CDU viabiliza recomposição do executivo eleito pelo Chega na Junta de Freguesia

CDU viabiliza recomposição do executivo eleito pelo Chega na Junta de Freguesia

CDU viabiliza recomposição do executivo eleito pelo Chega na Junta de Freguesia

Proposta foi aprovada quarta-feira, em reunião extraordinária da Assembleia de Freguesia, com quatro votos a favor e cinco abstenções. PS votou contra

A CDU viabilizou, através da abstenção, a recomposição do executivo de maioria Chega na Junta de Freguesia da Quinta do Anjo, depois da renúncia de três dos quatro eleitos deste último partido.

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Após meses de impasse, a proposta de recomposição do executivo foi aprovada (em votação secreta e por lista) na passada quarta-feira, em reunião extraordinária da Assembleia de Freguesia, com quatro votos a favor e cinco abstenções. Registaram-se ainda três votos contra.

O executivo presidido por Nuno Valente (que se desvinculou do Chega) passa agora a integrar os vogais Miguel Ferreira da Silva Alves, Carlos Alberto Borges Paulo e Dulce Isabel Fernandes Martins de Azeredo, eleitos pelo Chega, que vão assim preencher os três lugares até então vagos na sequência das renúncias. E conta ainda com José Cordeiro (a quem o PSD já havia retirado a confiança política).

A CDU e o PS deram a conhecer e explicaram os respetivos sentidos de voto.

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Em comunicado, os eleitos da CDU justificaram a abstenção com a necessidade de ultrapassar a situação de instabilidade que tem condicionado o funcionamento da autarquia.

“A CDU, no superior interesse da freguesia e das populações, entende não inviabilizar a proposta de recomposição do executivo da Quinta do Anjo, através da abstenção”, lê-se no comunicado da coligação. No entanto, faz notar que esta posição “não representa qualquer acordo ou concordância com as opções de gestão do atual presidente e do seu executivo”.

“Trata-se, isso sim, de uma última tentativa de dotar a força política que ganhou as eleições na nossa freguesia das condições que escolheu para executar as medidas que importam a todos”, justifica.

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No documento, a CDU atribui a crise na autarquia à instabilidade interna do Chega, apontando os “desentendimentos constantes” entre o presidente e os restantes membros do executivo, bem como as sucessivas renúncias de eleitos daquele partido.

A CDU recorda ainda que as anteriores tentativas de recomposição do executivo foram sucessivamente rejeitadas, prolongando uma situação que prejudicava o funcionamento da junta de freguesia e a população. Apesar de ter viabilizado a recomposição, a CDU garante que continuará a exercer o seu papel de oposição e a manter um “rigoroso escrutínio à atividade do executivo”.

PS aponta violação da Lei da Paridade
Já o PS de Palmela, também em comunicado, fez saber que os seus eleitos na Assembleia de Freguesia votaram contra a proposta de recomposição, mantendo assim, “do início ao fim, uma postura de total coerência, rigor e respeito pela legalidade”.

“O PS recusa-se a passar ‘cheques em branco’ ou a dar cobertura política a soluções improvisadas que não oferecem garantias de estabilidade e rigor de gestão”, justificam os socialistas. No documento, apontam “o facto grave de a composição do executivo aprovado violar a Lei da Paridade (Lei Orgânica n.º 1/2019), ao apresentar uma representação do sexo minoritário de apenas 20% (um em cinco membros), muito abaixo do limiar mínimo legal fixado em 40%”.

“Os acontecimentos da última Assembleia de Freguesia demonstraram de forma inequívoca que o PS nunca bloqueou a freguesia por capricho. Sempre pautámos a nossa atuação pela exigência de transparência, legalidade e defesa dos superiores interesses da população”, consideram os socialistas, que vão mais longe. “Quem passou semanas a alimentar narrativas falsas de vitimização encontrou nos resultados da votação o suporte de que necessitava para viabilizar a sua solução. O Partido Socialista sublinha que não serve de ‘muleta’ nem de cúmplice de facilitismos políticos”, atiram, a concluir. Com M.R.S.

Crise Impasse durou meses e chegou-se a admitir eleições intercalares

A crise no executivo da Quinta do Anjo agravou-se em Julho, com a renúncia de Paula Robalo, independente eleita pelo Chega, que se juntou à saída de outros dois elementos da mesma força política. Na altura, o presidente da junta disse à agência Lusa que o executivo tinha ficado sem quórum, passando a assegurar apenas a gestão corrente, sem possibilidade de realizar novos investimentos na freguesia. Por outro lado, admitiu duas soluções para ultrapassar o impasse: um entendimento com a oposição que permitisse preencher os três lugares vagos ou a realização de eleições intercalares.
A situação ficou agora ultrapassada, com a recomposição do executivo a ser aprovada na última quarta-feira. Nas eleições autárquicas de 12 de Outubro de 2025, o Chega foi a força política mais votada na freguesia da Quinta do Anjo, com 26,94% dos votos e quatro eleitos, seguida da CDU, com 26,71% e também quatro eleitos, do PS, com 25,50% e três eleitos, e da AD (PSD/CDS-PP), com 13,90% e dois eleitos.
O novo executivo da Junta de Freguesia da Quinta do Anjo, tal como o anterior, vai ter quatro elementos que foram eleitos pelo Chega e um pela AD.

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