Projeto de ampliação e reorganização que abrange parte do espaço entre os cais 1 e 2 do porto de Sesimbra deverá estar concluído no próximo ano
O presidente da Câmara Municipal de Sesimbra defendeu esta quinta-feira que deve ser dada prioridade a embarcações marítimo-turísticas na reorganização da zona portuária e advertiu que os lugares previstos para aquela atividade podem ser insuficientes.
“Defendemos, de forma clara e inequívoca, que deve ser dada prioridade à marítimo-turística”, disse à Lusa o presidente do município sesimbrense, que tem agendada para quinta-feira uma reunião com a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS).
Segundo o autarca, a reorganização do porto deve assegurar o aumento de lugares para embarcações marítimo-turísticas e um modelo de gestão do plano de água que garanta equilíbrio económico e operacional com a pesca e a náutica de recreio.
No que respeita à gestão daquela zona portuária, Francisco Jesus frisou que “a decisão cabe à APSS, podendo passar por concurso público ou pela extensão da concessão ao Clube Naval, mas reafirmou a ideia de que qualquer solução deve salvaguardar as condições atuais, nomeadamente a “não diferenciação de preços face à náutica de recreio”.
“Deve ser salvaguardada a prioridade às marítimo-turísticas, com um valor [de taxas] que não seja diferente daquilo que é hoje praticado, pois já existem marítimo-turísticas na marina atual do Clube Naval”, disse.
O presidente da Câmara de Sesimbra disse ainda que a confirmarem-se as notícias que têm vindo a público, de que a reorganização do porto irá criar apenas 126 novos lugares e que só 40% desses 126 lugares serão para os operadores da marítimo-turística, será um número “insuficiente” para aquela atividade económica com grande impacto na vila de Sesimbra.
Segundo dados divulgados pela Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE), a atividade marítimo-turística no porto de Sesimbra tem atualmente “cerca de 90 embarcações”, regista um “fluxo superior a 40.000 participantes por mês durante o verão, o que representa uma receita global de mais de 6 milhões de euros mensais, com reflexos em toda a cadeia de valor do turismo”.
No passado dia 9 de abril, o vogal da APSS Nuno Viterbo revelou que a expansão e reorganização do porto de Sesimbra vai criar “126 novos lugares de acostagem, tendo em conta os interesses do Clube Naval, de pescadores e operadores marítimo-turísticos”.
“O que nós vamos tentar fazer – e vamos fazê-lo entre as três entidades, a atividade portuária, o Clube Naval e a marítimo-turística – é organizar o espaço da doca para que todos possam trabalhar”, disse o responsável da APSS.
Segundo Nuno Viterbo, “existe um projeto do Clube Naval de Sesimbra de ampliação da sua área de doca de recreio, mas o pressuposto é que 40% a 50% dos lugares novos serão destinados às embarcações marítimo-turísticas”.
De acordo com as previsões da APSS, o projeto de ampliação e reorganização que abrange parte do espaço entre os cais 1 e 2 do porto de Sesimbra deverá estar concluído no próximo ano.