27 Novembro 2021, Sábado
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Renovação do Forte de Albarquel representa “marco histórico” para a cidade com imóvel dedicado à cultura

Depois de “desprezado, esquecido e abandonado durante décadas”, antigo equipamento militar foi agora “devolvido aos setubalenses”

 

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Setúbal traçou mais um importante “marco na sua história” ao inaugurar ontem o renovado Forte de Albarquel, reconhecido actualmente como centro cultural e educativo do concelho.

“Desprezado, esquecido e abandonado durante décadas”, o antigo equipamento militar foi agora “devolvido aos setubalenses”, depois de concluídas as obras de requalificação, num investimento superior a 1,6 milhões de euros, reconheceu Maria das Dores Meira, presidente da autarquia, na cerimónia.

“Foi-lhe, durante muitos anos, negada uma solução. A solução que, por muita insistência, e, acima de tudo, vontade da câmara municipal, foi possível encontrar em 2015”, ano em que o Ministério da Defesa cedeu o imóvel ao município, por um período de 32 anos, referiu.

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Com “paciência, persistência, resiliência e vontade política”, assim começou a ser delineado o projecto para a grande transformação da fortaleza militar, edificada entre os séculos XVII e XVIII, que começou em 2018 a ser dotada de “novas capacidades e atractivos, capazes de se transformarem, também, em promotores do desenvolvimento turístico”.

No entanto, a autarca constatou que a intervenção apenas se concretizou com o apoio de Helen Hamlyn, filantropa que, através da fundação The Helen Hamlyn Trust, canalizou cerca de um milhão de euros para este investimento, a juntar aos 600 mil euros cedidos pela Câmara Municipal.

Isto, porque “todas as orientações nas quais se basearam o projecto de reabilitação, com excepção da construção do parque de estacionamento, que ficou a cargo da autarquia”, foram da responsabilidade da fundação.

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“Sem o seu apoio teria sido muito difícil chegarmos aqui e, por isso, hoje toda a cidade lhe está grata e lhe presta sentida e justa homenagem. O apoio que nos deu foi para lá do mero apoio financeiro. Agradecemos o apoio técnico, mas também o suporte moral e intelectual que sempre nos deu, com enorme prazer e generosidade”, sublinhou a edil.

Já Helen Hamlyn expressou sentir-se “muito feliz” pela “abertura do histórico forte, num local verdadeiramente deslumbrante”. Com o rio Sado e a Serra da Arrábida como ‘pano de fundo’, a britânica fez igualmente questão de congratular Maria das Dores Meira pela “sua enorme persistência na difícil tarefa de convencer o Ministério da Defesa a dar a concessão ao município”.

“Estou muito satisfeita em ter apoiado este projecto, numa cidade pela qual me apaixonei há 12 anos, por intermédio do meu amigo Hugo O’Neill. Congratulo-me pela utilização para fins culturais e educativos e aguardo com expectativa o início de um programa de actividades, que sei que é muito bom para que todos usufruam deste espaço”, disse.

Descerrada a placa comemorativa da inauguração do Forte de Albarquel por Maria das Dores Meira e Helen Hamlyn, acompanhadas do Major-General José Feliciano, a cerimónia prosseguiu com um momento musical, garantido pelo Ensemble Juvenil de Setúbal, e terminou com a realização de um almoço.

No local marcaram igualmente presença Duarte Pio de Bragança, o casal Hans-Peter e Marion Buehler-Brockhaus, da Fundação Buehler-Brockhaus, membros do executivo municipal, André Martins, presidente da Assembleia Municipal de Setúbal, e os presidentes das juntas de freguesia do concelho.

Forte de Albarquel abre oficialmente ao público terça-feira

A partir de terça-feira, os setubalenses poderão oficialmente conhecer o novo Forte de Albarquel, cuja entrada é gratuita.

Com “as suas muralhas viradas para o Sado, onde acaba o Estuário e começa o mar”, o imóvel está preparado “para a dinamização cultural, com exposições, debates, lançamento de livros, conferências e workshops, dinamização da leitura, concertos e defesa e divulgação do património e de estudos”, assegurou a presidente da autarquia.

No equipamento, passam também a poder concretizar-se “recepções a corpos diplomáticos, delegações estrangeiras, investidores e empresas”.

Além de um pátio com vista para a paisagem verde e azul típica da cidade sadina, o seu interior, no piso térreo, conta com um salão amplo, depois de demolidos alguns compartimentos, e uma cozinha, para apoio a serviços de catering.

No primeiro piso encontra-se um espaço dedicado a apoio administrativo. Já a antiga garagem dos veículos militares foi reconvertida para sala de reuniões, tendo sido acrescentadas instalações sanitárias e um compartimento para arrumos. No exterior foi, ainda, construído um edifício de raiz, no qual foram criadas as instalações sanitárias públicas.

Os contornos da antiga fortaleza militar foram também realçados, com a instalação de iluminação cénica, uma vez que “todos os trabalhos realizados tiveram em conta o respeito pelo estilo e a época do edifício”.

Hoje, depois de inúmeras “tentativas frustradas de fazer algo pelo monumento”, insere-se “na estratégia de fazer mais cidade, mais Setúbal”. “Eis-nos, em 2021, com o mais importante património edificado que possuímos no concelho praticamente todo recuperado, depois de anos de inoperâncias várias, entre as quais a da própria autarquia que, em administrações anteriores, permitiu a degradação deste património colectivo”, salientou, a concluir, Maria das Dores Meira.

Três séculos de história De fortaleza militar defensora do reino a reconhecido centro cultural e educativo

Edificado entre o reinado de D. João IV e o de D. Pedro II, entre 1643 e 1706, o Forte de Albarquel caracteriza-se pela sua arquitectura militar seiscentista tipicamente portuguesa, possuindo dois andares. A sua construção é fortificada de planta trapezoidal, contando com um pequeno baluarte no vértice a Sudeste e uma guarita a Sul.

Com um “estilo chão”, o antigo equipamento continha um “despojo decorativo, tipo de construção sóbria e imponente, de feição militar”. Dos poucos adornos existentes no imóvel, “destacam-se os entablamentos, as gárgulas e o pormenor da escadaria exterior”.

No seu interior, “as coberturas são em abóbada e em plano direito”.

Para a sua concretização, contribuíram os proprietários locais das marinhas de sal, assim como os profissionais que integravam a Confraria dos Navegantes e Pescadores da Vila de Setúbal ou “do Corpo Santo”.

Até 1883, ano em que foi desartilhado, a sua actividade serviu para reforçar “a capacidade de fogo da Fortaleza de São Filipe”, ao mesmo tempo que “estava integrado na estratégia de defesa militar do reino, na protecção da barra de Setúbal”.

Já na primeira metade do século XX, nasceu nos terrenos adjacentes da antiga fortaleza militar “uma fortificação subterrânea, dotada de casernas, depósito de água, paióis e central eléctrica, com dispositivo de camuflagem e três canhões”.

Entre 1889 e 1923, vários foram os arrendatários do imóvel. Chegado o ano de 1929, o primeiro andar do Forte de Albarquel passa a servir de habitação ao comandante do Regimento de Infantaria.

Passados 14 anos, é entregue ao 3.º grupo do Regimento de Artilharia de Costa para residência do comandante da Bateria de Albarquel, enquanto que em 1945 o terreno é arrendado a Pedro Ramos, com a duração de seis anos.

A partir de 1961, foram diversas as solicitações feitas para a ocupação do antigo equipamento militar, sempre recusadas. Exemplo disso é o pedido feito por parte da autarquia para a transformação do imóvel em pousada de turismo ou para a instalação de um museu oceanográfico.

Chegado o ano de 1970, é igualmente recusado o pedido de utilização por parte do Clube Naval Setubalense, como não são aceites as propostas feitas na década seguinte. De 1989 a 1997, por sua vez, foram igualmente colocadas ‘em cima da mesa’ as hipóteses de modificar o imóvel para acolher o Clube Náutico de Troia, uma pousada da juventude, o Clube Militar de Oficiais de Setúbal ou o Parque Municipal de Campismo.

No virar do século, regista-se a “mudança de utente do Instituto Militar dos Pupilos do Exército para o Batalhão de Informações e Segurança Militar”, com o processo de desafectação do domínio público militar do Forte de Albarquel a 21 de Julho de 2001.

A grande mudança aconteceu volvida década e meia, com a cedência do espaço pelo Estado Português à Câmara Municipal de Setúbal, por período prorrogável de 32 anos.

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