19 Junho 2024, Quarta-feira

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Transtejo provoca ‘ondas’ de choque entre Nuno Canta e João Afonso 

Transtejo provoca ‘ondas’ de choque entre Nuno Canta e João Afonso 

Transtejo provoca ‘ondas’ de choque entre Nuno Canta e João Afonso 

Polémica em torno da compra de barcos aquece debate. Social-democrata acusa presidente de nada fazer. Socialista lembra que PSD queria privatizar a transportadora 

 

O chumbo do Tribunal de Contas ao contrato adicional da Transtejo para compra de baterias para nove dos dez navios eléctricos, que visam assegurar as carreiras de passageiros entre as duas margens do Tejo, marcou o debate na reunião pública quinzenal da Câmara Municipal do Montijo, na última quarta-feira. E o tema voltou a provocar “ondas” de choque entre o vereador João Afonso (PSD) e o presidente da autarquia, Nuno Canta (PS).

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O social-democrata historiou o processo de aquisição da nova frota desde 2017 – que agora culminou com a exoneração do conselho de administração da Transtejo, após um acórdão demolidor do Tribunal de Contas que aponta ilegalidades aos procedimentos adoptados pela empresa – e acusou a gestão camarária de comportamento passivo perante a situação que se arrasta no tempo e afecta regularmente milhares de utentes do transporte fluvial de passageiros.

“Que eu saiba, o senhor presidente não tomou nenhuma posição, não defendeu os montijenses, não responsabilizou o Governo, não exige responsabilidades e não procurou saber quando este processo se resolve”, disse João Afonso, ao mesmo tempo que acusou os socialistas de estarem, em termos políticos, “completamente cristalizados, congelados”, ao não assumirem “uma posição pró-activa” na defesa dos interesses da comunidade.

E, na resposta, Nuno Canta recuou ainda mais no histórico e foi contundente. “O senhor vereador tenta enganar toda a gente, procura enganar as pessoas, fingindo que defende coisas. Fingindo. Porque o senhor não defende a Transtejo. O seu partido propôs a privatização. Ou o senhor é do PSD – que também tenho dúvidas – ou não sabe o que está a dizer”, atirou o socialista, para concretizar mais à frente.

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“O senhor vereador inclusivamente foi nomeado pelo Governo de Passos Coelho para determinadas empresas do Estado, em que esse Governo defendia a privatização da Transtejo. Agora, passados estes anos, dá aqui uma cambalhota a defender o serviço público da Transtejo, que só não sei como é que não caiu no chão.”

O presidente da Câmara foi até mais longe ao fazer um ‘julgamento de intenções’ ao social-democrata. “Vem aqui dizer mal da Transtejo, com razão neste aspecto agora, apenas para criar na opinião pública a vontade de privatização. Nós procurámos que existisse uma melhoria da frota. Grande parte dos problemas que hoje estamos a querer resolver decorre de, na altura, o Governo do PSD não ter feito a manutenção devida, porque queria privatizar”, disparou Nuno Canta, que responsabilizou também a administração exonerada da Transtejo. “Não conduziram, do nosso ponto de vista, bem este processo. Não fizeram um concurso público capaz”, considerou o socialista. 

‘Pingue-pongue’ até se chegar a ‘candidato’ a ministro 

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João Afonso replicou que “o PSD não tem nenhum complexo com o público nem com o privado” e que para as pessoas “é-lhes indiferente” se o serviço é público ou privado. “O que elas querem é que os barcos funcionem e que haja um bom serviço de transportes. O PS está no Governo há sete anos. Os senhores estão na Câmara há 25. Todas estas trapalhadas são da vossa responsabilidade [do PS], não são da responsabilidade de D. Afonso Henriques ou de Passos Coelho. Na altura de Passos Coelho não havia dinheiro, porque os senhores estoiraram com as contas do País”, contra-atacou o social-democrata, com Nuno Canta a defender de seguida que “a Transtejo não é governada pela Câmara do Montijo”.

E gerou-se um breve, mas “inusitado”, “pingue-pongue” entre presidente e vereador. “A Transtejo é governada por um conselho de administração que assumiu, perante este problema com o Tribunal de Contas, a sua demissão”, lembrou o socialista.

“E o senhor [presidente] não faz nada…”, interrompeu o social-democrata.

“Faço o quê, senhor vereador? Compramos um barco da Transtejo para pôr a navegar?”, questionou Nuno Canta.

“Não está aqui só para presidir a festas, senhor presidente”, ripostou o autarca do PSD, que teve direito a resposta “ministerial” do socialista.

“Não. Nós estamos aqui para assumir as responsabilidades, competências e atribuições da Câmara, para defender os interesses dos munícipes do Montijo. O vereador quer sempre colocar-me como ministro, ministeriável, ainda não cheguei a esse patamar, tem de ter um bocadinho mais de calma. Mas havemos, se calhar, de lá um dia chegar. Logo veremos”, admitiu Nuno Canta, que cumpre actualmente o terceiro e último mandato consecutivo à frente dos destinos da autarquia montijense, impedido que está, por força da lei, de se recandidatar ao cargo nas próximas autárquicas.

Antes de terminar, Nuno Canta confidenciou que tem prevista para esta sexta-feira “uma reunião com o ministro do Ambiente [Duarte Cordeiro]” para abordar a situação da Transtejo e “outras coisas”. “De todos os presidentes de Câmara, alguns do PSD, serei o primeiro a reunir com o senhor ministro sobre esse assunto [da Transtejo]”, concluiu. 

Nuno Catarino “O passa-culpas atinge os dois lados” 

Pela CDU, o vereador Nuno Catarino apontou baterias às políticas de PSD e PS. “O passa- -culpas atinge os dois lados, de quando estiveram no Governo. A Transtejo chegou onde chegou pelo desinvestimento”, considerou o eleito da coligação, que primeiro fixou o alvo nos social-democratas.

“É bom que os montijenses não se esqueçam que o plano [de privatização do PSD] previa o fim da travessia fluvial fora das horas de ponta e aos fins-de-semana.” E depois fez ponto-de-mira aos socialistas. “Mas isto não isenta de culpas o PS, no desinvestimento que continuou ou que não foi o investimento necessário para se poder chegar a uma situação em que os navios actuais pudessem ter condições de até receber manutenção”, disse.

O remoque a Nuno Canta veio depois. “É só a administração [da Transtejo] que tem responsabilidade nisto? Querem fazer crer que o ministro ou os ministros da tutela não acompanharam a questão do concurso? O senhor presidente não pode dizer uma coisa destas. O Governo não se pode demitir das responsabilidades e das promessas que fez”, finalizou. 

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