8 Dezembro 2022, Quinta-feira
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Sindicatos falam em clima de intimidação e repressão na Hanon Systems

Mutinacional coreana quer que “a cada dois postos de trabalho passe a corresponder apenas um”, afirma Luís Leitão

 

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Apesar da abertura de uma nova linha de montagem, a Hanon Systems Portugal – unidade fabril instalada em Palmela, que se dedica à produção de componentes para veículos automóveis – está a gerar “um clima de intimidação e repressão sobre os trabalhadores”. Quem o diz é Luís Leitão, da União dos Sindicatos de Setúbal.

Tal como O SETUBALENSE avançou na edição de ontem, a multinacional coreana surpreendeu, na passada quinta-feira, os trabalhadores com um comunicado interno a determinar a revisão de todos os contratos para “possível rescisão ou renegociação”, tendo em vista uma contenção de custos para garantir “a viabilidade da empresa a curto e médio prazo”.

Luís Leitão vai mais longe e afirma que “algumas chefias já transmitiram que a cada dois postos de trabalho é para passar agora a corresponder apenas um”. O que significa uma redução de 50% do total de trabalhadores que possa vir a ser afectado com a medida. E as mudanças, afirma, começam a fazer-se sentir. “Estão a mudar trabalhadores de uns para outros postos de trabalho. Os que auferem mais salário, os mais antigos, são os que estão a ser mudados para outros postos – aumentando a cadência e os ritmos de trabalho, mais árduo – dentro da própria empresa”, indica. “Normalmente, o que pretendem com isto é lançar o pânico, para depois, debaixo desse pânico, fazerem rescisões de contratos”, sublinha o responsável sindical, como já havia alertado em declarações anteriores a O SETUBALENSE.

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Também Manuel Fernandes, da central sindical UGT, considera “preocupante” a situação. O dirigente da estrutura sindicalista diz estar ao corrente da informação interna da empresa e observa: “No comunicado é manifesta a intenção de reduzir pessoal. O que não se diz é qual o número de trabalhadores e se pertencem aos quadros ou não”, aponta.

Medidas em comunicado

No documento interno – a que O SETUBALENSE teve acesso – a Hanon alega a necessidade de contenção de custos para garantir “a viabilidade da empresa a curto e médio prazo”, face à actual conjuntura económica global, afectada pelos aumentos dos “preços da energia (particularmente na Europa) como resultado do conflito em curso na Ucrânia”, e das “matérias-primas”, bem como pelas “restrições contínuas de fornecimento de semicondutores”, que obrigam as empresas “a diminuir as previsões de produção para 2023”.

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A multinacional coreana dá ainda a conhecer a aplicação de várias outras medidas de forma a eliminar “todos os gastos não essenciais”. Entre essas medidas encontra-se também a decisão de “congelar todas as contratações”, o que inclui a suspensão de “todos os esforços de recrutamento” e a “remoção de quaisquer anúncios de emprego”. Mais: o departamento de recursos humanos é instruído “a retirar qualquer oferta feita a candidatos que ainda não as tenham aceitado”. Porém, as ofertas aceites “serão honradas”. Além disso, “não haverá preenchimento de [vagas que advenham de] quaisquer rescisões voluntárias”.

O SETUBALENSE contactou na última sexta-feira o presidente da Câmara Municipal de Palmela, Álvaro Balseiro Amaro, que disse desconhecer a existência de qualquer processo de despedimento colectivo em curso. O SETUBALENSE tentou, logo na passada sexta-feira, obter esclarecimentos da empresa, mas só ontem conseguiu chegar ao contacto telefónico com a multinacional coreana, através de um funcionário que apenas cedeu um contacto de e-mail para a colocação de questões. Até ao ao momento, a empresa ainda não respondeu aos esclarecimentos solicitados.

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