27 Maio 2022, Sexta-feira
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Paulo Pinho: “No rastreio pós-pandemia há um grande crescimento dos cancros”

Instalações do Grupo de Apoio de Setúbal da Liga Portuguesa Contra o Cancro comemoram seis anos. De acordo com o coordenador, regista-se um “aumento significativo” de casos de cancro detectados nas acções de rastreio pós-pandemia

 

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O edifício que acolhe o Grupo de Apoio de Setúbal (GASET) da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) completou recentemente seis anos de existência.

Com José Manuel Sousa e Guadalupe Saião como coordenador fundador, abriu portas ao público a 23 de Janeiro de 2016, dando início a um caminho de apoio aos utentes doentes oncológicos enquanto complemento ao tratamento que recebem nos hospitais e centros de saúde, com apoio social aos mais carenciados e situações de conforto e terapias proporcionadas pelas valências conduzidas pelos seus voluntários.

Durante a pandemia, o apoio social nunca parou e as sessões e consultas foram ministradas de forma não presencial. De acordo com a LPCC, os dados sugerem que muitos casos de novos cancros ficaram por identificar durante os anos de pandemia e o grande impacto nas mortes por cancro deverá sentir-se dentro de um a cinco anos.

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Em Setúbal, durante este período, verificou-se, de acordo com Paulo Pinho, coordenador do GASET desde Junho, “um crescendo bastante grande do número de casos, comparativamente a dados de outros anos em que não havia pandemia e nota-se mais até nos rastreios”.

“Olhando para valores de outros anos, num rastreio que recebe entre 80 a 100 pessoas, encontrávamos cinco ou seis referenciados, agora encontramos 20. É bastante significativo”. A O SETUBALENSE, conta ainda que “as pessoas estiveram a fazer pouca prevenção ou não tiveram mesmo oportunidade para a fazer porque o aproximar dos hospitais também era arriscado e a situação levou a uma degradação nessa área”.

“Agora que nos podemos aproximar mais e fazer consultas e prevenção, as situações subiram exponencialmente”. Militar de formação e com experiência enquanto comandante de submarinos, o coordenador do GASET considera que “a sua melhor capacidade talvez seja a de liderar e conduzir pessoas, procurando gerir o grupo da melhor forma”.

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“Cada dia é uma batalha e vamos tentando vencer. Sou voluntário e é aliciante o contacto, o conhecer a forma como os voluntários correspondem, a forma como em conjunto conseguimos atingir os objectivos a que nos propomos”.

Neste momento, o grupo conta com entre 40 a 50 voluntários e acompanha cerca de 70 utentes no apoio social com medicação gratuita, cerca de 20 nas consultas de psico-oncologia, 15 em sessões de reiki e meditação, que regressaram ao formato presencial desde finais de Outubro, e 10 na actividade de manutenção chi-kung, realizada no ginásio do Vitória Futebol Clube.

“No apoio social damos respostas a pessoas com carências financeiras que não podem comprar a medicação e dirigem-se a nós com as suas receitas e fazemos uma validação, mediante apresentação da devida documentação, e as pessoas podem dirigir-se à Farmácia Alice, com quem trabalhamos, para aviar a sua medicação gratuitamente”, refere, adiantando que “a Liga complementa o que já é feito pelos hospitais e centros de saúde e há que atender a estas situações”.

“A resposta tem de ser dada rapidamente e nunca ninguém fica à espera com uma receita. Se houver necessidade, cobrimos essa despesa. O nosso maior gasto tem precisamente a ver essencialmente com a medicação, entre dois a três mil euros por mês”.

Acções de prevenção e promoção de conforto integram plano de actividades

Em simultâneo, estão a decorrer consultas de apoio ao cancro da mama, com o projecto Vencer e Viver, e ao cancro oral, com o movimento Movaplar, sem esquecer os rastreios. No dia 26, realizaram dois, aos cancros de pele e oral, em Setúbal, de um total de quatro previstos para este ano.

Os próximos terão lugar em Sesimbra e em Alcácer do Sal. No âmbito da sensibilização, continuam igualmente a dinamizar a “prevenção primária”, com acções informativas em termos preventivos de alimentação saudável, efeitos do trabalho, cuidados com a pele, entre outros, realizadas nas escolas dos 1.º e 2.º ciclos de ensino.

A actividade do grupo passa ainda pela promoção de iniciativas de divulgação, sensibilização e angariação de fundos, de que são exemplo o Outubro Rosa e o peditório nacional de quatro dias a ter lugar no início do mês de Novembro.

Este é, de acordo com Paulo Pinho, “a principal fonte de rendimento para alimentar as iniciativas da Liga, a que acrescem depois outras fontes de que são exemplo algumas entidades locais que por vezes nos apoiam”.

Entre os planos para o futuro está a criação de valências que tragam novas situações de conforto, entre as quais “Pinturas & Manualidades”, todas as sextas-feiras a partir de 11 de Março às 14h30, “Terças-feiras à conversa”, uma tarde que, de 15 em 15 dias, “pretende juntar pessoas para falar do que lhes aprouver, sobre os mais variados temas como forma de descontrair e desanuviar”, e sessões de aconselhamento de nutrição para doentes oncológicos.

Prioridades Psico-oncologia e fisioterapia procuram voluntários

As consultas de psico-oncologia são, no entender de Paulo Pinho, uma das valências mais procuradas.

“Temos neste momento três psicólogas que se deram como voluntárias para atender as pessoas que acabam de receber a notícia e também os seus familiares que por vezes também necessitam de apoio psicológico”, explica, partilhando que o grupo “anseia por receber voluntários nesta área”.

Também a fisioterapia é igualmente “muito procurada” e neste momento não se realiza “por falta de voluntários. O voluntariado é muito importante para desenvolvermos as nossas iniciativas. Não conseguimos sobreviver sem a boa vontade das pessoas”.

No que diz respeito a esta valência, o GASET encontra-se em vias de apresentar ao Núcleo Regional do Sul da Liga, com o Instituto Politécnico de Setúbal, um projecto para estágio dos alunos finalistas de Fisioterapia em apoio ao doente oncológico.

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