20 Setembro 2021, Segunda-feira
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Comerciantes registam quebra na facturação e apontam dedo ao encerramento dos ‘Belos’ em Setúbal

Valores agravados pela pandemia. Desaparecimento do movimento associado à estação rodoviária deixou avenida “praticamente vazia, quase sem vida”

 

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O encerramento da sexagenária estação rodoviária de Setúbal, na Avenida 5 de Outubro, ditou uma avassaladora mudança nos negócios existentes em seu redor nos últimos cinco meses, com alguns comerciantes a registarem uma quebra na facturação de 25% a 40%.

Antes considerada como um importante ponto estratégico da mobilidade rodoviária sadina, no coração da cidade, a antiga infra-estrutura encerrou, dando lugar a uma avenida “praticamente vazia, quase sem vida”.

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Quem o afirma é António Costa, do Café Canoa, cujo “forte são as bifanas”. “A partir das três da tarde não se vê ninguém na rua”, rapidamente acrescenta.

O fecho da velhinha estação, aliado à propagação da covid-19, fez com que o estabelecimento, “aberto há mais de 50 anos”, factura-se “menos 30%”, apesar de “a parte da restauração se ter mantido praticamente igual”.

Os mesmos valores atingiu o café Expresso, de Humberto Sá, com “os condutores das camionetas”, os seus principais clientes, a visitarem cada vez menos o espaço “porque passaram a sair na zona da Várzea”.

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Para colmatar esta quebra, foi necessário “reajustar o horário” do café, em actividade há cinco anos. “Antes funcionávamos das 06 às 19 horas, enquanto que agora trabalhamos das 07 às 18 horas”, contou a O SETUBALENSE.

Já no outro lado da estação, uma larga fila de pessoas, típica destes tempos de distanciamento, aguardam para entrar na Tabacaria Loureiro. “As pessoas vêm comprar tabaco ou jogo”, desabafa Eduardo Costa, ao mesmo tempo que explica que o fecho da rodoviária “teve um impacto enorme no negócio”, com cerca de “menos 25%”.

Isto, rectifica, “a juntar à pandemia”. O principal prejuízo, refere, “aconteceu na venda de tabaco, com as marcas que antes se vendiam mais agora a serem cada vez menos vendidas, e de jogo, visto que as pessoas permaneceram mais tempo em casa”.

Foi, então, necessário pensar em soluções “para reverter a situação”, com o espaço a “apostar na venda de jornais que antes não se vendiam, na venda de charutos cubanos e de outros artigos que foquem as pessoas a ter de se deslocar à tabacaria”.

“Também começámos a carregar passes e a vender mais bilhetes de autocarro, que acontecia com menos frequência porque as pessoas compravam na estação, assim como passámos a ser um ponto para levantamento de encomendas”, conta.

Já o estabelecimento vizinho, a pastelaria Nutritiva Moderna, na voz do funcionário Ricardo José da Silva, registou uma quebra na facturação “que ronda os 40%”. “No nosso caso, nem foi tanto devido à estação, mas mais devido aos sucessivos confinamentos, até porque na rodoviária sempre funcionou um quiosque”, começou por referir.

Apesar de o não funcionamento dos ‘Belos’ ter tido “algum efeito” no negócio, “não foi catastrófico, ao ponto de a casa ter de fechar a porta”. “O que nos está a afectar mais são as pessoas que estão em teletrabalho, porque acabaram-se muitos pequenos-almoços, as ‘bicas’ da entrada, os lanches a meio da manhã e alguns almoços”, aponta.

Em seguida, frisou: “No Largo da Misericórdia não há rodoviária, como também não há na Avenida Luísa Todi ou na Praça de Bocage e os cafés conseguem trabalhar”. “Aqui, apesar de termos sentido diferenças com a questão da estação, funcionamos muito à base dos trabalhadores do tribunal, dos bancos, do comércio e escritórios”, acrescenta.

O problema, sublinha, tem sido remendado “com a diminuição de pessoal”. “Chegámos a trabalhar aqui seis pessoas. Agora somos cinco. Antigamente tinham de estar dois ao balcão de manhã, agora estou sozinho”, conclui.

Situação contrária acabou por acontecer na cafetaria Degustar, com o local a ver-se obrigado a fechar por “não conseguir aguentar”. No espaço passou a funcionar a Chocolate & Cia, gerida por Luciana Tobias, que se dedica à confecção de “doces e bombons personalizados”.

Inaugurado a 29 de Maio, em plena pandemia, o novo estabelecimento tem “recebido feedback positivo”. No entanto, Luciana Tobias não descarta a possibilidade de puder vir a sentir “alguma consequência”, em virtude da desactivação da estação.

“Decidi apostar por causa da sua localização, como estamos no centro da cidade e próximos de quem está de passagem, mas há sempre a dúvida se vamos perder clientes derivado da rodoviária já não funcionar”, confessou, por último.

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