2 Dezembro 2021, Quinta-feira
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PCP e PSD pedem audições face a cenário de crise no Centro Hospitalar de Setúbal

Demissão do director clínico Nuno Fachada motivou reacções de social-democratas e comunistas na Assembleia da República. Comunistas já haviam requerido audições em Abril último

 

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O PSD pediu hoje uma audição urgente do director clínico demissionário do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, do Sindicato Independente dos Médicos, da Ordem dos Médicos e de um conjunto de outras entidades. E o PCP exigiu o “urgente agendamento” das audições do Conselho de Administração daquela unidade hospitalar.

Isto na sequência de o director clínico do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, ter apresentado nesta quinta-feira a demissão do cargo, justificando a decisão com a falta de condições do hospital, inclusive a “situação de ruptura e agravamento nas urgências médicas, obstétrica, EEMI [Equipa de Emergência Médica Intra-Hospitalar]”, assim como “dificuldades noutras escalas como a pediátrica, cirúrgica, via verde AVC, urgências internas”, entre outras.

Nesta sexta-feira, o grupo parlamentar dos PCP solicitou o “urgente agendamento” das audições requeridas pelos comunistas e aprovadas na Comissão de Saúde sobre a situação do Centro Hospitalar de Setúbal, nomeadamente do Conselho de Administração e da ministra da Saúde.

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Os requerimentos apresentados pelos deputados comunistas para a realização destas audições foram aprovados na comissão parlamentar de Saúde em 21 de Abril deste ano, indicou o grupo parlamentar do PCP, em nota à imprensa. Neste âmbito, os comunistas enviaram hoje um ofício à presidente da comissão parlamentar de Saúde na Assembleia da República, a deputada do PS Maria Antónia de Almeida Santos, “a solicitar o urgente agendamento das audições do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Setúbal e da ministra da Saúde [Marta Temido], sobre a situação do Centro Hospitalar”.

“O PCP tem vindo a acompanhar a situação do Centro Hospitalar de Setúbal e a intervir com o objectivo de reforçar a sua capacidade de resposta. Foi por proposta do PCP que no Orçamento do Estado para 2021 ficou prevista a transferência de 17,2 milhões de euros para o Centro Hospitalar, com vista à sua ampliação através da construção de um novo edifício”, sublinhou o grupo parlamentar comunista, acrescentando que também foi apresentada iniciativa de recomendação ao Governo para implementação de medidas “que ainda não estão concretizadas”.

Os comunistas defendem que a valorização e a requalificação do Centro Hospitalar de Setúbal, através do reforço do investimento nas instalações e equipamentos, da valorização dos profissionais de saúde e da contratação dos profissionais de saúde necessários, “são fundamentais para o seu futuro e para melhorar a prestação de cuidados de saúde aos utentes”.

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PSD pede audiências de director demissionário e várias entidades

Também hoje, o PSD pediu audições urgentes do director clínico demissionário do Centro Hospitalar de Setúbal, Nuno Fachada, do Sindicato Independente dos Médicos, da Ordem dos Médicos e de um conjunto de outras entidades.

O grupo parlamentar dos social-democratas entregou na Assembleia da República “um requerimento em que pede a audição, com carácter de urgência, de Nuno José Fernandes Pinto Fachada, do Sindicato Independente dos Médicos e da Federação Nacional dos Médicos, da Ordem dos Médicos, do conselho de administração do Centro Hospitalar de Setúbal e do conselho directivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a propósito da situação no Centro Hospitalar de Setúbal”, informou o partido em comunicado.

No requerimento, o PSD salienta que “há muito que o Centro Hospitalar de Setúbal se defronta com graves problemas decorrentes de uma crescente escassez de profissionais de saúde e, bem assim, da desadequação das actuais instalações do Hospital de São Bernardo”. Ao mesmo tempo acrescenta que o Governo se tem revelado “incapaz de dar resposta efectiva aos referidos problemas”.

Os deputados social-democratas afirmam que “não surpreende, assim, que a falta de condições que se verifica” no centro hospitalar “tenha levado o seu até agora director […] a apresentar a sua demissão”.

Além do conjunto de dificuldades apontadas, o director demissionário realçou também a “falta de condições de atractividade dos médicos”, a “insuficiência ou não abertura de vagas sinalizadas”, as “dezenas de cortes mensais de salas operatórias” e a “ruptura em vários serviços por êxodo” de profissionais de várias especialidades. Nuno Fachada justificou ainda a demissão com a “não resposta sobre a requalificação e financiamento do CHS [Centro Hospitalar de Setúbal] para grupo D”, “afastamento e colapso dos cuidados primários de saúde, agravando as dificuldades dos doentes”, assim como “incertezas quando ao ecletismo, adaptação e capacidade das obras das urgências”.

“Assim, só restaria a solução de romper com a situação vigente. Romper com a aceitação de continuarmos a ver o estertor do SNS [Serviço Nacional de Saúde], capturado por uma estrutura burocrática pesadíssima e crescente, que asfixia e parasita aquilo que melhor foi feito nas últimas quatro décadas e que tornou Portugal num país avançado, longe das altas taxas de mortalidade infantil e da baixa esperança média de vida”, escreveu o director demissionário num ‘email’ institucional enviado aos colegas.

Reagindo à demissão, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, pediu hoje ao Governo que encare a demissão de Nuno Fachada como “um grito de alerta” e resolva os problemas da unidade.

Ordem dos Médicos solidária com Nuno Fachada

Quem também já reagiu ao pedido de demissão de Nuno Fachada foui a Ordem dos Médicos, que manifestou hoje solidariedade para com o director clínico demissionário do Centro Hospitalar de Setúbal, apelando para que o Governo resolva os “problemas graves” daquela unidade.

“A Ordem dos Médicos tomou conhecimento do pedido de demissão do director clínico do Centro Hospitalar de Setúbal, pelo que manifesta publicamente o seu respeito e solidariedade para com a decisão do Dr. Nuno Fachada, apelando ainda a uma intervenção urgente do Ministério da Saúde para resolver os problemas graves deste hospital”, lê-se numa nota enviada às redacções.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, acrescenta que tem visitado por várias vezes o Hospital de Setúbal e, “infelizmente, as promessas são sempre as mesmas, mas os investimentos no edifício e a capacidade para reforçar o capital humano continuam a não avançar”.

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