5 Dezembro 2021, Domingo
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Artista setubalense é referência no mundo das unhas

Susana Fernandes nunca conseguiu trabalhar em Arquitectura, mas a estética acabou por preencher a paixão pela arte. O papel que já desempenhou na promoção do mundo da competição nesta área valeu-lhe reconhecimento no meio

 

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Quando falamos no mundo da competição de unhas em Portugal, há uma figura incontornável que tem marcado a modalidade. Susana Fernandes tem contribuído largamente para a expansão e divulgação deste mundo das unhas em Portugal, assim como para a projecção de artistas portuguesas no estrangeiro e esse trabalho permitiu-lhe ser nomeada, em 2019, embaixadora da cidade de Setúbal.

A artista setubalense já participou como concorrente, jurada e formadora em competições e formações pelos mais diversos países do mundo, contando-se, para além de Portugal, participações em Itália, Reino Unido, México, Japão.

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Por esse mundo fora coleccionou, vitórias e outras dezenas de distinções. Lysa Comfort, directora da International Nail Judge Association, refere que o trabalho de Susana Fernandes “é admirado por todos em todo o mundo e é um trabalho que todos desejamos e nos empenhamos para atingir”.

A representante da INJA refere ainda que “o trabalho da Susana é usado como um exemplo para o mais alto padrão de realização”. Das distinções conseguidas, destaca-se a vitória na Feira de Madrid, no ano de 2014, sendo a primeira concorrente portuguesa a vencer uma competição naquela concorrida feira.

Susana Fernandes lembra-se da emoção que lhe invadiu quando ouviu o seu nome ser anunciado: “eu não queria acreditar, não esperava. Eu fiquei emocionada, chorei”.

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A emoção foi tanta que precisou de algum tempo para se recompor: “Eu nem queria ir ao palco. Demorei um bom bocado em ir receber o prémio”. As suas conquistas, o seu talento, trabalho, dedicação e, por consequência, papel de relevo na modalidade, foram elementos que contribuíram para que, no ano de 2019, recebesse a distinção de embaixadora da cidade de Setúbal, entregue pela presidente da Câmara, na altura, Maria das Dores Meira.

Esta viagem pelo mundo das unhas começou em 2010. Insatisfeita pela sua situação profissional, sem conseguir exercer a profissão na área em que se formou, arquitectura, viu-lhe despertado o interesse pelas unhas de forma curiosa.

“Na altura trabalhava no Continente (Modelo). E algumas colegas minhas usavam unhas e pintadas, e foi-me despertando a curiosidade” explica Susana, “mas depois comecei a ver umas pintadas à mão, e aquilo despertou mesmo a minha curiosidade”, acrescenta a artista.

Foi uma questão de tempo. Deu os primeiros passos na Nails 21 e ali começou a aprender, executar e a melhorar as suas capacidades em trabalhar as unhas. “Comecei a conjugar esse interesse pelas unhas com o trabalho. Consegui um part-time na Aranguez, enquanto ainda trabalhava no Continente”, explica a artista.

Apesar de estar a descobrir este lado artístico, que a completava bastante, o momento não era doce. “Tive dificuldades e andei a pensar seriamente em desistir”, confessa Susana Fernandes.

“Os custos dos cursos pensavam-me bastante porque a situação profissional não era a melhor. E depois não podes ficar a dever às pessoas, como é claro. Foi bastante complicado”, explica a artífice, recordando-se dos períodos iniciais difíceis. Nesse momento de dificuldade, conhece aquela que seria a sua maior mentora e influenciadora.

É na Feira de Estética, em Lisboa, que conhece Hanna Vasko, uma nailartist ucraniana, autêntica referência mundial. “Fui para aquela feira com aquele pensamento de desistir mesmo, e foi quando conheci a Hanna e tudo mudou”. Impressionada com o trabalho de Susana, a artista ucraniana convidou-a para se juntar a ela, depois desta ter visto o trabalho da artista setubalense numa formação sua.

Finalizou a sua ligação com a Nails21, e juntou-se a Hanna Vasko, que, na altura, lutava para implementar o mundo da competição de unhas em Portugal, “Artisticamente encontrei na Hanna a minha cara-metade”, confessa Susana Fernandes.

“Ela fazia tudo à mão, não utilizava autocolantes, algo que se usava na altura. Eu apaixonei-me pelo trabalho dela”, explica a artífice. Na equipa de Hanna Vasko arrancou para a Exponor, no Porto, onde participou nas suas primeiras competições. Além disso, associada à artista ucraniana, trabalhou em Setúbal e, ainda que por pouco tempo, em Lisboa.

É também nessa altura que começa a dar formação, depois de ter conseguido o título de “Master Educator”. Explicou que acabou por não acompanhar a mentora em Lisboa, quando esta abriu lá uma loja, continuando no espaço da artista ucraniana em Setúbal, por respeito às suas clientes e para dar oportunidade a uma outra colega que teria a beneficiar com o trabalho na capital.

Espanha, Itália e México enriquecem experiência

A ligação à artífice ucraniana e o sucesso das suas obras na Feira no Porto, valeram-lhe que o convite para competir na Feira de Madrid, em 2014, pelas mãos de Maria Moreno, iniciando a sua internacionalização.

“Gostei bastante, fiquei muito feliz. Aí comecei a participar sobretudo em Espanha”, explica Susana Fernandes, recordando-se dos seus primeiros passos nos campos internacionais.

Então depois de fazer alguns trabalhos como freelancer, participou num “curso muito difícil”, segundo as suas palavras, no México patrocinado por Leon Cabriales. “Tinhamos muitas horas de formação para fazer um exame teórico e prático”, explica a artista setubalense.

A sua entrega e disponibilidade em ir para o México, e, consequente, sucesso naquela formação, foram importantes para que Leon Cabriales convidasse Susana Fernandes para ir para Itália.

Aí participaria noutro campus, que reuniria participantes de todo o mundo, com o objectivo de obter um título de “Master Educator”. “Eu não me tinha preparado, minimamente, para aquilo. Pensava que era só uma formação. Quando cheguei lá, tivesse esse choque”, confessa Susana Fernandes.

Em Itália, apesar do choque, obteve novamente o sucesso, reforçando a confiança que Cabriales tinha no seu talento e profissionalismo. O artista e empresário mexicano preparava-se, na altura, para estabelecer a marca Antartic e convidou Susana Fernandes para a sua equipa e contribuir para esse processo.

“Desenvolver uma marca é muito complicado. Acabamos por não ter o sucesso esperado em Portugal. O produto não obteve grande sucesso no nosso país, pelo valor e outras razões, mas eram produtos muito bons”, explicou Susana Fernandes, lamentando o insucesso da marca. Recordou ainda que a pandemia prejudicou também o processo. Mais recentemente juntou-se à HN Hit Nails, equipa que representa e também dá formação.

É essa a sua mais recente preocupação, até que surja uma competição de nível elevado como a Feira de Madrid, é preparar as suas formandas para os eventos que se avizinham, em especial uma competição em Nápoles que, segundo a mesma, “servirá para aumentar a sua capacidade técnica, auto-estima e visibilidade”.

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