palavras e atirando-o para o chão. A personagem de Luís volta a vestir-se, escondendo a sua identidade, o seu drama, as suas sombras. Até que um dia se despe de medos e liberta dos grilhões de uma sociedade com dificuldade em amar a diferença que, afinal, existe em cada um de nós, seres únicos e, também por isso, belos.

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Artisticamente, o recital foi sublime. Menos conseguido foi o comportamento da plateia, a merecer atenção de futuro por parte das entidades envolvidas na organização deste ciclo de concertos. Entradas na sala a meio das peças, pessoas a circular durante o recital, telemóveis que tocam no público, crianças que não param, e até mesmo o atendimento de chamadas telefónicas são situações que não se coadunam com o que a qualidade deste tipo de espectácuos necessita e merece. O silêncio, tal como no fado, é de ouro.

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