27 Maio 2022, Sexta-feira
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Setúbal recebe centenário de José Saramago com as várias facetas do Nobel da Literatura

É “importante que a sociedade e as câmaras municipais contemplem a Cultura como forma de empoderamento cívico”, afirmou Pilar del Río

 

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A cidade de Setúbal está na rota das comemorações do centenário de José Saramago, que irá ter vários eventos a decorrerem entre Março e Dezembro. Um programa evocativo do único Nobel da Literatura português, que contempla “actividades extremamente interessantes”, sublinhou Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago, durante a apresentação na Casa da Cultura, em Setúbal, na passada quinta-feira.

Organizado em parceria entre a Fundação e a Câmara de Setúbal, o programa mereceu ainda o agradecimento de Pilar del Río por levar a que “a voz de José Saramago se continue a ouvir e a sentir em Setúbal”, ao que acrescentou ser “importante que a sociedade e as câmaras municipais contemplem a Cultura como forma de empoderamento cívico”.

Dos vários eventos agendados, estão incluídas exposições, cinema, tertúlias, instalações artísticas, concertos, teatro e várias outras actividades evocativas “não apenas de José Saramago enquanto escritor, mas também como cidadão com uma marca vincada na sociedade”, refere nota de Imprensa da autarquia.

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“É fundamental valorizar a intensa actividade literária deste homem, que, além de escritor, teve rica actividade política e jornalística, mas que, acima de tudo, foi alguém que reflectiu sobre o seu tempo e sobre aqueles que com ele lutaram pela dignificação dos seres humanos”, comentou André Martins, presidente da Câmara de Setúbal, durante a apresentação.

Por sua vez o comissário das comemorações, Carlos Reis, realçou que o programa de parceria adoptado com os municípios do País, “cobre os eixos estratégicos definidos, de forma diversificada e para todos os públicos”.

As comemorações do centenário de José Saramago, que nasceu a 16 de Novembro de 1922, vão passar pela Galeria Municipal do 11 com a exposição “José Saramago: Voltar aos Passos que Foram Dados”, patente entre 9 de Abril e 14 de Maio. Cedida, pela Fundação Saramago, tem inauguração às 16h00.

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“Mulheres Saramaguianas” é o título de outra mostra, a decorrer entre 7 e 28 de Maio, na Sala da Ilustração da Casa da Cultura, com inauguração às 17h00. Tem parceria entre a Fundação e o Centro Português de Serigrafia.

O programa inclui vários filmes que inspiraram José Saramago. Numa parceria entre a Fundação, a Cinemateca de Lisboa e a Câmara de Setúbal , tem sessões às 21h00, no Auditório Municipal – Cinema Charlot, nos dias 15, 16, 22, 23, 29 e 30 de Setembro.

Em Abril, Junho e Novembro, ainda em locais a anunciar, vão decorrer vários encontros sobre os temas “A censura dos novos tempos no jornalismo dos nossos dias”, “A importância de Saramago na Literatura Contemporânea” e “A importância de ler Saramago, vamos passar um testemunho”.

Para 24 de Março, às 21h30, na Casa da Cultura, está agendada a sessão Legados Saramaguianos, encontro-debate com o escritor Afonso Reis Cabral, moderado por Carlos Reis e dedicado à ficção contemporânea em língua portuguesa, tendo em atenção a permanência da herança literária de Saramago.

O colóquio “Leitura: Uma Visão de Futuro” realiza-se a 25 de Novembro, ao longo do dia, no Fórum Municipal Luísa Todi. Entretanto, o Teatro Estúdio Fontenova irá apresentar um espectáculo a partir das obras “Ensaio sobre a lucidez”, “Ensaio sobre a cegueira” e “Caim”.

As Terças com Saramago vão trazer, a 12 de Abril, 7 de Junho, 26 de Julho, 6 de Setembro e 13 de Dezembro, no Fórum Luísa Todi, sempre às 21h30, criações de novos artistas a partir de desafios lançados pela Câmara Municipal. Os trabalhos reflectem a obra e vida de José Saramago através de cruzamentos multidisciplinares no universo das artes.

Numa parceria com a Trimagisto, o ciclo “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo” promove cinco eventos culturais de diferentes naturezas artísticas.

Joana Manuel apresenta “Vozes de mulheres na obra de Saramago”, a 10 de Março, às 21h00, na Casa da Cultura. Carlos Marques apresenta o concerto informal, para escolas, “Levantei-me do Chão – Lado B”, a 23 de Março, às 11h00 e às 15h00, e a 28 de Abril, às 21h00, na Casa da Cultura.

A Casa da Cultura recebe a 26 de Maio, às 21h30, o “Requiem para um novo dia”, de Ana Sofia Paiva e Marco Oliveira. Trata-se de um espectáculo de música e poesia inspirado nas palavras de José Saramago e em diálogo com outros pensadores.

A terminar as comemorações, que ainda vão incluir mais eventos, a Mostra de Artes Performativas de Setúbal associa-se através de “A Ilha Desconhecida”, dramaturgia de José Rui Martins, com interpretação de Catarina Moura e Luís Pedro Madeira, a partir da obra de Saramago “O Conto da Ilha Desconhecida”.

Por fim, a Andante lança o desafio “Quem quer ser Saramago?” às escolas secundárias do concelho, no dia 16 de Novembro, em que se propõe uma viagem contra a crueldade, humilhação e mentira, guiada pela visão do José Saramago.

Genial e revolucionário da escrita

A obra de José Saramago foi distinguida em diversos países com vários prémios, entre os quais o Prémio Luís de Camões em 1995 e o Prémio Nobel da Literatura em 1998.

Com doutoramentos “Honoris Causa” atribuídos por várias Universidades, tanto no estrangeiro como em Portugal, José de Sousa Saramago foi também merecedor de distinções honorárias, mais uma vez tanto a nível internacional como nacional, tendo-lhe sido entregue, a título póstumo, em 2021, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Grande Colar da Ordem de Camões, pelos “serviços únicos prestados à cultura e à língua portuguesas”.

Romancista, teatrólogo, poeta e contista, nasceu em Azinhaga de Ribatejo, no concelho de Golegã, distrito de Santarém, a 16 de Novembro de 1922, vido a morrer aos 87 anos na sua casa na ilha espanhola de Tias, Lanzarote, onde residia com a mulher Pilar del Río.

Aderiu ao PCP em 1969, tendo sido eleito presidente da Assembleia Municipal de Lisboa em 1989. De 1987 a 2009, foi sempre candidato pela CDU como deputado ao Parlamento Europeu.

Autor de 24 obras literárias, a primeira “Terra do Pecado”, em 1947, e a última “Caim” em 2009; estando “O Memorial do Convento” (1982), “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1984) e “A Jangada de Pedra (1986) entre as mais conhecidas, e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991) a mais polémica.

Jornalista, colaborou com vários jornais e foi director adjunto do Diário de Notícias em 1975; “jornalista revolucionário”, assim se apresentou então aos leitores do jornal.

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