O “colapso de parte de uma habitação”, na freguesia de São Salvador/Santa Maria, desalojou uma pessoa que foi, entretanto, acolhida por familiares
Uma pessoa ficou hoje desalojada e duas foram retiradas preventivamente das suas casas, no concelho de Odemira, distrito de Beja, devido ao mau tempo que encerrou escolas, sendo esperadas descargas controladas da barragem de Santa Clara.
O “colapso de parte de uma habitação”, na freguesia de São Salvador/Santa Maria, desalojou uma pessoa que foi, entretanto, acolhida por familiares, explicou hoje o presidente da Câmara Municipal de Odemira, no distrito de Beja, Hélder Guerreiro.
Em declarações à agência Lusa, o autarca indicou que foi ainda necessário incorporar “outras duas” pessoas no Lar de São Martinho das Amoreiras, após terem sido retiradas preventivamente das suas casas devido à subida do nível da água.
Questionado sobre o aumento substancial da água armazenada na barragem de Santa Clara que, na quarta-feira, registava um volume de armazenamento de 81%, Hélder Guerreiro disse que vai ser necessário fazer “descargas controladas”.
A barragem “está muito próximo da cota, a partir da qual tem de se fazer descargas controladas”, mas “é algo que está a ser equacionado, como e quando”, de modo a coordenar essa intervenção para coincidir com as marés e “não acrescentar problemas ao problema já existente”, sublinhou.
Entretanto, segundo o autarca, o Serviço de Urgência Básico (SUB) do Centro de Saúde de Odemira foi instalado, na quarta-feira, no edifício da Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Odemira.
“A expectativa é que continue a funcionar” nestas instalações até domingo, tendo em conta o agravamento da situação meteorológica, na sexta-feira e sábado, referiu Hélder Guerreiro.
Também por uma questão de prevenção, indicou, as escolas do concelho foram encerradas hoje, estando prevista uma reunião esta tarde para decidir se estão reunidas as condições para reabrir as escolas na sexta-feira.
Depois da passagem da depressão Kristin, na semana passada, Portugal continental está agora a ser afetado pela passagem da depressão Leonardo, com chuva persistente e por vezes forte, vento e forte agitação marítima, tendo sido emitidos vários avisos laranja (o segundo mais grave) pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.