A falta de ambulâncias disponíveis nos concelhos vizinhos obrigou a que fosse acionada uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos
Uma idosa que estava em paragem cardiorrespiratória morreu, ontem, quarta-feira, na Quinta do Conde, em Sesimbra, após esperar mais de 40 minutos por socorro, confirmou à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, João Franco, uma corporação que fica a 45 quilómetros do local da ocorrência, uma vez que nos concelhos vizinhos não havia ambulâncias disponíveis.
Os Bombeiros Voluntários de Carcavelos foram chamados às 14h00 para prestar assistência à vítima, na casa dos 70 anos, que se encontrava em dispneia (dificuldade respiratória), tendo chegado junto da vítima às 14h44, quando a mulher já estava em paragem cardiorrespiratória, disse João Franco. Situação que não foi possível reverter, tendo sido o óbito declarado com a chegada dos bombeiros e da viatura da VMER.
Os Bombeiros de Carcavelos reiteram, numa publicação no Instagram, que “apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local”. “Em situações de PCR, cada minuto é determinante – por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.
No espaço de dois dias este foi o segundo caso em que idosos morrem por falta de socorro urgente. Na última terça-feira um homem, de 78 anos, morreu no Seixal depois de ter estado quase três horas à espera de socorro do INEM. O presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, clarificou que não existiam ambulâncias disponíveis na Margem Sul para responder ao pedido de socorro. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e o Ministério Público já abriram um inquérito para investigar a morte deste idoso.
Também na quarta-feira, um homem de 68 anos morreu em Tavira, depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro, disse à Lusa fonte da família.
Segundo a mesma fonte, a vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, depois de ter ido à farmácia e consumido um xarope.
A fita do tempo desta ocorrência, a que a Lusa teve acesso, regista uma primeira chamada pelas 18h07, seguida de uma segunda chamada de socorro a questionar a demora dos meios.
A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18h47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.
A primeira ambulância foi acionada pelas 18h42.
Para o local foram igualmente enviados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada pelas 18h49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia.
Segundo a fonte familiar, os primeiros meios de socorro só chegaram ao local mais de uma hora depois do pedido inicial de socorro.
Em relação a este caso, o presidente do INEM descartou responsabilidades do instituto, atribuindo o atraso à falta de meios e retenção de macas das ambulâncias nos hospitais.