26 Outubro 2021, Terça-feira
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Festas do Pinhal Novo com “balanço positivo” apesar de todos os condicionalismos

Dificuldades foram ultrapassadas com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Pinhal Novo

 

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A actuação de Belito Campos, na noite do passado domingo, marcou o encerramento da edição deste ano das Festas do Pinhal Novo, organizadas entre os dias 3 e 13 num modelo diferente do habitual, adaptado que foi aos constrangimentos provocados pela actual conjuntura pandémica. Ainda assim, o balanço “é positivo”, diz Herlander Vinagre, presidente da Associação das Festas Populares, apesar de reconhecer que as dificuldades foram enormes.

“O balanço é positivo, mas não como à partida pretendíamos, devido aos condicionalismos com que nos deparámos, situações muito complicadas”, analisa o responsável, ao mesmo tempo que resume: “Não pudemos usar sequer a designação de festas – tivemos de mudar o nome para “Bora Lá Pinhal Novo” –, não foi possível ter qualquer rulote de farturas ou de bares e, inclusive, tivemos de separar os divertimentos dos espectáculos. Foi complicado, mas no meio de tudo isso considero que o balanço é positivo.”

Um dos primeiros reveses sucedeu logo no primeiro dia, com o concerto de abertura dos festejos, a cargo da SFUA, a ter de ser reagendado para dia 10. “Acabou por ser um concerto digno. Teve o seu impacto, não o impacto que desejávamos, porque era para ser um espectáculo de abertura. Não teve aquela afluência de público que queríamos, até porque tivemos de o reagendar para as 18h00. Foi o possível, mas foi bom”, considera. E, sem deixar de lamentar a situação, revela a receita que foi utilizada para ultrapassar esse e outros obstáculos. “Sermos confrontados [em cima da hora] com a impossibilidade de realizar o concerto de abertura foi complicado. Mas esta [associação das festas] é uma equipa preparada para todas as eventualidades. Tivemos de mexer os cordelinhos, dar as nossas voltas, e tivemos o apoio incondicional da Câmara Municipal de Palmela e da Junta de Pinhal Novo. Estiveram sempre presentes e foram uns parceiros incondicionais para darmos a volta à situação. Devemos muito a eles.”

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Associações mostraram valor e público foi exemplar

Garantido ficou, uma vez mais, a promoção das tradições locais. “É sempre um dos objectivos. Demos todo o apoio às associações que quiseram colaborar connosco, abriram-nos as portas como habitualmente o fazem e graças a elas estas festas foram também dignificadas”, salienta Herlander Vinagre, que destaca tanto os espectáculos musicais – um por noite – como as iniciativas levadas a efeito pelas associações locais. “O ATA, por exemplo, fez um excelente espectáculo, que nos surpreendeu pela positiva. Mostraram o seu valor. A Orquestra Nova de Guitarras também… Ou seja, as nossas associações estiveram à altura. Houve um equilíbrio entre os concertos e as actuações/actividades das nossas associações”, vinca.

E o público deu o melhor exemplo. “As pessoas respeitaram na íntegra as regras. Tivemos uma equipa de segurança composta por 12 a 14 elementos, que encaminharam as pessoas aos lugares e que antes de todos os espectáculos desinfectaram as cadeiras no recinto… reunimos todas as condições para que não se pudesse dizer: ‘Pinhal Novo fez a festa, mas aquilo foi um fracasso’. Mostrámos que é possível fazer, desde que se tenha no terreno as regras de segurança e que as pessoas também cumpram. Não houve uma única pessoa a assistir a um espectáculo sem ter a máscara colocada. Foi gratificante. Não tanto como queríamos, mas foi o possível”, concluiu.

“Para o ano cancelamos a festa, se a situação se mantiver”

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O presidente da Associação das Festas Populares de Pinhal Novo assume não estar disposto a repetir o evento nos mesmos moldes, apesar de considerar que a edição deste ano “valeu a pena”.

Valeu pena realizar o certame nestes moldes?

Vale sempre a pena. À partida fomos muito criticados por o fazer. Mas encarámos sempre o objectivo com grande fervor e acho que valeu a pena. Demos um exemplo de saber trabalhar, de segurança, do que é uma equipa de trabalho no terreno, embora houvesse algumas críticas, mas a essas já estamos habituados. Quem esteve presente só nos deu parabéns e temos tido reconhecimento pela forma como organizámos as festas.

Qual foi a média de assistência de público, tendo em conta a existência de lugares sentados nos espectáculos?

No dia da Rosinha tivemos completos no recinto os lugares sentados e lá fora estava o triplo das pessoas a assistir, até porque não tapámos nada. Apenas vedámos o recinto com rede metálica. Cá fora esteve sempre o dobro das pessoas que estavam no recinto, com 328 lugares sentados. Ontem [domingo passado] encerrámos com chave de ouro. Foi uma coisa fora de série: o recinto estava repleto de gente, ao seu redor, mantendo o distanciamento. A GNR teve também essa preocupação e fez sempre o policiamento. Foi muito bom. Em condições normais tínhamos nas festas 18 a 20 mil habitantes por noite. Neste caso, nem de longe nem de perto.

E em termos de visitantes?

Até tivemos gente de Lisboa, como no domingo em que vieram algumas dezenas de pessoas para assistir ao espectáculo de Belito Campos. A esmagadora maioria foram pessoas da vila e arredores. A nossa intenção era dirigir os festejos para quem é do concelho. Não trabalhámos a divulgação para que viessem pessoas de fora, até em face das condicionantes.

Consideram voltar a realizar a festa nestes moldes, caso para o ano ainda se verifique condicionalismos idênticos?

Muito honestamente, se à partida, quando começámos a pensar em fazer as festas, soubesse que era isto que ia acontecer, tínhamos cancelado. Se para o ano as condicionantes forem as mesmas, cancelamos a festa. Isto não se faz de um dia para o outro, são meses a trabalhar e depois as pessoas sentem-se defraudadas. A um dia das festas abrirem fazem-nos comunicar às pessoas que tinham de levantar as suas rulotes, de farturas, bares…, porque já não era autorizado. Isso dói. Assim para o ano não fazemos, independentemente de o balanço deste ano ser positivo.

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